::  CRÔNICAS
DEDO DE PROSA


VOVÔ JOSÉ BEATRIZ

“Saio pela porta da cozinha e, olhando o portão, vejo uma visão angelical. Figura, de descendência europeia alta e imponente, o descendente de italianos estava muitíssimo bonito debruçado com os braços sobrepostos sobre as ripas do portão de madeira, tendo o queixo apoiado sobre as mãos. O sorriso, naquele rosto afilado em que se apresentavam dois olhos azuis cor de “céu de brigadeiro”, pareceu ser de um anjo porque eu não conhecia meu avô mesmo tendo cinco anos de idade.

Encantada com aquele ser e saindo do quase transe chamei minha mãe aos gritos. Convidada a entrar, a criatura com ares celestes me foi apresentada como pai de meu pai. Fiquei acanhada enquanto ele e mamãe conversavam e, aos poucos, fui sendo conquistada pela simpatia e educação que ele irradiava com seu sorriso que era uma constante.

Nós morávamos na zona rural de Reserva, nessa época. Porém, jamais me esqueci da figura que vovô criou em minha mente com aquela sua aparição no portão. E ela não se apagou, mesmo tempos depois quando o visitávamos em sua casa que ficava no alto da Rua Quinze de Novembro em Curitiba ou, até mesmo quando ele envelheceu.

De forma que a imagem que guardo dele em minha memória é aquela do portão que, tempos depois quando fomos à escola, foi associada com a canção que a professora ensinou: `Os cabelos do vovô, são bonitos como a neve, lindos, lisos e brilhantes, voam ao ar de tão leves´, versos que me fazem lembrar de vovô até hoje”.

Através desse relato é que eu fiquei “conhecendo” um pouco de como era meu avô através de quem, de fato o conheceu, minha irmã mais velha. Isso porque não tive a felicidade de conhecê-lo realmente. Dele eu guardo, somente, uma fotografia que pertenceu a meus pais e... muitas curiosidades.

Cambé, terça-feira, 08 de agosto de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





LEI DA SEMEADURA

Sempre que passo no local que motivou esta crônica, me admiro com a diversidade das paisagens que se alternam nesse espaço porque, ora são rasteiras ramagens a se esparramarem generosas, noutras vezes o solo expõe altos arbustos com lindas e grandes flores amarelas com seus miolos avermelhados que lembram hibiscos e, em outras ocasiões, a paisagem apresenta uma imensidão de arbustos de maniva e de muitas outras plantas.

São bonitas paisagens dos mais variados tons de verde cultivadas por um gentil senhor de pouco mais de 80 anos. E o local é uma extensa área em Maringá - Paraná.

Conforme sua filha, a área onde ele planta tem por tamanho um alqueire e meio que, no caso da medida paulista a usual no Paraná, dá um total de 36.300 metros quadrados.

Nessa imensidão de solo é que o senhorzinho que atende pelo nome de um dos três reis magos, trabalha de sol a sol. Ele carpe os matos para plantar, cava buracos para enterrar os caules dos futuros pés de mandioca dedicando à agricultura desse legume o maior espaço desse solo e, também, seu maior tempo de trabalho.

De modo que sempre é encontrado, conforme a época, carpindo matos e pragas que aparecem em volta dos pezinhos desses tubérculos ou, ainda, arrancando as mandiocas ao mesmo tempo em que vai selecionando os melhores caules para plantio futuro.

Após isso, sua rotina com as mandiocas consiste em lava-las, cortá-las, descasca-las e acondiciona-las em sacos plásticos para venda. Conforme estação propícia, ele também planta amendoins, quiabos e batatas doces. Os cuidados são os mesmos. Mas ele tem, ainda, alguns abacateiros plantados e, ora vende, ora doa os frutos, assim como faz também com o produto das inúmeras jaqueiras que tem naquela área de terra.

Assim é que a ocupação daquele incansável senhorzinho é incessante. Ainda bem que, no setor de vendas, ele conta com a ajuda de uma filha já há algum tempo.

Os benefícios do trabalho desse senhor não se restringem apenas em algo que traga retorno para ele, muito embora sejam muitos os seus fregueses habituais. Beneficiam-se dos trabalhos dele não apenas as pessoas que compram seus produtos, mas também aquelas que por alí passam e podem desfrutar da visão de um lugar limpo, bem plantado e cuidado, ou seja, uma bonita paisagem mutante que é fruto da labuta contínua e muito abençoada do ofício de um agricultor determinado.

Cambé, terça-feira, 08 de agosto de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





O SELO

Não é fato comum entre católicos, mas tivemos muitas aulas bíblicas com mamãe.

No começo as aulas eram dadas com palavras e o auxílio de uma Bíblia pequena e simples. Mas mesmo assim, elas eram interessantíssimas, pois mamãe tinha o dom de enriquecer os relatos os quais ilustrava com exemplos práticos. Tudo muito gostoso e harmonioso, bem ao nível do aguçamento dos interesses nossos, as crianças.

Algum tempo depois, minha família adquiriu uma coleção bíblica completa ilustrada. Era encadernada em capa dura vermelha, com alguns arabescos em alto relevo e, coisa mais linda para nós, trazia enormes letras douradas nas capas e na lombada.

As figuras ilustrativas, imaginem, eram grandes como grande era, também, o tamanho dessa coleção de livros, que media mais ou menos uns 45 centímetros de altura por uns 35 de largura.

Nós gostávamos demais de escutar as histórias bíblicas após a compra da coleção, pois podíamos nos deliciar com as ilustrações grandonas e coloridíssimas dos livros em seus mínimos detalhes.

Dessas maravilhosas recordações educativas, no âmbito religioso tenho que ressaltar um fato hilário que ocorreu e que povoa a memória de alguns de meus irmãos até hoje.

Mamãe contou a história que sintetizo aqui porque meu objetivo não é religioso, mas sim o de relatar o que aquela leitura provocou em nós pequenos. Dizia ela que Deus, nosso Pai, elegia as pessoas boas que iriam para o céu e depois Lhes colocava uma marca inconfundível. Naqueles tempos, nos quais ainda tínhamos pureza d´alma e a inocência ainda intacta, quisemos saber qual era essa marca porque queríamos ir para o céu. Mamãe disse-nos que a marca divina era um selo e que Deus o colocava na testa das pessoas.

Muito embora jamais tivéssemos visto alguém com tal selo e esquecendo-nos o que mamãe dissera a respeito dele ser real e visível apenas aos olhos de Deus, nós aproveitamos apenas a parte que nos interessava no relato e pusemo-nos a cochichar pelos cantos, no sentido de fazer algo a respeito para podermos ir para o céu.

Como papai tinha uma lindíssima coleção de selos raros, concordamos em que cada qual de nós escolhesse uma daquelas raridades para colar na própria testa e, pasmem, passamos a andar dentro e fora de casa com o nosso selo que, acreditávamos piamente, permitia nossa entrada no céu.

É claro que não fomos para o céu, mas sim, levamos uma muito grande bronca por estragarmos os selos da especial coleção de papai. Crianças!

Cambé, terça-feira, 08 de agosto de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





MAMÃE ARTISTA

Mamãe sempre teve uma conduta muito dinâmica. Não ficava parada nem por pouco tempo. Talvez que até fosse hiperativa. Acredito nisso fundamentada na vida doméstica e nas muitas atividades que ela desempenhava mesmo tendo a seus cuidados o marido e seus nove filhos.

E ela não apenas fazia o básico em seu lar, posto que seu trabalho compreendia lavar, passar, cozinhar, costurar, bordar, cuidar dos filhos, cuidar dos animais que criava, plantar e cuidar de suas plantas e arvores, etc.

O excepcional ela fazia de vez em quando: vasos de cimento, forno a lenha com uso de barro e pedras, produzia lindos jardins para suas flores com tijolos em formatos diversos, podava e enxertava suas flores, e por aí iam suas tarefas.

Na costura era onde mais se destacava a nossos olhos, pois era primorosa e perfeccionista: fazia roupas para todos de casa, contudo as das meninas sempre traziam uma graça a mais porque ela dava um toque especial: ora bordava algo nas peças, ora inventava adereços em forma de flores diversas que criava com perfeição deixando os vestidos com sua marca artística.

E também fazia flores de papel. Essas ela fez muito quando chegamos a Cambé. Fazia as flores e coroas para vender no Dia de Finados Sim, ela contribuía com as despesas da casa e com a ornamentação do cemitério fazendo os vasos e as coroas muito bonitos. Mas não se tratavam de flores de papel comum, eram especiais porque ela se esmerava em dar banhos de breu nas suas obras que ficavam tão lindas e transparentes que até pareciam flores de vidro.

De maneira que posso afirmar que mamãe era uma artista nata, pois buscava sempre a perfeição naquilo que fazia.

Cambé, terça-feira, 08 de agosto de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





PRESENÇA DIVINA

Deus está aqui comigo, com você, conosco, enfim.

Seja no canto dos pássaros que, céleres, além de nos brindarem com seus coreográficos voos e cantos maviosos, ainda nos deixam sementes aqui e ali;

Seja no verdor que, à nossa volta, nos fornece o oxigênio essencial à vida;

Seja nas sementes que, fecundas, germinam dando força à tenras folhinhas que anunciam novas vidas;

Seja nos botõezinhos que anunciam a explosão colorida das flores;

Seja no fruto que nasce da flor e que se desenvolve para nos servir de alimento;

Seja nas brincadeiras, latidos/miados/cantos de nossos adoráveis bichinhos de estimação;

Seja na presença bendita de nosso familiar ou de nosso amigo/irmão que enriquece nossa vida e faz nossos dias terem mais cor, mais afeto e mais amor;

Seja na visita bendita que vem nos oferecer um papo franco e amigável;

Seja na ação daquele que nos telefona ou manda uma mensagem desejando um bom dia.

Enfim, Deus se faz presente o tempo todo, em tudo e em todos. Mesmo que não creias!

Bendita seja sua presença!

Cambé, terça-feira, 08 de agosto de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





BELA BOSTA

Pesquisar é coisa que sempre faço quando vou escrever sobre determinado assunto, tanto entre conhecidos como, quando necessário, na Internet.

Dia desses eu conversava com a amiga Terezinha que mora em Abre Campo (MG), sobre a evolução dos pisos. Abordamos desde o “enceramento” do chão de terra batida até os atuais pisos de revestimentos que, cada vez mais lindos, seguem evoluindo sempre com o objetivo de mais e melhor servirem a aparência da casa e para não darem tanto trabalho às donas de casas

Terezinha me contou que ao se casar foi morar na zona rural de São Sebastião da Grota, numa casa com chão de terra batida. Daí o assunto foi se estendendo e eu disse-lhe que minha mãe “encerava” o chão de terra batida que tinha em casa com agua e cinzas misturados, deixando tudo lindo num aveludado tom prateado.

Ela então me falou da sua realidade de “encerar”. Explicou que, no dia da limpeza da casa, ela pedia a um dos filhos que estava em casa para ir coletar bostas fresquinhas. Quando a bosta bovina fresca chegava era misturada com certa quantia de água que, depois de passada no chão, deixava-o tão verdinho tal e qual um veludo italiano. Perguntei-lhe se não fedia e ela negou que ficasse.

Contou-me que toda que tinha fogão a lenha ficava com paredes pretas devido à fumaça.

Ainda, disse do privilégio que tinham para acabar com o pretume deixado pela fumaça do fogão nas paredes: contou que perto da casa dela tinha um deposito natural de argila branca aonde ela própria ia ao lugar e trazia a vasilha cheia. Depois, acrescentava água para amolecer e passava essa argila nas paredes da casa por dentro e por fora. E que a casa de tão linda que ficava, várias pessoas curiosas vinham para conhecer.

Minha cunhada, acrescentou ao assunto que, quando era pequena, sitiantes, fazendeiros e negociantes de bois ou de café de Cambé se vestiam sempre com ternos de linho branco e que uma vizinha usava cozinhar esses ternos (sujos de terra vermelha ou do verde dos capins e matos) numa agua fervente onde colocava bostas de gado que os desencardiam até chegarem à brancura total. Acrescentou, ainda, que na zona rural se usava a bosta de gado seca para acender e manter o fogo aceso.

Hoje, conheço agricultores familiares que utilizam a bosta bovina como adubo nas plantações e outros, ainda, que acendem fogo no fogão a lenha com elas já secas.

Por todas suas utilidades é que esse excremento nomeia esta crônica antecedido do qualitativo bela devido às suas diversas utilidades.

Cambé, segunda-feira, 26 de abril de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





ANUNCIAÇÃO

Em meu quintal existem muitas anunciações: são os botões de florezinhas que, de todos os tamanhos, cores e formas diferentes - porque há muitas frutíferas ali – comunicam frutos da temporada vindoura.

É o mamoeiro todo exibido, a desvelar seus frutos lá dentro das flores; é a amoreira preta cheia de róseas florzinhas e - dentro delas os nascentes frutos; a amoreira silvestre exibindo as minúsculas amorinhas (cujas flores jamais ví); a arvore que dá atemóias se enchendo de “balõezinhos” floríferos à espera de insetinhos polinizadores; a frutífera que nos fornece a uvaia pronta para explodir de tantas flores; lá o abacaxizeiro a mostrar seu fruto já grandinho, é a pitangueira roxa em sua primeira floração; são os tomateiros apresentando sua amarelas e delicadas florinhas que serão muitos frutos; são as cebolinhas e salsinhas oferecendo seus fartos “buquês” de sementes, enfim, é a Natureza teimosa comunicando, que mesmo sem chuvas há algum tempo, a terra esbanja riqueza de produtos destinados a nos alimentar.

Contudo, para que tudo isso aconteça, precisamos, antes de tudo, preparar a terra, isto é, deixa-la limpa, fazer buracos necessários, revolver a terra e, após colocar adubo, misturar, nivelar a superfície e regar. Só então é que aninhamos as sementes.

Depois desses passos citados, é continuar cuidando, para que a semente nasça, cresça, floresça, fique adulta e dê frutos. Porque o produto é muito bem-vindo, no entanto inúmeros cuidados são necessários até que a planta fique adulta e realize seu objetivo de frutificar. É aguar, fertilizar, colocar manipueira, chegar terra nos pés das plantas, adubar, podar, retirar folhas e galhos secos, eliminar ervas daninhas, etc. Um sem número de ações até que a planta cumpra sua finalidade e nos devolva a paga de todo nosso cuidado.

Todos esses procederes valem a pena porque a anunciação da paga é visível e gratificante. E que dizer da colheita então!

Em Carta, Caminha anunciava à corte a fertilidade das terras brasileiras numa frase que pode ser substituída, hoje, por “Cuide da terra, adube, semeie, regue, etc. e terás boa colheita”. Todo agricultor sabe disso muito bem.

Essa experiencia é interessante e valiosa porque nos ensina que há tempo para tudo, como descrito na Bíblia em Eclesiastes 3:2. Assim é que as que vejo anunciações me lembram que haverá tempo de farta colheita.

Cambé, quarta-feira, 10 de maio de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





ANTECESSORES

A modernidade, com respeito aos mais velhos, está cada vez mais malvada e tem influenciado as crianças de maneira negativa. É um tal de tratar os idosos pelos nomes de “cara”, “mano” “veio/a”, etc. Por outras vezes, referem-se a eles como quem “não sabe nada”. Dizem, ainda, que ele é “demente”, “gagá”, “caduco/a” e outras formas desrespeitosas que se presencia em contextos diferentes de nossa sociedade, seja ela micro ou macro.

Apesar da influência nefasta da modernidade, crianças, jovens e idosos são muito importantes. Os dois primeiros porque são o futuro do mundo, já o idoso por ser um poço de conhecimentos a serem - AINDA - explorados.

Os japoneses e chineses prezam muito a forma como deve ser tratado um individuo idoso, seja ele quem for, pois a cultura desses países encara o idoso como detentor de sabedorias várias e, por isso mesmo, merecedor de respeito.

Por isso é que nessas sociedades, o idoso é tratado com dignidade e respeito tal que, em caso de problemas diversos, os anciãos são consultados pelos mais jovens que sempre ouvem e admiram as experiências de seus idosos.

O fato de, no Brasil, as pessoas em geral não tratarem com dignidade, respeito, admiração e amor seus idosos, não resulta apenas da falta de cultura e do aprendizado daqueles valores que japoneses e chineses têm para com o trato de seus idosos.

Quer parecer que o mau tratamento dispensado aos idosos no Brasil deve-se, em larga escala, à educação familiar que os pais nascidos a partir de meio século atrás difundem. Isso porque, eles tiveram esse tipo de educação respeitosa e, não apenas para com idosos, mas com todas as pessoas mais velhas que eles. Ocorre que, receberam e parecem não haver valorizado tais aprendizados e exemplos que tornariam suas convivências e suas vidas (em todos os níveis) bem mais fáceis, de modo que não repassaram essa educação a seus filhos.

Sem generalizar a questão, os idosos são tratados com descaso, desrespeito e até como pessoas inúteis em nosso país. E isso é triste.

Pena! Estão perdendo a Sociedade e a instituição Família, hajam vistas ao fato de que toda ação gera uma reação. E uma coisa é certa, se pessoas (jovens ou crianças) tratam de forma indigna e desrespeitosa seus idosos, amanhã seus pais é que serão tratados dessa forma, o que está de acordo com o ditado “mais vale um bom exemplo do que mil conselhos”.

Cambé, quinta-feira, 07 de janeiro de 2021- Marina Irene Beatriz Polonio





ALIMENTOS NOSSOS DE CADA DIA

Houve longo tempo em que os alimentos consumidos pela nossa família, de modo geral, tinham como mistura animais. Morávamos no sítio e tínhamos muitos deles à disposição.

E comíamos: capivara, rãs, pombos, galinhas, coelhos, cabritos, porcos, carneiros, gansos, marrecos e até lagarto.

Capivara nós comemos porque uma delas caiu num buraco próximo a nossa casa. Então, papai e vizinhos foram tentar salvá-la, mas ela estava com duas pernas quebradas, pelo que resolveram matá-la e dividir as carnes. Deliciosa a carne desse animal e, bendita a banha que, poderosa, todos guardavam para tratar certas doenças.

Comíamos rãs também. Meu pai e vizinhos as caçavam-nas à noite e, no outro dia, sabíamos que íamos ter essa iguaria no almoço. A carne de rã, além de saborosa é considerada uma cara e rara iguaria. Tanto assim que, desde algum tempo atrás, existem ranários (criadouros de rãs) no Brasil.

Outro animal que comemos foi o lagarto, muito utilizado no consumo humano e cuja carne achamos mais gostosa que a das galinhas. Mas esse foi meu irmão que achou no mato ao fundo da nossa casa e trouxe.

Mamãe e papai tinham, além de galinhas e coelhos, criadouro de pombos. Esses bichos eram muito bem cuidados e tratados, assim como o eram o galinheiro e os demais lugares reservados aos animais.

Entre todos os animais criados e mantidos no quintal de casa havia a cabra, que para além de suas carnes, abastecia com leite as necessidades de amamentação dos pequenos.

Já os porcos, por ser muita a carne de cada um, nossos pais a fritavam e colocavam mergulhadas em banha derretida, guardadas numas latas de 20 litros cada.

Os gansos, comíamos assados em datas importantes, do mesmo modo que os marrecos. Esses animais além de nos darem sua carne, nos davam ovos e até suas penas, as quais serviam para feitura de travesseiros e acolchoados.

E nenhum de nós da família refugava a carne deste ou daquele animal.

À época, meu pai e os meninos maiores pescavam também. De modo que, os pescados eram outra fonte de proteínas a complementar o arroz/feijão e as saladas daqueles dias.

Quanto à carne de carneiro, lá de vez em quando, num evento maior como Natal, Ano Novo ou aniversário de alguém, tínhamos um cordeiro à mesa.

De maneira que tínhamos muitas proteínas e nutrientes a darem sabor maior à nossa variada e rica alimentação.

Cambé, quarta-feira, 10 de maio de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





SEMPRE APRENDENDO

Gosto muito de escrever. Sempre escrevi desde cedo e por gosto. Para mim a escrita sempre envolveu conhecimento e registro do que penso e sinto. No entanto, houve época, bem lá no comecinho, que envolveu, além da vontade e interesse por aprender, a motivação e necessidade financeira.

De modo que posso airmar que meu gosto pela escrito se firmou muito mais por necessidade, já que em minha pré adolescencia, querendo ganhar algum dinheirinho só meu eu já me propunha a fazer redações e trabalhos para colegas de sala.

Primeiramente segui os principais ensinamentos aprendidos na escola, o de que as redações deveriam ter inicio, meio e fim.

Mas isso não me bastou porque, as vezes eu tinha que fazer mais de uma redação com o mesmo tema e não poderia cometer erros ortográficos naqueles escritos.

Aqui cabe colocar, e muito oportunamente, que a necessidade é mãe da criatividade. E foi isso mesmo que aconteceu comigo, pois quando eu tinha mais de que uma redação a fazer, eu redigia uma matriz. Devo ressaltar que o habito de utilizar o dicionário foi um componente básico excepcional a enriquecer meus escritos.

Depois da primeira realizada, eu elaborava uma lista com as palavras-chave contidas nela e, fazendo uso do dicionário eu listava todos os sinonimos das palavras importantes contidas na primeira.

O proximo passo era elaborar começos/meio/fins diferentes para cada uma. E isso, modestia a parte, eu não tinha receio de fazer e, quanto mais fazia, melhor eu fazia!

Quanto ao estilo da escrita, eu conseguia muito bem variar conforme o nivel intelectual da pessoa que fez o pedido Isto significa dizer que eram personalizados. Isso significa dizer que, caso o vocabulário da pessoa fosse pobre, pobres seriam as palavras usadas, ocorrendo o mesmo em caso inverso.

Depois dos primeiros textos prontos, eu os colocava à minha frente para análise. Depois dessa avaliação, caso necessário, eu adicionava ou suprimia um ou outro elemento.

Dos inicios, meios e fim delas eu também cuidava muito. Algumas vezes, eu tinnha que reestruturar alguns textos no que diz respeito a ajustá-los ao linguajar corriqueiro da escrita da pessoa, como relatado acima.

Graças a essa metodologia que criei, aprendi a fazer boas redações e, de quebra, enriqueci muito o uso que eu fazia dos dicionários adquirindo maior gosto por faze-lo, afinal, meu conhecimento e linguajar também enriqueciam com essas práticas.

Por todo o exposto é que que ainda hoje conservo a fundamental utilização dos dicionários que, na Internet, tenho à disposição.

Tanto foi assim que, objetivando escrever cada vez melhor, fui me esmerando nos meandros da escrita o que acabou me encaminhando ao oficio de escritora, o que realizo até hoje muito à vontade, sem preguiça, sem receios e com muito gosto. Sendo este o relato de como aprendi a complementar o aprendizado da escola ao sistematizar o método de elaboração de redação, fato que tem servido plenamente aos objetivos dos meus escritos.

Cambé, quarta-feira, 10 de maio de 2023 - Marina Irene Beatriz Polonio





O DONO DA BOLA

Esta é a história de um garoto que, como tantos outros garotos das várzeas da época, gostava demais de jogar futebol. E gostava tanto que aspirava até ser jogador profissional no futuro.

Mas, digamos que a turma das peladas que o tinham como colega de jogo considerava que ele não jogava muito bem. Tanto que lhe deram o apelido de Canela, apelido que o acompanhou por toda sua vida.

Por sua falta de eficiência no jogo com bola, tantas vezes deixavam-no no banco de reserva ou, ainda, escalavam-no quando não havia mais ninguém para as substituições... E tudo caminhava dessa forma, sendo que tais critérios perduraram por muito, muito tempo. E, bem ou mal, o Canela ia participando.

Quando o time ia para o campinho, aquele terreno baldio “escolhido” porque era perto e estava à disposição deles, o time de jogadores amadores, entusiasmado, previamente se preocupava com as camisas. E era um tal de, que cor de camisas vamos usar?, quem tem e quem não tem? Se não houvesse acordo no quesito camisa, um time ia uniformizado e o outro “pelado”. Simples assim.

Havia outros probleminhas corriqueiros como: de chuteira ou descalço etc. Pequeno problema que era resolvido na racionalidade e “unanimidade”: “vamos descalço mesmo gente”. (Registro que, chuteira, à época, era produto caro e raro).

De modo que todos cuidavam de organizar e pensar em todos os detalhes, até no que diz respeito ao time adversário. Era assim a união daqueles aspirantes sonhadores.

Mas o maior problema que o time enfrentava mesmo era se faltasse a bola para jogar. Porque já teria havido tantos dias em que não puderam jogar por falta da gorduchinha. E isso causava imensa tristeza e decepção a eles.

Às vezes eles se safavam do problema de não ter uma bola emprestando uma de vizinhos adultos. Porém isso era muito difícil porque os adultos alegavam que o time poderia esfolar, rasgar ou estragar o valioso símbolo do futebol. Houveram, também, casos em que bolas não foram emprestadas porque seus donos iriam jogar com seus amigos no mesmo dia da pelada. E assim o time ia jogando quando podia.

Ocorre que, certo dia o Canela ganhou uma linda bola de futebol. Toda em couro. Cheirando a nova. Bonita. Redondinha, redondinha. E foi a partir de então que a história do time e do Canela mudou completamente. O Canela passou a ser muitíssimo bem recebido nos dias de pelada. Adulavam-no. Escalavam-no. E tudo corria bem.

Corria bem vírgula, porque se o Canela incorresse em alguma jogada errada ou equivocada, os jogadores do time logo queriam expulsa-lo do jogo. Digo queriam porque, caso o Canela saísse do jogo, ele levaria sua bola e o jogo terminaria. Então, o técnico, primeiro dava uma bronca no Canela e, recomendando isto ou aquilo, lhe implorava para voltar ao jogo. Voltavam a redondinha e o dono dela. Alivio para todos que esqueciam de tudo mais e voltavam a jogar felizes da vida.

Cambé, sexta-feira, 23 de setembro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





ALIMENTOS NOSSOS DE CADA DIA

Houve longo tempo em que os alimentos consumidos pela nossa família, de modo geral, tinham como mistura animais. Morávamos no sítio e tínhamos muitos deles à disposição.

E comíamos: capivara, rãs, pombos, galinhas, coelhos, cabritos, porcos, carneiros, gansos, marrecos e até lagarto.

Capivara nós comemos porque uma delas caiu num buraco próximo a nossa casa. Então, papai e vizinhos foram tentar salvá-la, mas ela estava com duas pernas quebradas, pelo que resolveram matá-la e dividir as carnes. Deliciosas as carnes desse animal. Bendita a banha que, poderosa, todos guardavam para tratar certas doenças.

Comíamos rãs também. Meu pai e vizinhos as caçavam-nas à noite e, no outro dia, sabíamos que íamos ter essa iguaria no almoço. A carne de rã, além de saborosa é considerada uma iguaria, de tão deliciosa que é. Tanto assim que, desde algum tempo atrás, existem ranários (criadouros) no Brasil.

Outro animal que comemos foi o animal lagarto, muito utilizado no consumo humano e cuja carne achamos mais gostosa que a das galinhas. Mas esse foi meu irmão que achou no mato ao fundo da nossa casa e trouxe.

Mamãe e papai tinham, além de galinhas e coelhos, criadouro de pombos. Esses bichos eram muito bem cuidados e tratados, assim como o eram o galinheiro e os demais lugares reservados aos animais.

Entre todos os animais criados e mantidos no quintal de casa havia a cabra, que para além de suas carnes, abastecia com leite as necessidades de amamentação dos pequenos.

Já os porcos, por ser muita a carne de cada um, nossos pais a fritavam e colocavam mergulhadas em banha derretida, guardadas numas latas de 20 litros cada.

Os gansos, comíamos assados em datas importantes, do mesmo modo que os marrecos. Esses animais além de nos darem sua carne, nos davam ovos e até suas penas, as quais serviam para feitura de travesseiros e acolchoados.

E nenhum de nós da família refugava a carne deste ou daquele animal.

À época, meu pai e os meninos maiores pescavam também. De modo que, os pescados eram outra fonte de proteínas a complementar o arroz, o feijão e as saladas daqueles dias.

Quanto à carne de carneiro, lá de vez em quando, num evento maior como Natal, Ano Novo ou aniversário de alguém, tínhamos um cordeiro à mesa.

De maneira que tínhamos muitas proteínas e nutrientes a darem sabor maior à nossa variada e rica alimentação.

Cambé, sexta-feira, 23 de setembro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





EU SEMPRE QUIS VOCÊ

Nasci nove anos depois de minha irmã mais velha. Quando nasci, ela estava com apenas 9 anos. Estava no fim da segunda infância e início da terceira que é considerada, por alguns estudiosos, a faixa etária que vai dos 6 anos até os 12 anos.

Desse período ela lembra que já havia desenvolvido uma maneira de pensar focada em seus objetivos, os quais estavam postos na expectativa que rodeava meu nascimento.

Ela já entendia que a gravidez de mamãe tinha como consequência o nascimento de uma criança. À época, a medicina da cidade, não oferecia condições de saber o sexo da criança, mas minha irmã já ansiava, ardorosamente, ter uma bebezinha.

Ela tinha desenvolvidas sua: independência, inteligência e responsabilidade. Falo da responsabilidade porque ela tinha seu papel familiar de ajudar mamãe no cuidado com os irmãos e com as tarefas da casa.

Considero que, porque estivesse mudando da fase menina para adolescente é que se preocupasse em ter um bebê para exercitar seu afeto. Ela me relata que já não via a hora do nascimento do nenê.

Enfim chegou o dia do meu nascimento e minha irmã se alegrou demais pelo neném ser menina. Seria sua “bonequinha”. E foram momentos de tanto gosto, emoção e prazer que a levaram a, autonomamente, pedir a mamãe que deixasse que ela escolhesse meu nome.

Mamãe consentiu e ela escolheu para mim o nome Marina, que gosto muito porque me lembra que nasci à beira mar. Minha irmã pulava de tão feliz.

Pelo carinho, afeto e cuidados que dispensa a mim, ela se assemelha a uma segunda mãe para mim.

Quando falamos sobre meu nascimento ela declara “eu sempre quis você”. Sou feliz por esse amor fraternal e agradeço a minha muito e amada irmã.

Cambé, sexta-feira, 23 de setembro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





QUANDO O INCIDENTE VIRA ACIDENTE

Aposto que você desconhecia que incidente é qualquer ação que não gere danos. Já acidente é exatamente o contrário, ou seja, causa danos.

Estou deixando clara essa diferença porque, dias atrás, um técnico de fogão, ao tentar consertar uma boca de meu fogão com mesa de vidro, no transporte dessa peça, trincou-a. Foi um incidente.

Contudo, depois de consertada a tal boca, fiquei cozinhando com a mesa de vidro trincada enquanto o técnico esperava chegar a mesa de vidro que pediu à fábrica. Continuei cozinhando ali porque o técnico não me avisou as consequências e riscos desse uso.
Isso ocorreu nos primeiros dias de julho deste ano (2022) e continuei usando meu fogão pelos dois dias subsequentes que foi quando o incidente se tornou acidente.

Acontece que, ao cozinhar usando três bocas, o fogo esquentou o canto quebrado fazendo o trincado se abrir partindo-se, o fogão, em N pedaços. Foi um estrondo de tal magnitude que me deixou, emocionalmente, temerosa e muito assustada. E o vidro continuou a se partir até dar a volta no vidro todo. Quando terminou a volta, aconteceu de explodir o centro do vidro, provocando um buraco.

Nervosa, fiquei sem ação porque não sabia como agir ou o que fazer, mas precavida, permaneci longe do fogão até terminarem os estalos do vidro que duraram mais de hora.

Isso aconteceu na hora do preparo do jantar. De modo que, para me acalmar, depois de todo o acontecido me comuniquei com três amigas, das quais apenas duas delas conseguiram me acalmar um pouco. Uma dessas, inclusive, me convidou para jantar com ela e, lá jantando, me ofereceu um fogão emprestado, o qual estou usando até hoje pois a mesa de vidro encomendada pelo técnico ainda não chegou, sendo que já passaram mais de dez dias.

Os danos a mim causados pelo acidente é que estou cozinhando na varanda da minha casa. É um tal de levar panelas, utensílios e alimentos que, depois de prontos, tenho que fazer o caminho inverso. Que situação!

São danos que, a quem não passou por tal situação, parecem pequenos. Todavia, tornam-se grandes na medida em que tenho de me preocupar com o que vou preparar incluindo almoço e jantar porque assim economizo as inúmeras idas e vindas; a questão do vento que a varanda permite que, além de aumentar o tempo de fazimento da comida, ainda, me causou tremendas dores de ouvido e cabeça e gasto exagerado de gás.

São danos (emocionais, físicos etc.) que não se medem. Já tive um resfriado por conta do frio na varanda, também já tive uma gripe porque houveram alguns dias de temperaturas muito baixas ultimamente.

Ligando para o técnico e, logo após, para a empresa onde foi comprada a mesa de vidro, recebi a resposta de que nesta semana ele chega. Tomara. Fico na fé porquê o técnico apenas fez uma foto do fogão que ele trincou e nada mais. Será que o tamanho será acertado? Esta é minha dúvida maior depois de quase completar um mês do ocorrido incidente que se tornou acidente.

Hoje, 24 de agosto, perfazendo um mês de espera, o técnico trouxe e instalou o fogão com a nova mesa de vidro. Que perrengue!

Cambé, sexta-feira, 23 de setembro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio

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RÁDIO

No dia 07 de setembro de 1922 ocorreu a primeira demonstração pública da transmissão de radiocomunicação no Brasil. Nesse dia os cidadãos puderam ouvir o discurso do presidente Epitácio Pessoa, além de trechos da Ópera “O Guarany” de Carlos Gomes. Portanto, estamos comemorando o centenário do rádio no Brasil.

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Afirmam que quem inventou o rádio foi o italiano Guglielmo Marconi e que ele chegou ao Brasil em 1923. Contudo, parece que essa invenção teve alguns outros inventores a contribuir para sua realização. Um deles, um brasileiro, ficou relegado ao esquecimento por não ter tido dinheiro para custear sua invenção.

Polemicas históricas à parte, a existência do rádio aqui no Brasil é comemorada a 23 de setembro, data de nascimento do carioca Edgard Roquette Pinto que foi o fundador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, hoje Rádio MEC. Registro que, mundialmente, seu dia é comemorado a 13 de fevereiro.

O papel do rádio é fundamental porque traz comunicação rápida aos ouvintes. Hoje, esse veículo de comunicação tão querido nos serve, também, na forma digital. Mostra de que está sempre evoluindo.

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Companheirão de muitos momentos e eventos familiares, ele chegou em nossa casa na década de 60. Papai comprou um com caixa de madeira amarela, com base reta e que, em cima, tinha cantos arredondados. E ele foi colocado num suporte que ficava no corredor próximo à cozinha. Bonito e importante que ele só, nos deixou encantados.

Tanto que papai, ao chegar em casa, jantava e depois ouvia o programa Hora do Brasil. Em dias de jogo, ele ouvia a narração com os ouvidos colados no rádio.

Mamãe ouvia – e até cantava - a boa música brasileira, de consagrados cantores nacionais, que era transmitida. E alí mesmo, na cozinha, nos ensinava a dançar. Fazíamos um círculo e ela, ao centro, dançava e ensinava a nós os passos, informando se a música era valsa, xote ou outra e, até os nomes delas nos informava.

Os jovens da família, gostavam de ouvir cantores estrangeiros: The Platters; Bill Halley and his Comets; Domenico Modugno; Elvis Presley e tantas outras mais. Nós, mais pequenos, já pegamos mais as décadas de 70/80 e gostávamos de ouvir: Beatles, Elvis, Rita Pavone, Roberto Carlos, Ray Charles, etc.

Atenção: apenas mamãe e papai podiam mexer na “estrela” da casa que nos causava emoções várias.
Lembranças de momentos históricos apaixonantes e mágicos.

Cambé, sexta-feira, 23 de setembro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





CIENTISTA, UM SER QUASE ANÔNIMO

As diferentes vacinas previnem e erradicam muitas doenças e, assim é que reduzem a mortalidade de incontáveis pessoas.
Esta afirmação que faço vem da certeza e da fé que credito aos trabalhos realizados pelos cientistas mundo afora. Não fora o especial trabalho cientifico e, ainda hoje, teríamos muitas mortes de crianças e adultos.

Dia desses ouvi a seguinte frase: “(Aquele casal) não tomou nenhuma das vacinas contra a COVID e nem contra a Influenza.” Atônita questionei a atitude radical dos citados e recebi a seguinte resposta: “...não acreditam em vacinas!”.
Meu pensamento foi de que eles podem não acreditar na eficiência das vacinas hoje porque isso lhes convêm. No entanto, as coberturas vacinais de seus filhos, que hoje têm entre 26 e 18 anos de idade, foram completadas a contento, hajam vistas estarem vivos e saudáveis.

Vacinas são tão importantes a ponto de se tornarem uma questão de saúde pública. E digo mais, viemos de uma geração que vacinava seus filhos e por isso estamos aqui agindo no sentido de não permitir que algumas doenças voltem a acometer nossos filhos, netos e conhecidos. Não temos o direito de negligenciar a saúde e a vida de ninguém!

Louvo o trabalho dos cientistas que, silencioso e quase anônimo, é essencial para a continuidade da Humanidade. Estudam, pesquisam, criam: medicamentos, tratamentos para doenças, eletricidade, produtos os mais variados e andam até investigando a possibilidade de vida no espaço e além...
Em todas as áreas estão sempre à procura de soluções e aprimoramento, isto é, não param de estudar, pesquisar e descobrir.

Focado na promoção do bem-estar da população é que o cientista garante maior chance de cura, de recuperação ou de minimização dos males que acometem os doentes. Todavia, os trabalhos de um cientista não se atêm apenas à área da Saúde, tão essencial são à vida humana.

Atua, também, na criação de inúmeros produtos: comerciais, industriais, alimentícios, de beleza, em laboratórios etc. e em Universidades. Isto é, atua em quase tudo que vemos e que nos cerca (e até no que não vemos), nas invenções tecnológicas que temos à disposição atualmente e naquelas de nosso futuro.
Pelo inestimável serviço e milhares de avanços que nos proporcionam e proporcionarão ainda, todos os cientistas merecem nossa grande admiração, respeito e gratidão.

Cambé, sexta-feira, 23 de setembro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





AINDA ONTEM ESTIVE LÁ

Minha irmã Ione me cobra escrever sobre o fato de mamãe contar histórias de modo tão diferenciado e incomum. O resultado é esta crônica.
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Mamãe tinha pouco estudo. Todavia, tinha bons conhecimentos nas áreas psicológica e didática, os quais advinham, creio eu, de sua abertura para o novo e de suas experiencias de vida. Afirmo isso porque ela tinha habilidades características e singulares para contar histórias para nós. Seus método e técnicas sempre nos apresentavam direções novas e surpreendentes quando contava as histórias infantis clássicas. Havia, sempre, um quê de novidade no ar. Era uma expectativa deliciosa, aguardarmos cada contação. Pode-se dizer que tínhamos fome de ouvir!

Com Dona Florinda não víamos o conto de fadas estático, mas como um mundo em processo.
A cada dia ela nos brindava com um conto que, a despeito de ser antigo, fosse curto ou longo, alegre ou triste, trazia um sentido a cada um de nós, seus pequenos ouvintes.

Ela fornecia à nossa imaginação, os adubos da motivação e da expectativa e, com essa adubação fértil, provocava nossa empatia com os personagens, legando-nos a ação da reflexão sobre as atitudes dos personagens e, com isso aprendíamos, também, o modo justo de agirmos nos processos dinâmicos da vida.

Então, nossa herança cultural e literária era individual para todos porque dependia de cada consciência. Era assim que aprendíamos a diferenciar o Bem do Mal, assimilávamos lições e modos corretos de agir, portanto, qual reagíamos, individualmente, à riqueza do conto narrado por ela.
Ela nos iniciava na literatura ao mesmo tempo que nos apresentava modificações para os finais das histórias que contava. Além de nos preparar com grande conhecimento e riqueza, de maneira emocional e conscienciosamente, para enfrentarmos a vida.

Ela agia assim: contava a história como ela era e, quando estava para terminar a história, mamãe mudava os finais adaptando-os a nosso entendimento e à realidade de nosso entorno. Acrescentava, no final da história contada, um pouquinho de sua liberdade individual e de sua criatividade literária quando falava: “ainda ontem estive lá”.

Assim que dizia tal frase ela acrescentava vários elementos. Se fosse história de príncipes ela dizia, após a frase emblemática, falei isso e aquilo com o príncipe e a princesa, eles mandaram lembranças a vocês. No caso da história do Sapo e a festa no céu, após a frase simbólica de sua autoria, nos dizia que o sapo e sua família estavam vivendo em certo lugar e que pediam que os visitássemos para tomar um chá. No caso da Gato de Botas, quando ela adentrava a história, contava-nos que o bichano estava viajando com sua bota por lugares inimagináveis... E fantasiando sempre, deixava sua imaginação cativante e rara nos influenciar a, também, fazermos usos de nossas imaginações.

Ela criava muitas estratégias de motivação e as coroava com atitudes de contação de história em que sentíamos grande prazer, pois sabíamos que de uma próxima vez em que a história fosse contada por ela, depois do momento em que ela se colocava dentro da história, nós tínhamos certeza de conhecer novas falas e atitudes dos personagens com respeito a nós, ouvintes e apreciadores. Tudo muito convidativo requintado de modo a nos envaidecer.

Tudo se fazia tão mágico, tão interessante e distinto, que causava surpresa. Por isso é que nenhum de nós se furtava de ouvir uma mesma história algumas tantas vezes, porque o "gran finale", isso era certo, sempre nos surpreendia e encantava.

Tudo isso fugia muito da pedagogia e da didática tradicionais que conheço, já que aconteceu há algumas décadas.

Era tão boa aquela iniciação à literatura e à vontade de saber ler e escrever que, incondicionalmente, nos encaminhava para o inesperado, para a liberdade de criar e para o prazer que nos mantinha ligados, sem esforço algum, aos processos diversos da audição das histórias que ela contava.

Obrigada mamãe por cativar nossos sentidos enquanto que, ao mesmo tempo, nos abastecia com a vontade de aprender através de privilégios tão enriquecedores como o traquejo didático e a magia da encantadora “ainda ontem estive lá”.

Cambé, quarta-feira, 14 de setembro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





A ESPINHOSA CAMINHADA DE UMA MÃE


A maternidade é um direito feminino. Trata-se de uma experiência única que mãe e filho passarão juntos, e porque cada qual está aprendendo com o outro, nem tudo são flores.

Simplificadamente, alguns dos tantos espinhos são:
Mãe é uma criatura abençoada que pensa mais em seus filhos do que em si mesma. Sim, porque os filhos são o bem mais precioso para ela. As tarefas de uma mãe, seja biológica ou não, são doloridas porque seu coração sofre a cada vez que vê os filhos infelizes. Ela se doa aos filhos e os ama incondicionalmente. Por essa entrega e amor personifica um anjo de guarda lutando corajosamente para protegê-los e bem educá-los.

Perdoar os filhos é o que ela mais faz tal como Jesus pregou. E na educação e disciplina diárias, quem sofre mais quando os filhos estão sendo punidos por algo de errado que fizeram, não são eles, mas sim ela.

E mais, é com dor no coração que ela deve dizer Não aos filhos para que aprendam que nem tudo que se deseja ter ou fazer é correto; interpreta se os filhos estão bem só observando seus olhares, comportamentos, gestos e falas, mesmo que eles afirmem estar tudo bem. E a cada sofrimento dos filhos, seja pelas doenças corriqueiras ou não, na formação do caráter, nas mazelas de seus casamentos, nas adversidades da vida, nos caminhos profissionais, na luta cotidiana para criarem e educarem os seus netos, ela é quem sofre, chora e ora, todos os dias, para que seus filhos ajam sempre com justiça, amor cristão e que sigam sempre o caminho do Bem.

Eis alguns dentre os múltiplos desafios da difícil missão de ser mãe.

Cambé, quarta-feira, 16 de Agosto de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





VIVAS ÀS MULHERES CONTEMPORANEAS

As mulheres de hoje, sejam solteiras, casadas ou que tenham outra condição, diferem das mulheres de outrora porque já adquiriram muitos direitos e têm diversas atitudes que derivam dos conhecimentos obtidos e do empoderamento que construíram sobre e para si mesmas. Por isso é que elas, de modo geral, diferem de suas antepassadas avós, mães, tias etc.

As mulheres de hoje sabem o que querem, sempre verbalizam o que desejam, cobram seus direitos, buscam manter intactos os sonhos que têm, se impõem, buscam sua independência, trabalham, estudam, buscam um bom relacionamento com o próprio corpo, não se limitam pela idade que têm, apresentam orgulho de dons e capacidades que lhes são inerentes, têm projetos pessoais, são fortes, não se vergam diante de quaisquer situações. E têm, ainda, características pessoalíssimas que lhes trazem segurança, altivez e dignidade.

Portanto, elas estão mais conscientes dos seus direitos econômicos, sociais, culturais, pessoais e, ainda, mantêm sempre o desafio de verem seus desafios resolvidos de forma independente.

De modo que, neste dia 8 de março de 2022, quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, demos vivas a todas as mulheres contemporâneas por estarem sempre caminhando rumo a novas conquistas em todas as áreas.

Cambé, quinta feira, 24 de fevereiro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





A UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA

Em outubro de 2021 a UEL comemorou Jubileu de Ouro.

Para minha pessoa é fácil falar dela porque tive o privilégio de ingressar em graduações oferecidas alí por duas vezes: décadas de 80 e 90. Contudo, frequentei a UEL por muitas outras vezes em busca de enriquecimento para minha formação profissional e também pessoal.

O objetivo primeiro da UEL, que era formar profissionais qualificados para a demanda da cidade, se estendeu tanto e se modernizou que está completando 50 anos de existência muito mais estruturada e capacitada para o enfrentamento do futuro no tocante a áreas do conhecimento oferecidas em cursos de graduações e pós, mestrados, doutorados e, ainda, na produção de pesquisa científica e extensão comunitária.

São tantos órgãos e institutos que a instituição disponibiliza à comunidade ao ponto de encontrar-se bem cotada na lista das melhores do país, inclusive com reconhecimento internacional.

Alguns desses órgãos e serviços de cunho cultural, educativo e social, a maioria das pessoas da região Norte do Paraná conhece. Para quem não conhece listo alguns: Pronto Socorro Odontológico (já usei num domingo), Hospital Universitário (lá eu doava sangue), Hospital Veterinário, Casa da Cultura, Casa do Estudante, Cine Teatro Ouro Verde, TV Cultural e Educativa, Livraria, Editora, Orquidário, Museu Padre Carlos Weiss, Centro de Tecnologia e Urbanismo, Planetário (eu, professora, levava meus alunos), RU (fiz muitas refeições nele), Fazenda Escola, Orquestra Sinfônica da UEL, Centro de Língua Estrangeira Moderna - CELEM (participei por alguns anos) etc.

Há, ainda, a Rádio UEL FM, da qual sou ouvinte assídua e que, para meu deleite traz a boa música brasileira e, ainda, o contexto em que foram criadas o que considero muito bom.

E o que falar do campus? Nele pude conhecer e frequentar a Capelinha, tanto para meditar quanto para orar por várias razões.

Os gramados, a limpeza cuidadosa dos jardins e ruas, as arvores das mais diferentes espécies e a jardinagem, de modo geral, impactam e surpreendem agradavelmente porque apresentam harmonização num mar de verde que traduz seu ideário de sustentabilidade. Alí encontramos o bosque de perobas nativas e plantadas (arvore símbolo da UEL), plantas e flores em profusão, grande quantidade de frutíferas (das quais tive a oportunidade de saborear muitos tipos de frutos) e uma fauna natural. Há muitas naturezas convivendo naquele amplo espaço que serve ao conhecimento.

Por tudo que ofereceu e oferece a UEL merece nossa gratidão. E que venha o centenário!

Cambé, quinta feira, 24 de fevereiro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





GARNIZÉS

Garnisé é um tipo de galináceo que tem tamanho bem menor do que o das galinhas que a maioria das pessoas conhece.

São conhecidos, também, por outros nomes como: galisé, galiré, galinha-anã, galinha-miniatura etc.

São aves de penas com beleza sem igual que, por serem lindas e multicoloridas, as pessoas gostam tanto dessa espécie que as usam até como peças decorativas em sítios, chácaras e fazendas.

Asseguro que são fáceis de criar. Posso afirmar isso em razão de que meus pais criavam esse tipo de galinha, bem como aquelas vermelhonas chamadas Rhodes e as mais comuns também.

Mas, hoje nosso foco estará nos garnisés.

São aves fáceis para procriar e para alimentar, trazendo muitos benefícios aos seus criadores: por serem pequeninas e, portanto, ocuparem pouco espaço; por gostarem de se alimentar com restos de comida e de vegetais e, inclusive, por deixarem o quintal livre de ervas daninhas ao se alimentarem de insetos como aranhas e formigas.

Uma alerta a quem queira criar essas aves é que, as poedeiras costumam botar seus ovos nos mais inimagináveis lugares. Assim que se passem os vinte e um dias do choco, as mães aparecerão desfilando seus muitos filhotes. Para os criadores isso é benefício.

Devo acrescentar que, quando bem cuidadas, as garnisés vivem até mais de duas décadas.

Essas miniaturas de galinhas, além de muito admiradas pela beleza de suas plumagens, também são admiradas pelo pequeno porte e pelos cantos que emitem, os quais são diferenciados das demais galinhas. Os tons dos cantos, diferentes entre uma e outra da mesma espécie, são belos e agradáveis. Quem conhece logo se apaixona por elas.

Discorro detalhadamente sobre essas mini galinhas porque, há poucos anos, nossos vizinhos compraram algumas delas. Madrugadinha e o galo garnisé nos acordava com seu bonito e sonoro canto.

E não demorou muito para a "turma do deixa disso" reclamar que o galinho cantor abreviava seus períodos de sonos e ofendia seus sensíveis ouvidos. Depois de muitas reclamações os donos não tiveram outra atitude a tomar senão desfazer-se de suas amadas aves.

Pobrezinhos, ficaram muito chateados e tristes por longo tempo.

Cambé, quinta feira, 24 de Fevereiro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





AVE MARIA

Um fato que veio aguçar minhas lembranças de menina, foi minha amiga Carolina ter-me enviado um áudio da música "Ave Maria", cantada em italiano pelo rei Roberto Carlos.

Me emociono demais quando ouço essa música. Seja tocada ao piano ou mesmo por corais e orquestras; ou com quais arranjos seja tocada e, no caso de ser cantada, seja com qual idioma e letra for.

Conheço algumas versões. Mas já ouvi nas vozes de Madonna, Kimi Skota, Pavarotti, Bocelli, Celine Dion e outros. A cantada pela Kimi é minha preferida. Mas a brasileira que mais me traz lembranças é a cantada pela dupla Ângela Maria/Pery Ribeiro, com suas vozes macias e suaves porque minha mãe gostava e nós, seus filhos, passamos a apreciar também.

Essa música soa a meus ouvidos tão sublime porque foi composta com fundamento na história da Virgem Maria e seu voluntário SIM ao pedido de Deus Pai. Na minha crença, a história bíblica de Maria e sua disposição em ser a mãe de Jesus, torna essa música muitíssimo especial.

E é munida de tais e boas recordações que me vêm à lembrança as tantas Horas do Ângelus que escutávamos e das quais participávamos às dezoito horas do dia, transmitida por uma rádio de Londrina.

O aviso de que a Hora do Angelus se avizinhava consistia no badalar do sino da igreja matriz de nossa cidade que, com pompa soava seis demoradas badaladas.

A esse sinal se juntava o de mamãe a nos chamar para nos reunirmos para orarmos juntos. O mais importante e bonito é que todos os filhos que estavam em casa o faziam de boa vontade e com boa fé.

Os passos devocionais eram: Sinal da Cruz seguido da parte que o locutor falava e nós falávamos junto a história do anúncio:

O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
E Ela concebeu do Espírito Santo.

(Rezávamos a Ave Maria, daí repetíamos as palavras de aceitação da Virgem, as quais eram faladas por todos juntos).

Eis a escrava do Senhor.
Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.

(Rezávamos outra Ave Maria e continuávamos).

E o Verbo se fez carne
E habitou no meio de nós

(Terminávamos com uma Ave Maria e arrematávamos)

Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Ao final das preces, agradecíamos pelo dia e pedíamos perdão pelos nossos pecados.

Ao termino vinha a recitação do Glória e depois o encerramento com o Sinal da Cruz.

Eram momentos de união e muita fé em Deus, Jesus e Maria, momentos de muito respeito e amor entre nós todos e nossa mãe, os quais até hoje trago na memória.

Cambé, quinta feira, 24 de fevereiro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





NOSSO PROFESSOR PARDAL

Temos uma pessoa muitíssimo inteligente em nossa família. É pessoa curiosa e disposta a conhecer mais e mais e que, além dessa abertura ao conhecimento, propõe sempre mais de uma solução para os problemas que lhe são apresentados.

Sua mente inquieta é criativa e inventiva. Assim é que, muito esperto, quando tem um problema cotidiano para solucionar, não o faz sem estudar muito bem o que e o como fazer.

Quando se entende sabedor de soluções para o problema apresentado e por haver pesquisado e estudado muito sobre as possíveis soluções, nosso querido professor Pardal real se põe a agir e, com a habilidade que lhe é inerente, vai inventando ou criando coisas novas e até aperfeiçoando outras já existentes, de forma que vai seguindo sua rica trajetória que o caracteriza como contornador de dificuldades.

Certamente que há muitos tipos de pessoas talentosas assim por aí, às quais as pessoas apelidam carinhosamente de professor Pardal.

Enquanto o nome Professor Pardal denomina um personagem fictício criado por Walt Disney para histórias em quadrinhos, existem em nossas realidades outros “professores Pardal” reais, sendo que um deles é nosso parente. E que sorte a nossa tê-lo!

Tratam-se de pessoas que podem até não ser altamente instruídas, letradas ou eruditas no que diz respeito à física, engenharia, matemática e outros campos do conhecimento. Mas que, contudo, têm por objetivo tornar algo mais fácil de ser usado, de ser consertado ou mesmo de ser inventado, tendo em vista cumprir uma utilidade prática.

Com esse intuito é que essas pessoas vão à luta e tornam-se entendidos e esclarecidos acerca daquilo que investigam e que, pelas experiencias que desenvolvem, às vezes até incansável e repetidamente, chegam a solucionar algo que almejam do melhor e mais prático modo possível.

Assim é que vão ganhando mais e mais sabedoria, economizando tempo e sanando dificuldades que os tornam sabichões ao ampliarem seus métodos e técnicas para melhorarem, criarem ou inventarem algo.

A mente de um professor Pardal real, pode-se afirmar, é um dinâmico laboratório das mais intrincadas ideias, posto que considera as coisas a consertar, a adaptar e até a criar, sob vários pontos de vista que vão do mais fácil e simples ao mais complicado e elaborado.

VIVAS ao nosso professor Pardal particular.

Cambé, quinta feira, 24 de fevereiro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





SOBRE LIMÕES

Talvez que você conheça o saboroso fruto cítrico limão cravo por outro nome, contudo, seu nome cientifico é citrus limonia. Ocorre que, dependendo da região do Brasil ele pode apresentar nomes como: limão-caipira, limão-rosa, limão-cavalo, limão-egua, limão-francês, limão-capeta, limão-china, limão-vinagre e limão tambaqui, conforme informação coletadas na internet.

O limoeiro cravo é espinhento, apresenta folhas de um bonito verde escuro, flores pequenas muito cheirosas e seu porte chega a alcançar alturas entre 5 e 6 m.

A fruta desse limoeiro (aqui para nós chamada de limão rosa) apresenta forma redonda e um pouco achatada. Sua casca não é lisinha, o que lhe concede uma aparência grosseira. Mas sua coloração, quando verde, é verde escura. Já quando madura, essa fruta apresenta casca alaranjada que, dependendo do tamanho, faz com que tenha parecença com uma laranja.

Dizem meus amigos, que são agricultores e conhecedores da variedade, que o limão rosa é resultado do cruzamento do limão com a tangerina. Ou seja, é um hibrido criado a partir de duas espécies do gênero dos cítricos.

Afirmam eles, ainda, que as manchas marrons que os frutos apresentam em suas cascas devem-se ao ataque de fungos e outras doenças. Mas asseguram que isso não prejudica o homem.

E, embora muita gente não dê o devido valor a essa fruta, ela nos fornece um suco muito saboroso, o ácido ascórbico e a vitamina C, além de ser largamente utilizado como tempero em saladas, nas marinadas de peixes, carneiros, mariscos etc.

Apesar dessas benesses, o limão rosa não apresenta muitos atrativos se comparado as demais variedades de limões. Temos o limão siciliano, que é chamado de limão verdadeiro, enquanto que os limões taiti, galego e rosa são chamados de limas ácidas.

No Brasil, os limões são muito utilizados, também, para fazer a bebida chamada Caipirinha, a qual é muito apreciada pelos brasileiros e pelos turistas.

De forma que os limões nos servem de inúmeras formas, seja na alimentação, na perfumaria, nos materiais de limpeza, na ciência etc.

Eu sou apreciadora do suco e do sabor do limão rosa. Mas, mais do que o meu gosto por essa fruta é o do meu neto que, em apenas um dia fez suco desse limão dez vezes, tanto para aplacar a sede quanto para tomar com lanches, tamanho é o seu gosto pelo suco dessa fruta.

Fica aqui a dica: “se a vida te der um limão cravo/rosa, faça uma limonada”.

Cambé, quinta feira, 24 de fevereiro de 2022 - Marina Irene Beatriz Polonio





CHOVE

Quando crianças, nós observávamos o céu com cor cinza chumbo e costumávamos dizer que Deus estava zangado e que logo Ele iria chorar (chuva caindo). Também, os trovões e relâmpagos que aconteciam achávamos indicar que estava havendo uma faxina nos céus e que móveis estavam sendo arrastados para fazer a limpeza. E quando a chuva caia dizíamos estar havendo lavação na morada celeste ou que Deus estava chorando de tristeza (por alguma coisa que, lúdica e inocentemente, inventávamos naquela hora). Fantasias de crianças que nada sabiam acerca do fenômeno chuva. Mas o tempo passou e nossos olhos se abriram para o conhecimento. Hoje, quando o calor se faz abrasador e a grama e plantas ficam ressequidas sabemos serem demonstrativos da falta de chuva. E sobre esse fenômeno sabemos um pouco mais. Este fato aconteceu dia desses. De repente, depois de longa estiagem, o céu que estivera, por quase um mês, azul e sem nuvens, apresentava agora nuvens acinzentadas, anunciando que o vapor d´água concentrado lá no céu, iria cair a qualquer hora em sua forma líquida. Esses indícios fazem parte de nossos conhecimentos tradicionais de previsões climáticas herdados de nossos pais, como também são originários de nossas experiências pessoais diárias. E não é que choveu mesmo! Mansinho, sem raios e trovoadas aqui para nossa cidade. A chuva, fininha e pouca logo parou. O sol, muito tímido reapareceu e modificou um pouco o aspecto do céu. Logo em seguida o céu se transformou numa paleta de nuvens acinzentadas em vários tons, e o vento, que antes era uma brisa suave, veio, e foi forte e assobiante, a ponto de assustar. Raios e trovões passaram a se integrar à chuva e ao vento formando tempestade. Esse conjunto todo fez despencar uma chuva forte que trouxe vendavais em que casas e arvores foram afetados e seus donos prejudicados. Mas que fazer se, ainda que traga prejuízos materiais a chuva é fundamentalmente necessária para a vida dos seres vivos? E como é bom sentir o cheiro que o solo, tão ressequido antes dela, exala quando fica molhado. Muito melhor ainda, é poder ver as plantações e flores todas exibidas com o avivamento de suas cores naturais, tendo seu crescimento acelerado! E que dizer do efeito positivo que a chuva traz às doenças respiratórias que as pessoas sofrem em razão da baixa umidade do ar que ultimamente persiste? Todos eles minimizados pelo cair da benfazeja chuva. Então, “chove chuva...”

Cambé, quinta feira, 07 de janeiro de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





PALAVRAS

Palavras são libertadoras,
pois dão vazão a sentimentos recolhidos
e nos fazem viajar, por horas,
a lugares os mais escondidos.

Palavras, elementos poderosos
que atravessam o tempo
a contar minúcias e segredos.

Palavras originais
são elementos especiais:
podem indicar pessoas verdadeiras ou desleais.

Palavras apresentam sentido e nexo,
quando falamos ou escrevemos,
seja de modo simples ou complexo.

Sejam faladas ou escritas,
cuide e bem se expresse,
porque depois do texto conhecido,
não existe nada que o negue.

Palavra, ora, a palavra,
é mais valiosa que o ouro que reluz,
porque, de forma fabulosa,
a nossa treva reduz.

Cambé, quinta feira, 07 de janeiro de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





CAIO, em seu aniversário de dezessete anos (12 de julho de 2021):



Você já está próximo de terminar a adolescência daqui a um ano e, por isso mesmo, eu quis te deixar esta crônica como herança histórica escrita.
Meu querido e amado neto Caio ou Abençoadão (como gosto de te chamar), saibas que quando você nasceu trouxe alegria nova à minha vida. Filho do meu, também amado filho, pude ter com você momentos maravilhosos e usar todos os conhecimentos que adquiri durante minha vida para te amar, educar e ter belos momentos de alegria e prazer com você.
Dizem que avós não são para educar, mas para estragar. Não acredito nisso, tanto que, na prática, te ensinei o que pude e que você permitiu que eu ensinasse. Ou seja, dei o melhor de mim.
Brincamos, nos divertimos, cantamos, passeamos, choramos e aprendemos juntos. Valeu a pena tudo isso meu neto muito querido. Queira ou não, te ensinei as coisas certas a serem feitas para que sua vida fosse boa e justa. E, também, para que possas dignificar tua vida em nome de Deus.
E mesmo você não concordando comigo hoje, talvez lá pelos trinta e pouco ou quarenta e pouco, com certeza você se lembrará de meus ensinamentos e, tomara, dê o valor que merecem.
É certo que reclamei um pouco de seu tratamento para comigo, porém perdoei todos eles porque você é meu neto primogênito, muito amado e abençoado.
Te dei exemplos bons porque cristãos, para guiarem tua vida nos bons e justos caminhos. Se você os aproveitou ou não, fica por sua conta e risco. Espero ter feito o melhor para você como, desejei sempre fazer o melhor por seu pai também. Digo isso porque pais e avós também erram, sendo essa uma característica do ser humano.
Fique sabendo que a maioria de nossos dias juntos foi de imensa alegria para mim. Me empenhei muito em lhe fazer feliz, porque minha felicidade depende da sua: se você está feliz em também estou. Por Deus, espero que minhas experiencias contigo tenham deixado lições uteis e boas que possam te ajudar a trilhar o bom caminho, porque você é precioso e especial para mim, não esqueça! E para Deus também! Quero muito que você dê certo e que conserve os valores cristãos mais necessários a uma vida boa e digna. Minhas bençãos te dedico em minhas orações e, também, hoje e sempre.
Pedacinho de mim, parece que foi ontem que abracei aquele pequeno corpinho da criança que me fez tão feliz. Mas lá se vão dezessete anos. Porém, sempre me lembro daquele dia em que você veio ao mundo para nos alegrar e encher nossas vidas com amor.
Nunca te esqueças, você é especial para nós que o amamos. E é por esse amor tão grande, o qual não se acaba, que te desejo muitas felicidades, sucesso na vida e que faças de tua vida algo tão especial, a ponto de que, aqueles te amam e que estão à sua volta, poderem bendizer sempre os momentos de te conhecerem ou, apenas, de estarem a seu lado. Como é o caso da sua namorada Bruna e outros.
Abençoadão, te amooooo.
Abraço virtual (beijos poupados para te encher de beijos assim que pudermos nos encontrar). Sua avó.

Cambé, quinta feira, 07 de janeiro de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





O SETE

Por esses dias comecei a pensar sobre o número sete. Eu que já ouvira falar muitas coisas sobre ele, resolvi pesquisar. Abaixo listo alguns resultados que essa pesquisa na Internet me trouxe.
Há muitos motivos pelos quais, na Antiguidade e Idade Média, havia a cultura de que o número 7 era número perfeito.
Para Pitágoras, matemático e pai da numerologia, o sete era “número sagrado, perfeito e poderoso”. Isso justificado em que Deus abençoou o sétimo dia de Sua criação e nesse dia descansou.
No Oriente, esse número era muito usado, quer fosse como misterioso, sagrado, mágico ou símbolo.
Pode-se afirmar que sempre se fez uso desse número em diversas situações.

Alguns exemplos são:

7 MARAVILHAS DO MUNDO ANTIGO (Grande Pirâmide de Gizé, o Mausoléu de Halicarnasso, o Templo de Ártemis, a Estátua de Zeus, o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria e os Jardins Suspensos da Babilônia);

7 MARAVILHAS DO MUNDO MODERNO (Cristo Redentor – Brasil, Grande Muralha da China – China, Taj Mahal – Índia, Machu Picchu – Peru, Chichén Itzá – México, Coliseu – Itália, Ruínas de Petra – Jordânia);

7 NOTAS MUSICAIS (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si);

7 DIAS DA SEMANA (segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo);

7 CORES DO ARCO ÍRIS (violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho);

7 DONS DO ESPÍRITO SANTO (conselho, entendimento, fortaleza, sabedoria, piedade, ciência e temor a Deus);

7 VIRTUDES (castidade, caridade, temperança, diligência, paciência, bondade, humildade);

7 ARTES (escultura, pintura, música, literatura, dança, cinema);

7 PECADOS CAPITAIS (gula, luxúria, avareza, ira, soberba, preguiça, inveja);

7 CICLOS DA VIDA HUMANA (segundo Rudolf Steiner, criador da Teoria dos Setênios),

7 SACRAMENTOS INSTITUÍDOS POR CRISTO (Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio);

7 ANÕES DA BRANCA DE NEVE (Atchim, Dengoso, Dunga, Feliz, Mestre, Soneca e Zangado);

7 DIAS DA CRIAÇÃO DO MUNDO;

7 LEIS UNIVERSAIS (Natureza, Harmonia, Correspondência, Evolução, Polaridade, Manifestação, Amor);

7 DIAS TÊM AS FASES DA LUA.

Outras curiosidades sobre o número 7:

- a Bíblia o menciona por 735 vezes;- em Apocalipse, esse número aparece 54 vezes;
- Jesus ensina às pessoas quantas vezes se deve perdoar: “...até 70 vezes 7. (Mateus, 18, 15-22; Lucas, 17, 3-4).

- AS 7 IDADES DO HOMEM´, poema em que Shakespeare descreve as etapas de vida;

- 7 ENCANTOS DA MULHER (destacados pelos persas);

- 7 PERÍODOS DA VIDA HUMANA PARA OS ANTIGOS: (Dentes começam a nascer aos 7 meses; senta após 14 meses; caminha após 21meses; fala após 28 meses; deixa de mamar após 35 meses, forma a si mesmo aos 14 anos, para de crescer aos 21 anos);

O 7 é o único, entre os primeiros 10 números, que não pode ser dividido dentro do grupo;

7 é o número atribuído à letra Y por Pitágoras;

SETE (ou Seth/Set) era o nome do terceiro filho de Adão.

Só mesmo uma interjeição de espanto cabe dizer a esse numerozinho que é cheio de histórias – Eita!

Cambé, quinta feira, 07 de janeiro de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





ANTECESSORES

A modernidade, com respeito aos mais velhos, está cada vez mais malvada e tem influenciado as crianças de maneira negativa. É um tal de tratar os idosos pelos nomes de “cara”, “mano” “velho/a”, etc. Por outras vezes, referem-se a eles como quem “não sabe nada”. Dizem, ainda, que ele é “demente”, “gagá”, “caduco/a” e outras formas desrespeitosas que se presencia em contextos diferentes de nossa sociedade, seja ela micro ou macro.

Apesar da influência nefasta da modernidade, crianças, jovens e idosos são muito importantes. Os dois primeiros porque são o futuro do mundo, já o idoso por ser um poço de conhecimentos a serem - AINDA - explorados.

Os japoneses e chineses prezam muito a forma como deve ser tratado um individuo idoso, seja ele quem for, pois a cultura desses países encara o idoso como detentor de sabedorias várias e, por isso mesmo, merecedor de respeito.

Por isso é que nessas sociedades, o idoso é tratado com dignidade e respeito tal que, em caso de problemas diversos, os anciãos são consultados pelos mais jovens que sempre ouvem e admiram as experiências de seus idosos.

O fato de, no Brasil, as pessoas em geral não tratarem com dignidade, respeito, admiração e amor seus idosos, não resulta apenas da falta de cultura e do aprendizado daqueles valores que japoneses e chineses têm para com o trato de seus idosos.

Quer parecer que o mau tratamento dispensado aos idosos no Brasil deve-se, em larga escala, à educação familiar que os pais nascidos a partir de meio século atrás difundem. Isso porque, eles tiveram esse tipo de educação respeitosa e, não apenas para com idosos, mas com todas as pessoas mais velhas que eles. Ocorre que, receberam e parecem não haver valorizado tais aprendizados e exemplos que tornariam suas convivências e suas vidas (em todos os níveis) bem mais fáceis, de modo que não repassaram essa educação a seus filhos.

Sem generalizar a questão, os idosos são tratados com descaso, desrespeito e até como pessoas inúteis em nosso país. E isso é triste.

Pena! Estão perdendo a Sociedade e a instituição Família, hajam vistas ao fato de que toda ação gera uma reação. E uma coisa é certa, se pessoas (jovens ou crianças) tratam de forma indigna e desrespeitosa seus idosos, amanhã seus pais é que serão tratados dessa forma, o que está de acordo com o ditado “mais vale um bom exemplo do que mil conselhos”.

Cambé, quinta feira, 07 de janeiro de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





E NAS VOLTAS QUE A VIDA DÁ...

Dizia Saramago que durante o nosso viver “damos voltas e voltas, mas, na realidade, só há duas coisas: ou escolhemos a vida ou afastamo-nos dela”.

Houve um dia, nessas voltas da vida que eu, inconscientemente, estava me afastando do viver.

Foi assim como passo a relatar.

Retrocedendo no tempo devo registrar que, desde solteira eu tinha comigo o forte objetivo de adotar um filho.

Ocorre que eu, já casada e com meu marido comungando da mesma ideia, passamos a percorrer os caminhos para a sonhada adoção. Nessas idas e vindas, até nos frustramos com alguns desencantos, ora burocráticos e legais, ora com a criança nos sendo negada pela mãe que não desejava mais desfazer-se do bebe indesejado.

Aquietamo-nos em nosso canto, deixando nosso sonho adormecido.

Por essa época, nosso primogênito biológico já estava com quase cinco anos de idade.

E não é que, num maravilhoso dia o Criador permitiu que alguém viesse à nossa casa oferecer o que sempre sonhamos: nossa filha, para quem eu, desde solteira já tinha até o nome, tamanha era a certeza de tê-la.

Fomos buscar nossa garotinha no hospital. Ela perfazia um misto de sonho e realidade, um encanto em forma de uma bebezinha linda. Deus concretizava aquele nosso projeto antigo.

E fiquei fragilizada emocionalmente, porque perdi esse objetivo que consegui a duras penas quando, quatro meses depois, a nossa amada bebezinha foi morar com papai do céu.

Cai num estado de entorpecimento e, nele, a cada dia eu ficava mais alheia a tudo que me cercava.

Passei então, a assumir uma rotina da qual não me lembro quando dei início, só sei quando ela terminou. Ocorre que, todo dia eu pegava meu filho e ia para o cemitério chorar e chorar no tumulo daquele anjinho de nossas vidas. Mas eu não chorava só lá!

Costumo dizer que, dentro daquela rotina de tristeza e chororô, eu nem sei o que fiz e o que não fiz em nossa casa, se cuidei ou não de meu marido e de nosso amado filho ou, até mesmo, se eu cumpria com os trabalhos que eu tinha a fazer em nosso comércio.

Só sei que meu marido e meu filho disseram que eu costumava ficar cheirando as roupinhas da bebe e reclamando a Deus sobre a ida dela.

Mas, para melhor clarificar este relato devo informar que, para nossa ida diária ao cemitério, eu e meu filho costumávamos pegar o ônibus atras da igreja matriz da cidade.

E foi nesse cenário que eu, como sempre fazia, andava rápido e chorando para ir pegar o ônibus sempre puxando meu filhinho pela mão. Nessa altura nos encontrávamos frente à porta da igreja.

De repente, aquele toquinho abençoado largou minha mão que o segurava e deu um grande puxão na bainha da minha blusa. Olhei para ele e escutei-o dizer: “Mãe, para de chorar, você ainda tem eu!” Assim foi que acordei da minha melancolia.

O milagre da volta à vida , DE FATO, foi permitido por Deus que usou meu amado filho como instrumento.

A partir desse dia cessaram-se os chororôs e as idas compulsórias ao cemitério. Doei todos os pertences de nossa filhinha e retomei a minha vida normalmente.

Meu pequeno filho me tirou do fundo do poço nesse dia, à porta da igreja, e me apresentou a realidade que eu não estava mais conseguindo enxergar.

Por todo o exposto considero que, nesse dia, recebemos um lindo e marcante milagre de Deus através do chamamento à realidade que me fez nosso tão pequenino filho. Afinal, não apenas ele precisava de minha atenção especial porque era tão criancinha ainda, mas meu marido também necessitava de mim, plena e saudável para voltar à vida ativa e recompor nossa família que, agora era menor em número.

Não fora meu filho e sua intervenção e eu poderia permanecer naquele estado indefinidamente. Aliás, eu não estava me dando conta de que a vida continuava a dar suas voltas e que, quanto mais tempo eu permanecesse imersa naquela tristeza sem fim, cada vez mais eu me afastava da vida e, assim, havia grandes possibilidades de eu não mais sair daquele estado doentio.

Sim, meu filho salvou minha vida e foi com a graça de Deus. Abençoado você sempre foi filho, instrumento através do qual Deus operou sua vontade. Tudo valeu muito a pena porque mudei minha perspectiva sobre a vida e agradeço a você, mas dou graças e louvores eternos a Meu Senhor e Meu Deus.

Cambé, segunda-feira, 10 de Agosto de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





A MIS PIES

“Meus queridos e muito abençoados pés, vocês me conduzem a tantos lugares.

E têm se comportado sempre bravamente aguentando o aperto de sapatos, os obstáculos dos caminhos, meu peso, tropeços etc., sempre servindo aos propósitos para os quais foram criados.

Amo-os demais, mas como ser humano que sou, tenho me descuidado de vocês e por isso vocês têm sofrido um pouco.

Procurarei dar mais atenção a vocês, porque sem vocês não vou muito longe. Aliás, não saio do lugar queridíssimos e valorosos pés.

Sempre ouvi dizer que toda caminhada começa com um pequeno passo e acredito nisso porque, desde aquele meu primeiro passinho trôpego, balançante, mas motivador, tenho dado muitos, firmes e grandes outros passos. E graças à existência e serviço imensurável de vocês.

Sinto vocês cansados, vacilantes e doídos até.

E porque sempre foram companheiros fiéis maravilhosos e subservientes agradeço a Deus a benção de, seja como for, tê-los presentes em minha vida.

Admiro-os de todo meu coração porque me levam onde quero ir e me permitem afastar-me de onde não quero estar.

Maravilhoso é poder contar com vocês meus condutores de tanto tempo e de inestimável valor.

Abençoados sejam sempre!”

Cambé, segunda-feira, 10 de Agosto de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





BISA ANNE HELENE AUGUSTE

Tendo assistido, por esses dias, um comercial televisivo onde uma mulher (talvez representando a mãe) ensinava à sua bebezinha palavras difíceis, sendo que a bebezinha repetia as palavras sem dificuldade, lembrei-me de Dona Helene, avó paterna de meu marido e bisavó do meu filho, portanto.

Isso porque, durante a época em que meu filho ainda era bebê, morávamos no andar de cima da casa de minha sogra, sendo que a bisavó de meu filho morava no andar de baixo junto com seu filho e nora.

Dona Helene, já com muita idade, ficava em sua cadeira de balanço fazendo companhia cuidadosa e pedagógica a meu filho quando nós os pais e os demais avós não podíamos atende-lo. Dona Helene foi a única bisa que ele conheceu porque a outra morava em cidade distante.

O nome dessa bisa de meu filho eu considerava pomposo porque era triplamente composto: Ane Helene Auguste. Nomes que eram escritos assim mesmo, com terminação em “e”. Penso que, talvez, ela tivesse descendência alemã. (Mas as pessoas todas, fossem amigos ou parentes a chamavam D. Helena). Era uma pessoa de aspecto distinto, e de gestos e comportamentos altivos. Tinha porte e postura de uma senhora da sociedade.

Falava bem, digo, tinha uma ótima dicção. Isso significa que pronunciava muito bem os sons das palavras, das sílabas e das letras, o que tornava sua comunicação clara e de fáceis compreensão e entendimento. Portanto, ouvíamos e entendíamos tudo que falava nitidamente. Era gostoso ouvi-la falar o português.
Como ela viveu e privou de muitas experiencias ao lado do meu filho, seu bisneto, ele teve o privilégio de ter uma bisa professora para aprender o português de forma correta. Sim, ela o ensinou a falar suas primeiras palavras, já que ele se encontrava, à época, na hora de fortalecer o seu andar cambaleante e de iniciar seu processo de falar.

Com certeza meu filho não se lembra de tais e belos momentos que teve com ela. De forma que só deve se lembrar dela por uma e outra foto de papel que ainda temos em casa e de outras que tínhamos na lapide do tumulo da família. (Afirmo que tínhamos porque foram arrancadas e levadas de lá por donos do alheio).

Mas dos resultados daquele tempo pedagógico sempre nos lembrávamos, eu e seu pai, haja vistas que a única palavra que nos lembrávamos que falou “errado” era o nome da melancia. Essa fruta ele chamava de lambancia e nós, seus pais, nos divertíamos por ele chama-la dessa forma tão mais difícil.

Dona Helene fez parte de minha vida e da de meu marido e filho por poucos anos. Dizia Saint Exupery que “aqueles que passam por nós deixam um pouco de sí e levam algo de nós”. Assim é que a vivencia da bisa Helena com seu bisneto deixou marcas de falas “certinhas” no modo dele falar.

Cambé, segunda-feira, 10 de Agosto de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





ORGASMO MUSICAL

Deleito-me ao som de boas obras musicais.

Em poucos segundos de audição dos sons de vozes e instrumentos, ora suaves, ora frenéticos, alço voos mentais descrevendo graciosas piruetas na imaginação, atitude resultante dos acordes mágicos, envolventes, inebriantes, estonteantes de tamanha beleza.

Flutuo pelos céus e nuvens imaginárias e, com volteios involuntários, sigo a melodia harmoniosa. Dando asas à imaginação envolvo-me em fumaças deletérias perdendo-me, inebriada, por lá e acolá. Nesses lugares celestes para os quais sou transportada, realizo saltos e passos conforme os sons dos instrumentos apresentam toques crescentes ou decrescentes.

E o conjunto de vozes corais e solo então, perfeitamente correto em tons selecionados e ensaiados impecavelmente, diga-se de passagem, coroam as melodias, harmonia e ritmos dos acordes com tamanha sonoridade a ponto de eu sorrir e, enquanto meu corpo oscila levemente, fruo as esplendidas maravilhas artísticas sentindo quase que um orgasmo musical a explodir dentro de mim espalhando-se por todo meu corpo saciado pela criatividade, inventividade e sonoridades harmônicas sérias, tudo perfeito, porém lúdico.

Sou seduzida pela beleza que, considero, seja produto de inteligências divinamente inspiradas. Assim, prostrada diante dos talentos sonoros que o Criador permitiu viessem à tona para privilegiar, embelezar e encantar ouvintes, minha sensibilidade me convoca a agradecer a Deus pelo imenso privilégio de poder ouvir. E o clímax? Ah! esse eu atinjo com o êxtase total que me leva a render-me à tanta beleza e perfeição que me deixam plena de gosto e felicidade.

Cambé, segunda-feira, 10 de Agosto de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





OUVINTES, SURDOS E DEFICIENTES AUDITIVOS

Por esses dias assisti uma comédia em que se relacionavam uma pessoa com visão plena, porém sem a capacidade de ouvir, e uma outra que ouvia, mas não tinha a capacidade de enxergar. Detalhe, os dois não desejavam que as pessoas soubessem de suas deficiências.

Dessa forma, aconteceram peripécias mil na parceria entre um e outro, porque eles acreditavam que um supriria as necessidades do outro. A relação foi difícil e acabou causando maiores complicações.

Fiquei refletindo o que assisti porque, quando no meio de surdos, sinto-me incapaz de entende-los plenamente através de sinais, eu que sou iniciante no estudo da Libras. Imagine a situação de alguém que não tenha conhecimento algum sobre Libras, mas que tenha de se comunicar com um surdo ou deficiente auditivo.

Ah, você não sabe a diferença entre surdo e deficiente auditivo? Ora, a Organização Mundial da Saúde estabelece que surdo é pessoa que tem perda total da capacidade de ouvir, ou seja, não ouve nada. Deficiente auditivo é quem tem redução na capacidade de detectar sons, isto é, tem um pouquinho de audição.

A Língua Brasileira de Sinais – Libras, é a denominação da língua utilizada pelos surdos e por deficientes auditivos. Ela foi sancionada no dia 24 de abril de 2002 quando era presidente Fernando Henrique Cardoso. Teria de ser a primeira língua dos surdos e dos deficientes auditivos e a segunda de seus familiares, contudo, isso ainda está longe de ocorrer na realidade brasileira.

A surdez tem como característica ser um problema sensorial. Enquanto que a deficiência auditiva pode resultar de uma perda leve ou moderada da audição por diversos motivos, como por exemplo: má-formação (causa genética), lesão na orelha ou nas estruturas que compõem o aparelho auditivo causando dificuldades na recepção e percepção de alguns sons.

Sendo eu ouvinte, às vezes me esqueço que os surdos têm que estar de frente para mim para conseguirem ler meus lábios e que, para facilitar a leitura deles, tenho que falar sem pressa e fazendo a pronuncia correta das palavras.

Também, devo me lembrar que, de pouco adiantam aqueles sinais que faço quando nada sei de Libras. Porque? Porque muitos dos sinais que fazemos (e com os quais acreditamos estar ajudando o surdo/deficiente auditivo), tal como sinais de positivo, lá, nós etc., na língua dos surdos podem não indicar aquilo que achamos que indicam.

Para que a comunicação de ouvintes com surdos ou com deficientes auditivos seja satisfatória torna-se importante que o surdo e seus familiares tenham conhecimento – e façam uso – da LIBRAS, porque essa língua é tão importante para a pessoa surda como a língua oral é importante para nós, ouvintes.

No caso de pais ouvintes, mas que desconhecem a pratica da Libras, mas que têm filho surdo ou deficiente auditivo, a comunicação fica muito complicada se esses pais não buscarem conhecer a língua de sinais para entenderem o filho e para ensiná-lo a se comunicar no contexto social mais amplo.

Ora, o domínio da linguagem possibilita maior e melhor desenvolvimento a quem dela faz uso, seja ouvinte ou surdo. Na hipótese de que ao surdo não seja proporcionado o estudo da Libras, várias áreas de seu desenvolvimento ficarão prejudicadas.

Nas escolas, em geral, o surdo/deficiente auditivo tem que aprender a língua português brasileiro, às vezes sem conhecer nada da Libras. Caso ele soubesse a Libras se tornaria bilíngue e tudo ficaria um pouco mais fácil para ele.

E a Escola piora muito a situação desses estudantes, no caso de o professor/a não saber lidar com as diferença na comunicação e com as limitações precárias da linguagem do surdo/deficiente auditivo que não faz uso da Libras.

Tendo em vista que o mais fácil de encontrarmos na realidade brasileira, é a falta de professor/a capacitado em Libras para ensino em creches, pré-escolas e de primeira à quarta série do Ensino Fundamental, a situação do aluno surdo/deficiente auditivo se complica de tal forma que ele se recusa a ir estudar. A consequência é que esses alunos ficam desmotivados e se evadem da escola.

Nesse contexto, no que diz respeito ao aspecto da formação profissional, o surdo perderá sempre porque, apesar da Inclusão Escolar, ele se sentirá excluído do processo de ensino e, portanto, terá que se contentar com subempregos, os quais não necessitam muito estudo e/ou qualificação.

De forma que a inclusão escolar acaba gerando a exclusão.

Todavia, parece haver uma luz no fim do túnel quanto à inclusão de surdos e deficientes auditivos na escola, pois o curso de Libras vem sendo ofertado por Universidades e outros espaços educacionais brasileiros desde 2005, quando foi sancionado o Decreto Lei 5.626.

E uma boa notícia é que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registra que, em 2017, já havia 2.138 alunos surdos e deficientes auditivos estudando em Universidades. É um tímido avanço, mas essa evolução é importante.

Cambé, segunda-feira, 13 de julho de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





OURO VERDE EM NOSSAS MÃOS

Na primeira metade do século XX, o Brasil foi responsável por mais da metade da oferta mundial de café.

Aqui no Paraná, com minha família morando em Cambé desde 1954, começamos a conhecer um pouco mais de perto sobre o processo de preparar o café para ser vendido ou exportado. Isso porque, morávamos perto de algumas máquinas de café, que é como eram chamadas, na época, as empresas comercializadoras do chamado ouro verde.

Ocorre que, na década de 60, com todos os filhos ainda solteiros e em casa, mamãe, sempre querendo adicionar um extra nas despesas da casa para ajudar papai no sustento da família, resolveu catar café. Isso porque algumas vizinhas já vinham fazendo isso e ganhavam um bom dinheiro.

Esse serviço implicava em várias ações: ela ia até à “maquina”, conversava com o encarregado e pedia quantas sacas desejava levar para “limpar”. A “máquina” mandava entregar as sacas nas casas, transporte que era feito por carroceiros. E o tráfego de carroças era grande na cidade.

Grãos entregues, e nossa casa ficava abarrotada de sacas de café para serem limpos manualmente. Com o fruto do trabalho de mamãe e daqueles que apenas estudavam, as sacas de cafés “sujos” diminuía enquanto a de cafés “limpos” só aumentava.

Enquanto catávamos os grãos, escutávamos um amplo repertório de histórias infantis que mamãe contava para nos distrair da tarefa. Em outras vezes, ela ligava o rádio e escutávamos muitas transmissões: musicas, noticiários, novelas, mas o mais divertido era escutar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro as pérolas do programa “Edifício balança mais não cai”. Escutávamos, também, a Rádio Record e outras das quais não me lembro.

A tarefa de grãos de café que mamãe colocava para limparmos era de vinte litros por dia. Se tínhamos muita tarefa escolar esse tanto diminuía porque, em primeiro lugar, tínhamos que fazer o dever escolar.

E assim toda a sacaria de café era esvaziada de um lado e cheia de outro, isso até terminar toda a carga que estava em casa. Depois vinha a entrega e o recebimento do dinheiro.

Mas, como tudo tem fim, certo dia a tecnologia chegou e os catadores de café foram substituídos por uma máquina de catar café de verdade. Essa máquina tinha uma esteira que, correndo, obrigava os catadores a serem rápidos e fazia que o café caísse num saco. Nesse tempo, os catadores tinham que fazer o trabalho nas comissarias ou importadoras/exportadoras (como eram chamadas as máquinas de beneficiar café), ou em armazéns das mesmas.

Parece-me que foi ali pelo final do século XX, que nova tecnologia brindou os comerciantes e os exportadores com uma máquina que processava a catação eletrônica dos grãos de café. E então, as comissárias e as exportadoras passaram a terceirizar esse trabalho de limpar e bem selecionar os grãos, qualidades impostas pelo mercado internacional.

Considero que essa foi uma época boa, porque nos proporcionou muita convivência, conversas com mamãe e a companhia e interações com os irmãos...e, ainda, nos rendeu um bom dinheirinho.

Cambé, segunda-feira, 13 de julho de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





“EU SOU” É PARA NÓS:

(títulos de Deus)



Alfa,

Ômega,

Criador de Todas as Coisas,

Deus Santo,

Deus Forte,

Deus Imortal,

Nosso Escudo,

Vida Eterna,

Amor Maior,

Senhor Nosso,

Nosso Grandioso Instrutor,

Soberano Pastor,

Deus Bom,

Deus Soberano,

Deus Conosco,

Nosso Redentor,

Deus Verdadeiro,

Deus Único,

Nosso Pastor,

Deus Grande,

Nosso Senhor,

Nosso Deus,

Nosso Refugio,

Nossa Fortaleza,

Aquele Que Tudo Vê,

Presença Constante,

Deus Resgatador,

Deus da Compaixão,

Deus Amoroso,

Nosso Oleiro,

Deus Todo Poderoso,

Deus da Graça,

Rei da Eternidade,

Deus da Misericórdia,

Deus Eterno,

Deus Zeloso,

Deus de Toda a Terra,

Deus de Abraão,

Senhor da Vida,

Deus Grande,

Deus Supremo,

Deus de Israel,

Deus de Perseverança,

Deus de Ânimo,

Deus Bondoso,

Deus Ouvinte de Oração,

Deus Pai,

Deus Magnifico,

Deus Bendito,

Deus da Salvação,

Rei da Glória,

Antigo de Dias,

Deus dos deuses,

Deus Divino,

Deus de Isaque,

Deus de Jacó,

Deus da Paz,

Senhor Eterno,

Deus do Pacto,

Nosso Rei,

Deus da Aliança,

Deus das Sabedorias,

Deus Que Vê,

Nossa Rocha,

Deus Altíssimo,

Deus Criador,

Deus Onipotente,

Deus Onipresente,

Criador de céus e terra,

Anjo da Aliança,

Criador da Luz,

Deus Protetor,

Deus santificador,

Senhor dos Exércitos.



Por seres tanto para nós Senhor,

é que Vos louvamos e Vos bendizemos.

Cambé, segunda-feira, 13 de julho de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





NO AZUL CELESTE

Lá no alto:
Debandada de pássaros
Rumo a não se sabe aonde,
Apressadinhos.

Mais além:
Um pouco à esquerda
na imensidão azul,
Solitária pipa se agita.

Ela dança,
Escapa dos pássaros,
Brinca no ar
Com seu sim/sim
Sem parar.

O céu,
Em tons de azul e branco
Modifica-se
Emoldurando o vai e vem.

Ora o brinquedo sobe,
Ora desce,
Configurando linda dança
Ágil e bonita.

Lindas imagens
Nuvens desenham no céu
Com os muitos pássaros
e a pipa colorida
Flanando.

Espetáculo digno de ser apreciado.

Cambé, sexta-feira, 02 de julho de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





NOSSO BEM VITAL: A ÁGUA

Todos gastamos muita água, seja para beber, para cozinhar, lavar roupas, fazer a higiene pessoal e do lar, dar de beber a animais, regar plantas, produzir diversos produtos e bens de consumo, etc.

A água é nosso bem maior porque essencial à vida. Se não a tivéssemos não viveríamos, já que nosso corpo é constituído por 70% de água. Os demais seres vivos como: animais, vegetais e toda a natureza dependem dela para viver, também.

Nesse contexto consideremos, se cerca de 97,5% da água existente no Planeta Terra é salgada, sobram apenas 2,5% da água doce no planeta. E, dentro dessa porcentagem, mais ou menos 12% está localizada no Brasil segundo informações da Agência Nacional de Águas (ANA). Devido a nosso país ter diversos aquíferos em seu subsolo, é considerado privilegiado no que diz respeito à quantidade de água.

Contudo, em algumas regiões de nosso país, a água tratada atualmente chega para apenas 83,3% dos brasileiros conforme informado pelo Ministério das Cidades.

E, mesmo sendo essencial à vida, temos de saber e compartilhar o conhecimento de que a água é recurso que se esgota.

Para nós, que a temos em nossas residências devemos conhecer que, para que tenhamos água em nossas torneiras, ela deve ser retirada de mananciais naturais como: rios, lagos, açudes, poços artesianos etc.

Porém, ainda assim, para que chegue pronta para beber nas residências, ela passa por reservatórios que a encaminham para as estações de tratamento. Só depois de tratada e purificada ela seguirá potável, via encanamentos, para ser distribuída para nosso consumo.

Portanto, devemos conhecer que desde o começo do século XX, as fontes e mananciais de água, começaram a ficar comprometidos devido a sérios problemas como: poluição, assoreamento, mudanças climáticas, desperdício e outros.

E por já termos tido racionamentos drásticos de água em diversos momentos em algumas cidades brasileiras, todos devemos ficar alertas no sentido de economizar esse cristalino bem sagrado, e que não o façamos apenas em períodos de seca.

Para evitar que ela nos falte devemos: reduzir nosso tempo do banho; fechar a torneira enquanto escovamos os dentes; regar as plantas na sombra; lavar carro/calçada com águas da chuva ou com aquelas já utilizadas; limpar e lavar pisos da casa com águas usadas, são algumas dentre muitas outras tantas atitudes possíveis.

Se assim agirmos, estaremos reduzindo o desperdício de água e, ainda, contribuindo para que ela não venha a faltar em futuro próximo.

Em síntese: devemos cuidar e preservar a água em respeito a todo ser humano pois, caso ela acabe, estaremos provocando nossa autodestruição.

Cambé, sexta-feira, 02 de julho de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





VO LUN TA RI AR

A pandemia do coronavírus deu reinicio a uma corrente humana na qual se pode conjugar o verbo voluntariar de múltiplas formas.

Esse verbo vem sendo muito conjugado em razão dos seres humanos, tomando por base o preceito bíblico “amai-vos uns aos outros”, estarem olhando para seu próximo com vistas impregnadas de compaixão, solidariedade e empatia.

Ora fazem uma compra para alguém, ora buscam levar alguém ao médico ou, ainda, levam algo necessário a quem mais necessita etc. Considero que tais atos cristãos deveriam ter continuidade sempre, independente da pandemia, porque somos todos irmãos.

Voluntariar é doar-se. Com muito ou pouco, não importa. É exercitar o livre arbítrio de fazer aquilo que realmente importa. É ter em mente o fazer o amor e o carinho transmutarem-se em pratica cotidiana. Isso, além de elevar a autoestima de quem se voluntaria, dá-lhe a certeza de dever cristão cumprido. São Francisco de Assis, em sua oração, afirmava ser “dando que se recebe”.

Todavia, voluntariar-se quer dizer doar sem esperar pagas. O doar-se ou doar algo deve ser gratuito, porque é próprio da vontade e da liberdade de quem deseja fazer o bem querer ao próximo.

Quando doamos ou nos doamos aos irmãos, recebemos nossa paga em forma de bençãos, de conhecimentos, de prazer, de satisfação por ver o outro também feliz... ou seja, os dois lados ganham, sendo essa a verdadeira paga.

Nesses tempos de pandemia, é maravilhoso notar que o Ser Humano está sendo humano o bastante para voltar seus olhos para o próximo buscando ajuda-lo em suas necessidades, fazendo que o verbo voluntariar seja conjugado a não mais poder.

Aqui fica o convite para conjugação desse verbo no presente do Subjuntivo desejando continuamente: que tu voluntaries, que ele voluntarie, que nós voluntariemos, que vós voluntarieis, que eles voluntariem.

De minha parte, já há algum tempo pratico (ou pratiquei) doando meu tempo e saberes, tanto pedagógicos quanto humanos, para mães solteiras de comunidades de risco; para Escola para Cegos de Londrina, ou seja, sirvo com aquilo que posso.

Outro ato simples que também pratico é servir de ponte entre aqueles alguéns que necessitam de um móvel/roupas/alimentos e aqueles que os têm sobrando.

Afinal, existem múltiplas formas de voluntariar-se. Busque a sua.

Cambé, sexta-feira, 02 de julho de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





MUITOS MUNDOS

Abelhas domésticas dançando em delicada coreografia,

beija-flores sorvendo néctares dos pistilos florais,

pássaros procurando substrato para fazer ninhos,

fungos sorvendo deliciosamente as moléculas das matérias orgânicas secretando enzimas digestivas cá e acolá,

borboletas polinizantes em busca de leitosos sucos,

joaninhas multicores espreitando pulgões gordinhos,

bichos-pau colocando seus ovinhos em folhinhas tenras,

louva-a-deus esperando paciencioso a chegada de um insetozinho incauto que o alimente,

pombas pousando e arrulhando num galho aqui e ali para brincar, descansar ou “namorar”,

lagartixas à espreita de insetos deliciosos entre plantas e flores,

formigas recolhendo folhas cortadas para formar seu delicioso mofo alimentar,

mosquitos esvoaçantes à busca de alguma presazinha descuidada,

besourinhos brincando de pega-pega nas folhagens,

pulgões ávidos por devorar uma plantinha molinha e suculenta,

cochonilhas devoradoras saciando sua fominha desvairada,

minhoquinhas atrevidas buscando refúgio em galerias ou canais,

mosca macho fazendo a “dança do amor” para acasalar com a femeazinha escolhida,

bacteriazinhas mastigantes fabricando húmus,

pássaros das mais diferentes espécies se apresentando e cantando nos mais diversos tons,

gatos manhosos e indolentes tomando sol em cima do muro,

flores, florezinhas,e grandes flores aqui e acolá colorindo todo o quintal.

São muitos os mundos e tipos de vidas em meu amado jardim!


Cambé, segunda-feira, 26 de abril de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





VOVOZICES

Desde a chegada do meu primeiro neto eu me senti outra pessoa. Nessa nova fase de vida parece que eu nascera de novo. Digo isso porque eu via em mim mesma uma outra pessoa mais jovem do que a idade que eu realmente tinha. Rejuvenesci muito: risonha, brincalhona, criativa, dançarina, cantora, palhaça etc.

E esse presente especial que Deus me concedeu aconteceu por duas vezes. Presente de dois sonhos de amor que me fizeram conjugar o verbo amar tantas e tantas vezes na infância daqueles desses tão amados.

E mesmo que cada qual de meus netos tenha seu estilo de vida, caráter, comportamento, formas de amar, transformaram minha vida tornando-a mais vívida, mais colorida, mais alegre e com muitas mais esperanças de vê-los e passar tempos com eles.

Naqueles tempos eu me transformava: querendo cuidar, querendo “amassá-los” carinhosa e grudentamente, sendo cúmplice de tantas bagunças, ensinando-os a falar/cantar/andar, conhecer coisas e pessoas, tomar banhos no banheiro e de chuva, brincar e muito mais estripulias. Era muita diversão e risadas que compartilhávamos. Uma delícia fazer tudo isso com aqueles toquinhos de gentes que amei e amo demais.

Essas bençãos que Deus permitiu eu poder viver não têm preço, e mais, a descrição delas não cabe nesta folha de papel porque não foi apenas uma dádiva divina que recebi, o que foi pode ser traduzido como muitas alegrias e felicidades junto a seres tão importantes para mim.

Mas o tempo passou e eu estou aqui, saudosa de tantas invenções, pipocas, descobertas, curativo em machucados, filmes, brigas entre eles, musiquinhas, passeios, etc. e, em especial, saudades daqueles toquinhos que, desde aqueles balançantes passinhos, se tornaram amadíssimos parceiros e companhias alegres e muito especiais para mim.

Meus netos me proporcionaram muitos dias alegre e felizes. É certo e normal que, também, houveram alguns dias tristes, mas como os netinhos (cada qual por sua vez) eram a luz de meus dias, isso passava logo. Nossos relacionamentos foram muito divertidos e gostosos. Até hoje relembro disto ou daquilo que fizemos juntos e me ponho a sorrir e a agradecer a Deus pela benção de poder tê-los tido.

Hoje sinto muita falta de meus netos porque eles cresceram. Agora, adolescente e pré-adolescente, nossos caminhos vão se distanciando cada dia mais, conforme vão mudando os rumos, as escolhas e os interesses das vidas deles.

Então eu fico aqui a curtir as lembranças felizes dos tempos que passamos juntos, mas satisfeita por ter contribuído com meu amor, paciência e conhecimento para suas vidas. Enfim, vivo das lembranças do passado e meus desejos são para que meus netos sejam muito abençoados por Deus nas escolhas que fizerem enquanto percorrem os caminhos que os levarão a se tornarem adultos.

Caio e Danilo, agradeço a Deus por ter vocês em minha vida. Agradecimentos também devo a vocês por terem trazido tantas alegrias e coisas boas à minha vida. Amo vocês.

Cambé, segunda-feira, 26 de abril de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





UM CIDADÃO DE NOME PEDRO BEATRIZ

Tudo na vida é uma questão de escolha. E foi isso que levou o jovem Pedro Beatriz a caminhos nunca dantes navegados.

Nascido no alto da rua quinze em Curitiba e tendo nessa cidade se casado, Pedro abraçou a profissão de policial militar.

Na condição de soldado no final do contexto da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), foi destacado para Reserva. À época, cidadezinha rural distante 180 quilômetros da capital do Paraná. Ali foi que comprou um sítio, se estabeleceu e formou sua família levando a profissão de soldado em conjunto com a atuação como sitiante.

Angariou boas amizades e, sendo pessoa muito conhecida e benquista pelo prefeito, vereadores e pelos muitos amigos que fez e que o sabiam ser pessoa dotada de grande inteligência, foi incentivado a fazer o concurso para a Agência Municipal de Estatística ― AME (órgão do IBGE) em Reserva. Aprovado, atuou como agente ali até ser transferido para Antonina, litoral do Paraná.

Na ida para Antonina deixou sua família e seus seis filhos e esposa em Curitiba e foi para seu destino trabalhar e arranjar moradia e escola para os filhos. Conseguiu tais intentos e voltou para buscar a família. Em Antonina a família morou por quatro anos. Lá, papai atuou, por puro lazer, na área administrativa da Liga de Futebol Regional de Antonina. E foi nessa cidade litorânea que nossa família teve mais dois filhos (sendo eu uma dentre os dois).

Tempos depois papai foi transferido para trabalhar em Londrina. Veio na frente para conhecer a cidade e arrumar estrutura para trazer a família. Como fosse difícil encontrar casa para família tão numerosa, ficou algum tempo morando nessa cidade até o fato de que, na vizinha cidade de Cambé, o Agente Municipal de Estatística deixa o cargo. Surge então uma vaga. Papai a solicita e é atendido.

A família vem de Antonina direto para Cambé em 1955. O local exato era a rua Equador número 105.

E foi ali, na sala de sua casa mesmo que Pedro Beatriz montou seu escritório de atendimento como Inspetor Regional de Estatística Municipal ― IRs, representando o IBGE como técnico na prestação de assessoria às Agências Municipais de Estatística ― AMEs da região. Nesse endereço a família veio a ter mais um filho, perfazendo a prole o total de nove.

Uma curiosidade acontecida nessa casa – da qual eu gostava muito - é que num certo ano papai fez uma churrascada para comemorar seu aniversário e convidou muita gente. Compareceu tanta gente e, até o governador Moysés Lupion que estava em seu segundo mandato, esteve presente.

Logo o volume de trabalho de papai aumentou muito porque a jurisdição a atender se estendia de Jataizinho até Jandaia do Sul. O amigo e prefeito da época, Sr. Jacidio Correia, cedeu uma sala na Prefeitura Municipal para que papai nesse prédio trabalhasse.

Lembro-me bem daquela sala porque é assim ainda hoje: ao entrar pela porta central da prefeitura logo à frente há uma escada. Subindo a escada, à direita ficava a sala cedida a papai. Foi onde ele permaneceu trabalhando até se aposentar como ibegeano em 1972.

Aposentou-se cedo, mas por não aguentar a inatividade, logo procurou algo para fazer. Entrou em sociedade com o amigo Geraldo Serra para abrir uma imobiliária que, algum tempo depois se transformou em escritório de serviços contábeis. O local utilizado para isso (que era de propriedade do Sr. Geraldo) ficava na avenida Inglaterra bem em frente ao Banco Itaú. Ali permaneceram trabalhando como sócios por mais de vinte anos.

Assim é que as ondas do mar da vida fizeram Pedro Beatriz navegar do seu berço natal Curitiba, até a cidade de Cambé, lugar em que se tornou cidadão cambeense de coração, inclusive foi um cidadão tão ativo a ponto de tornar-se um dos fundadores do primeiro Grupo Escoteiro da cidade, como também, fez parte da diretoria do CAC – Cambé Atlético Clube.

Cambé, sexta-feira, 26 de março de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio





VIVA SÃO PEDRO!

Temos três santos juninos com dias a serem comemorados em junho: Santo Antônio, São João e São Pedro festas que, inicialmente, pagãs que homenageavam a Natureza e, por isso mesmo, aconteciam em junho, tempo de colheitas. Depois foram assumidas pela igreja católica que não conseguia acabar com sua popularidade segundo alguns documentos.

Quando chega perto de iniciar o mês de junho eu começo a me lembrar de meu pai Pedro Beatriz. Não sabemos se recebeu esse nome em razão da muita fé de seus pais por São Pedro, sabemos apenas que seu aniversário era em setembro. Na época não era comum os pais falarem sobre si com os filhos. Aliás, se perguntássemos qualquer coisa sobre suas vidas pregressas recebíamos um “quem muito quer saber mexerico quer fazer”.

Mas junho me traz à memória doces e gostosas recordações de meu pai, sendo a mais importante ele gostar de comemorar o dia de São Pedro em frente de casa.

Não fazia uma comemoração pomposa tal e qual as comunitárias que há por ai ainda hoje, nas quais se vê uma decoração bem tradicional à base de palha de milho, fitas nas mais variadas cores, balões e bandeirinhas coloridas etc. Essas festas também apresentam danças típicas como a quadrilha e, ainda, se fazem algumas brincadeiras como o casamento caipira, a cadeia, o pau de sebo, a pescaria, correio-elegante, saltar a fogueira, argola, saltar as brasas da fogueira entre outras.

Como não poderia deixar de ser, também há muitos tipos de comidas como: pipoca, milho verde assado, paçoca, pé de moleque, canjica, batata doce assada ou cozida, pamonha, curau, bolo de milho, arroz-doce, pinhão etc. Ah, a bebida tradicional mais servida é o quentão, porém existem pessoas que também servem um delicioso vinho quente.

O que não pode faltar numa festa junina são o mastro e a fogueira. Os mastros trazem imagens dos três santos juninos e são bem enfeitados com fitas e flores coloridas.

Já a fogueira apresenta, de acordo com o que instituíram católicos, formas diferenciadas, sendo a quadrada a de Santo Antônio; a redonda a de São João e a triangular é a forma da de São Pedro.

Voltando a falar da festa que papai realizava, acrescento que ela não era comunitária no tocante à organização e compra dos produtos pois ele fazia questão de bancar tudo sozinho, inclusive comprava fogos para os adultos e aqueles que serviam para as crianças acenderem e brincarem sem perigo. Não sei se esse comportamento seria uma característica de sua descendência italiana ou se havia alguma intenção religiosa.

Ele convidava amigos e familiares e pedia que convidássemos os vizinhos.

Então, logo depois do almoço ele e mamãe, iam preparando a cozinha e as vasilhas que iriam usar na hora da festa. Ali ao cair da tarde papai dava início aos trabalhos de cozinhar pinhões, fazer o quentão, preparar a lenha para a fogueira etc.

Depois de tudo pronto na cozinha ele acendia a fogueira e colocava nela as batatas doces e alguns pinhões para assar. E quando já havia bastante pessoas presentes, ele preparava a pipoca e ajudava a servir o pessoal, contente que ele só. Isso nós entendíamos apenas vendo em sua rosada expressão facial a alegria, já que ele era de pouco falar.

Ele comemorava São Pedro com gosto, disposição e alegria e, por isso me lembro daquelas festinhas com saudades de meu pai e da simplicidade de sua gostosa, simples e feliz festa junina.

Cambé, sexta-feira, 26 de março de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio.





O ROTARY INTERNACIONAL NA MINHA VIDA

Por esses dias li que a Associação Rotary Internacional, Fundações Gates, Ford e Bloomberg são parceiras na luta para erradicar a poliomielite no mundo, sendo 24 de outubro o dia mundial de combate à pólio.

Tais notícias me remeteram a lembranças do 12° Concurso de Monografias Brasil Rotário para Professores acontecido em 2005, evento que marcou a comemoração dos 100 anos dessa Associação com concurso de monografias do qual participei e tive a honra de ganhar o primeiro prêmio.

Não foi nada fácil para eu participar, porque naquele ano eu enfrentava a doença do meu marido com sua consequente morte no mês de abril. Portanto, eu estava construindo minha monografia em momentos delicados, sensíveis e frágeis para mim.

Meu apoio para tais momentos consistiu em que, à época eu fazia o curso de Capelania Hospitalar e, até pelos conhecimentos obtidos nesse curso que objetiva conforto e assistência àqueles que sofrem é que não enfrentei o fundo do poço no que se refere à depressão.

Houveram, ainda, apoio de meus familiares e de alguns amigos. Todavia, mesmo assim, após a morte de meu marido, ainda em abril, eu mergulhei por algum tempo numa depressãozinha.

O certo é que houve um fato muito importante que veio me tirar desse momento crítico pois, em maio, recebi a comunicação do Rotary Internacional de que eu havia sido a primeira colocada no concurso!

A surpresa foi grande! Até me pareceu trote, admito. Não porque eu não acreditasse na minha capacidade de bem redigir, mas sim em razão do contexto em que eu estava nos momentos em que criei o texto monográfico. A perda me fragilizou muito e, devido a isso é que, momentaneamente eu não acreditei que pudesse ter feito algo tão bom.

Mas, passada a surpresa inicial veio a satisfação. Afinal, esse prêmio projetou meu nome e o do município de Cambé a nível internacional o que se encontra registrado nos Anais do Rotary Internacional e, também, nos níveis nacional e municipal devido a ser uma dentre as várias etapas de comemoração desse primeiro centenário do Rotary.

Modéstia à parte, concorri com o total de 399 pessoas compreendidas entre candidatos do Brasil e de Portugal e, o primeiro lugar, só confirmou que fui eu quem apresentou melhor o tema da história do centenário rotariano dentre todos os inscritos.

Assim, esse prêmio me confirmou que eu escrevia razoavelmente. Sendo assim, não parei mais de escrever. Digo isso porque, anteriormente ao prêmio, eu escrevia apenas para familiares e amigos lerem e depois engavetava meus escritos. Na vida imobiliária existem os “contratos de gaveta”, em minha vida existiam os “escritos de gaveta” rsrs.

E não parando mais de escrever é que sou autora do livro “(des) Encontros” e, também, participei de algumas antologias como: “Cantos e contos de hoje”, “A natureza será bela?”, “O humor de cada dia”, “Crônicas e alguns contos”, “Entrelaçados” e, por último “Nossa Casa”.

Meu lado profissional também contribuiu com minha evolução literária porque na escola onde eu trabalhava elaborei projeto que objetivava incentivar os alunos a gostar de ler e de escrever através diversidades de autores apresentados a eles. Desse projeto resultou o livro “Talentos: textos poéticos”, contendo as obras dos alunos participantes sob minhas orientações, cuidados e organização do trabalho concluído, obra que foi publicada pela Secretaria Municipal de Educação de Cambé.

Mas, também tenho alguns outros projetos em processo.

De forma que aquele prêmio me trouxe maior segurança em me expressar e, escrevo tanto que tenho um blogue que alimento com prosas e versos, mas, também, contribuo voluntariamente para jornais municipais e alguns regionais.

Por isso é que agradeço e agradecerei sempre a oportunidade que o Rotary Internacional coloca à disposição de quem queira participar. Agradeço o primeiro lugar que obtive, porque foi esse fato que veio me valorizar e dar visibilidade e, também, elevou meu animo e ao colocar meu nome no registro internacional do Rotary enriquecendo, assim, minha evolução literária e valorizando minha imagem enquanto escritora.

Gratidão Rotary Internacional por tudo de bom que trouxe a esta humilde escritora.

Cambé, sexta-feira, 26 de março de 2021 - Marina Irene Beatriz Polonio.





CONSERTOS E CONCERTOS

Tenho uma mania: sou consertista! Faço consertos em uma ou outra roupa, em tampa quebrada, em parafuso que espanou, em móveis com probleminhas, colo ou renovo coisas quebradas, etc.

Troquemos de assunto, até porque não sou profissional de conSertos e, também, porque o que gosto mesmo são daqueles conCertos chamados de composições musicais, nos quais apenas os sons dos instrumentos são o show e, por isso mesmo, são chamados de músicas instrumentais.

Um concerto musical integra a harmonia, o trabalho, o gosto e a dedicação de pessoas com seus instrumentos musicais e suas partituras, todos guiados pelo trabalho cuidadoso do maestro que trata de harmonizar os sons.

Quando o grupo que toca apresenta muitos e variados instrumentos chamamos orquestras, as quais podem ser de câmara (para espaços pequenos) e as sinfônicas que precisam de grande espaço para se apresentar porque podem conter até cem instrumentos.

Músicas orquestradas (falo sobre as instrumentais apenas), eu as ouço com muito gosto porque me causam imenso prazer e porque, ao som delas, consigo “viajar”, meditar, “voar” e até dançar. Isso porque, de maneira sonora, elas carregam consigo o dom de acalmar e confortar.

Algumas dentre as tantas instrumentais de que gosto demais estão, “Bolero” de Ravel, “Fina Estampa”, “Chariots of fire”, “O guarani” de Carlos Gomes, “Ode à alegria” de Beethoven, “Seasons” (As quatro estações) de Vivaldi, a orquestrada e também cantada “Barcelona” com Freddie Mercury e Montserrat Caballe, “Ballade pour Adeline” que Clayderman toca encantadoramente ao piano. Mas vou parar de exemplificar porque minha lista é imensa.

Afirmo que meu gosto por músicas instrumentais é grande. Grande ao ponto de colocar como alarme, para eu acordar feliz e contente, a canção de Bach: “Cello Suite Courante” e, no telefone fixo “Funiculì, funiculà”.

Só quem tem paixão por tal tipo de música, ou é músico, ou é maestro como meu amigo VHG, sabe do que estou falando. Porque a sonoridade e expressividade de cada instrumento encanta, enlevando nossos sentidos. É um tal de “falarem” as cordas, as madeiras, os metais, a percussão, mas cada qual a seu tempo de atuação, no ritmo regido eficientemente pelo maestro e, portanto, num nível sonoro desejado.

Maravilho-me com a riqueza, beleza e maestria causados por esse estilo de apresentações musicais que considero belas, perfeitas, intensas e emocionantes.

-Cambé, quinta feira, 25 de março de 2021- Marina Irene Beatriz Polonio





É GUERRA!

No momento atual a pandemia do Coronavírus tem se mostrado mais agressiva, nefasta e mortal através do aparecimento de sua nova cepa (ainda pouco conhecida dos cientistas), mostrando que o vírus tem se reinventado a cada dia e que, com tais novos aprendizados acerca de como funciona o ser humano, vem driblado suas defesas e, desse modo, tem levado muitos à morte, fugindo daquele lugar comum de que os idosos são os mais vulneráveis.

As vitórias do coronavírus sobre as defesas humanas têm se mostrado democráticas já a partir de algum tempo, porque esse inimigo não está mais “escolhendo” apenas idosos. Agora a guerra é contra todo e qualquer ser humano.

E mesmo apesar desse vírus vir se mostrando voraz, renitente e fatal em sua sanha, o fato é que existem pessoas que parecem negar a fatalidade de sua existência desobedecendo regras políticas e sanitárias decretadas para preveni-lo e conte-lo. Essas pessoas não têm tido o pensamento coletivo de que só a união em favor da saúde e do bem estar de todos é caminho para acabar com esse guerreiro cruel.

E essa guerra acontece contra esse inimigo apenas! Muitíssimo minúsculo (ele tem o tamanho de uma milionésima parte de um organismo pequeniníssimo), esse inimigo Invisível aos olhos e vindo de uma família imensa, ataca todo o sistema respiratório dos seres humanos. É disseminado através das gotículas de saliva que são expelidas pelas pessoas infectadas que, quando falam, espirram ou tossem enviando o vírus às vias respiratórias (nariz, olhos e boca) daqueles com quem conversam. Porém, não apenas isso, porque esse inimigo também “caminha” pelos objetos manipulados pelas pessoas infectadas.

De forma que, lavar mãos reiteradamente, usar máscaras de tecidos grossos e distanciar-se dos demais por mais de um metro, além de praticar o isolamento social são medidas preventivas necessárias porque eficientes para que o vírus não se propague.

De modo que, os receios e medos que nos acometem o tempo todo durante essa pandemia, encontram-se entranhados nesses momentos de guerra sanitária que a sociedade mundial enfrenta, obrigando-nos a tomar uma atitude. Resta escolhermos o melhor caminho a seguir: se nos conscientizarmos de fazer nossa parte para combater esse inimigo que nos declarou guerra desde março de 2020 ou se ficamos à sua mercê sendo vencidos.

Diga aí, você vai deixar esse ser minúsculo, asqueroso e desprezível vencer a guerra, ou vai tomar uma atitude consciente em favor de todas as pessoas? Reflita sobre isso.

Cambé, sábado, 20 de março de 2021- Marina Irene Beatriz Polonio





DIABETES

SABE o que têm em comum Danton Mello, Paula Toller, Tom Hanks, José Loreto, Faustão, André Marques, Ana Carolina, Dado Villa-Lobos, Jorge Cajuru, Sergio Reis, Salma Hayek e Adib Jatene? Todos eles admitiram ter diabetes de acordo com o que é veiculado em algumas redes sociais.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes –SBD, diabetes é doença que se caracteriza pela elevação da glicose no sangue , elemento ao qual costumeiramente chamamos açúcar.

Você sabia que a glicose está para a vida assim como a gasolina está para o carro, ou seja, ela é a principal fonte de energia do nosso corpo. Presente no sangue, a glicose é nutriente obtido da digestão dos alimentos em geral e, portanto, é essencial porque necessária à saúde.

Contudo, para que isso aconteça de forma a controlar o açúcar no sangue, nosso corpo conta com três hormônios, sendo o principal dentre eles a insulina, a qual é produzido pelo pâncreas. Esse hormônio promove a entrada da glicose/açúcar para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para diversas atividades. Porém, se por algum motivo essa transformação não acontece e a insulina falta no corpo, o açúcar/glicose fica acumulado. Aí temos a tal doença silenciosa chamada diabetes.

Mas não foi para tratar de termos técnicos e científicos que comecei a escrever, até porque não sou formada em medicina. O que quero abordar com esta crônica são as dificuldades das pessoas quando os primeiros sintomas surgem e elas ficam sabendo estar diabéticas.

Vergonha, estresse, depressão, autoestima baixa, adaptações e muito mais, são sentimentos e ações que levam as pessoas em condição diabética a pensarem que são as únicas a terem o problema. Isso sem saber que o maior dos problemas que carregam é a desinformação.

Frustrações, preocupações, revolta, medo e dúvidas fazem parte da vida de quem tem essa disfunção. No entanto, a informação é um dos melhores auxiliares para os diabéticos, já que toda a vida da pessoa deve ser adaptada para que haja qualidade de vida e para que precauções e cuidados sejam tomados.

A pessoa se excluir dos diferentes grupos de convívio onde antes se inseria é um dos piores caminhos a seguir e, até nesse pormenor, a informação e o compartilhamento com colegas e amigos (além do médico especialista e da nutricionista) é uma via para se ter uma vida um pouco melhor e mais qualitativa.

A vida do diabético pode até ser positiva, desde que a pessoa se mantenha disciplinadamente organizada em seus horários, seja para comer, medir o nível do açúcar e até fazer aplicações. Mas o mais importante é que nada deve deter sua vida!

Se manter disciplinado e organizado com relação ao diabetes é muito mais fácil hoje em dia, porque em nossa sociedade midiática já há aplicativos para smartfones, tablets e outros, que ajudam a pessoa lembrar horários de medicamentos, dão dicas nutricionais e controlam os níveis de glicose no sangue. Você até encontra alguns deles gratuitos.

Para quem deseja buscar ajuda, também é muito fácil atualmente, porque há muita informação sobre a diabetes, já que existem muitos grupos na WEB e nas redes sociais, aos quais um diabético e seus familiares podem se unir e ganhar muito em qualidade de vida. Afinal, há muitos conhecimentos disponíveis, conhecimentos e cuidados com a diabetes os quais envolvem a educação em diabetes, seu tratamento adequado e o consequente acesso ao mesmo. Inclusive há Leis que beneficiam de uma ou outra forma os diabéticos. Sabia?

O que não vale é ficar parado e se abandonar aos ditames da diabetes, seja ela do Tipo 1 ou do Tipo 2. Mexa-se, estude, procure aprender para si e para ajudar as demais pessoas diabéticas. Busque não se isolar e faça disso sua bandeira!

Cambé, sábado, 05 de setembro de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio.





PRAGA DE GAFANHOTOS

A nuvem de insetos que está causando medo em alguns povos latinoamericanos está “viajando”, segundo as mídias, desde alguns meses vinda do Paraguai, passando pela Argentina e, parece, se dirigindo ao Brasil via Rio Grande do Sul, trazendo consigo fome insana e reprodução assustadora (pululação).

Poderia ser combatida com o manejo integrado de pragas. Contudo, os benéficos inimigos naturais dos gafanhotos talvez não tenham sido suficientes para controlar essa praga que se multiplica desenfreadamente. Diante disso é que algumas instituições agropecuárias brasileiras já se encontram em alerta para o combate com inseticidas, caso se faça necessário.

Povos africanos, asiáticos e outros têm, como uma de suas fontes de proteínas, os gafanhotos. Não se sabe, com certeza, se a instituição dessa culinária se deve à escassez de alimentos consequência de pós-guerra.

Gafanhotos existem desde sempre e, inclusive, são citados na Bíblia.

Em sua grande maioria, eles se caracterizam como insetos herbívoros que fazem uso do olfato apurado para detectar odores diversos: seja de comida, de predadores ou produtos químicos. Tanto é assim que, em Washington, já existe pesquisa sobre como usar um tipo específico para encontrar explosivos e combater o terrorismo afirma em artigo a organização BBC News.

De acordo com a EMBRAPA, eles gostam de clima quente e seco e compõem um grande número de espécies existentes. De modo geral esses insetos alternam fases gregárias com fases solitárias, e está na genética deles viverem próximos, especialmente na época de reprodução. “Se encontram condição de reprodução, sobrevivência e alimentação, elas se agregam mais, para ter mais chances de se reproduzir” afirma o pesquisador da EMBRAPA, Ivo Pierozzi Júnior. Segundo ele, as pululações estão ligadas ao clima e solo favoráveis.

Cambé, sábado, 05 de setembro de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio.





ESPERANÇA

A palavra esperança, no dicionário, traz por significado uma crença em realizar algo.

Acreditamos que a esperança seja uma bem-aventurança da alma e, por isso, cremos na tríade fé, amor e esperança sendo que, alguns de nós, também, crê e espera no Deus Pai Criador da Vida.

Todas as pessoas têm suas esperanças e as transmitem àqueles com os quais interagem. E nós, por estarmos às voltas com uma malvada pandemia desde alguns meses, recorremos sempre à Deus buscando preservar e manter nossa saúde, ou seja, mantemos nossa esperança sempre viva.

Mas não ficamos apenas esperando que Deus nos contemple com a saúde, mas sim, contribuímos com nossa parte fazendo escolhas que, esperamos, sejam as mais acertadas. Nesse contexto é que a esperança se faz parte essencial em nossas vidas porque ela nos permite ter calma, paz e sabedoria, tão necessárias para mantermos nossa saúde, de modo geral, num nível ótimo. E para que nossa esperança se mantenha nesse nível necessitamos, também, exercitar o segundo mandamento cristão que nos convida a amar uns aos outros.

Se confiarmos, verdadeiramente, no Deus da Vida e seguirmos esse segundo mandamento à risca, teremos sempre a autoconfiança para seguirmos em frente porque isso nos traz como consequência o fato de que, se quem amamos ou conhecemos está bem, nós também ficamos bem. E esse é o elo de união que deve haver entre as pessoas, independente de parentesco, crenças ou ideologias.

Em síntese, para construirmos um mundo cada vez melhor, nossa vida deve se alicerçar na fé em Deus e no amor ao próximo, dualidade na qual se sustenta nossa esperança.

Existe um círculo virtuoso que diz que: quem tem esperança exercita a confiança, quem confia é porque tem fé e quem tem fé tem Deus.

O certo é que todos podemos e devemos ter esperança, seja a natural (que é a última que morre) ou a espiritual que é a que não morre nunca.

De modo que, a esperança é muito importante e se faz fundamental à vida porque: ela nos faz sorrir, nos faz crer no futuro; alimenta nossa perseverança, aumenta nossa crença e até a nossa imunidade; nos torna fortes e aumenta nossa possibilidade de sonhar.

Por tudo isso é necessário que todas as pessoas muita fé e amor, na esperança de que tudo de ruim que nos separa neste momento pandêmico irá passar. Aguardemos esperançosos em Deus e em Sua infinita bondade.

Cambé, sábado, 05 de setembro de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio.





EFEITOS DA PANDEMIA

A pandemia do Novo Coronavírus nos levou a inaugurar muitos hábitos, comportamentos e até alguns sentimentos que não eram usuais em nossas vidas.

Entre eles: evitar contato próximo com as pessoas e, principalmente, com aquelas que estão com gripe ou tenham problema respiratório; deixar de nos abraçar e nos cumprimentar pegando na mão ou beijando rostos; lavar as mãos, correta e demoradamente, com agua e sabão depois de manusear quaisquer objetos; limpar nossos sapatos a cada vez que chegamos em casa; fazer uso de lenços descartáveis caso tenhamos coriza; procuramos espirrar ou tossir na confluência entre braço e antebraço se estivermos gripados; evitar tocar nossos olhos; tomar banho e a lavar as roupas com as quais saímos de casa; não compartilhar objetos de uso pessoal; manter os ambientes sempre bem ventilados; não se expor a contato direto com pessoas doentes; fazer uso constante do álcool gel caso não estejamos em casa, usar máscaras sempre que tivermos de sair de casa e mantermos distância mínima de 1,5 m das pessoas, nos isolar em casa etc.

Essas condutas preventivas objetivam dificultar ou impedir que contraiamos a tal COVID-19, doença respiratória grave e infecciosa que já se alastrou por todos os continentes e que, por isso se caracteriza como pandemia.

Diante dessa doença, alguns mudaram até a capacidade de sentir as coisas inaugurando sentimentos que talvez jamais houvessem tido antes como: angustia por não poder: sair/abraçar/afagar/beijar/etc.; medo de contrair a doença; inseguranças várias referentes ao desconhecimento total dela e ao seu contágio; depressão pela solidão do isolamento e pela falta dos entes queridos à nossa volta; muitas incertezas e dúvidas acerca de até quando e se essa doença vai ser extinta, desejos reprimidos por nos privarmos de sair/visitar familiares e amigos; tristezas e comoções por estarmos perdendo pessoas queridas; ter moral/equilíbrio emocional/imunidade rebaixados por conta da realidade e pelas abordagens que as mídias diversas dão às informações e, também, pelas Fake News que geram muito mais incertezas nos deixando sem saber em que ou em quem acreditar.

Diante disso, algumas pessoas têm buscado fuga para esse status quo na beligerância gratuita causada por ninharias as quais podem trazer violências verbais e outras, comportamentos e confusões que acabam gerando mais estresse, insônia, humores variados etc., atitudes que configuram um pandemônio.

Contudo, existem lados bons que afloraram nessa pandemia. Um deles seria a bondade e a compreensão com o próximo o que chamamos solidariedade. Outro consiste na empatia, aquela capacidade de nos colocarmos na situação que nosso próximo está vivenciando para podermos compreender seus sentimentos e suas emoções e, dessa forma podermos ajudar e ou conforta-lo.

Afinal, e ainda bem, em tudo que acontece sempre há dois lados.

Cambé, sábado, 05 de setembro de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio.





TEATRO DA VIDA

Nossa vida parece uma peça de teatro. Explica-se essa afirmação pelas justificativas e motivos que seguem.

Ora parece ser uma comédia porque apresenta situações engraçadas e divertidas que nos entretêm e nos levam ao riso.

Ora nos apresenta situações problemáticas e tumultuadas, nos apresentando fatos trágicos e acontecimentos comoventes e tristes configurando-se, ora como drama e, outras vezes, como tragédia e, em determinadas vezes, até nos traz os dois juntos. Arg! (Esta é uma expressão de descontentamento apenas. Rsrs). Até para, simplesmente, explicar essa expressão se juntam drama (descontentamento) e comédia (risinho irônico utilizado pelos internautas).

Imagine que isso deve acontecer muito quando estamos empenhados em atuar nos diferentes palcos da vida. Isso porque, nosso ciclo de vida envolve ações vitais que desempenhamos - cotidiana umas e casualmente outras - nas mais diferentes formas: orgânica, acadêmica, pessoal, pública, familiar, social, emocional.

De maneira que, desde que nascemos e até nossa morte (a qual faz parte natural da vida), nosso ciclo vital pode nos apresentar, às vezes, coisas boas e, noutros momentos, coisas ruins.

Contudo, conheci pessoa que costumava dizer que “tem que ficar muito ruim para melhorar” que é o mesmo que falar que “depois da tempestade vem a bonança”.

Assim é que, desde aquele dia em que nascemos e abrimos as cortinas desse palco enorme que é nossa vida, nos pusemos a atuar construindo nossa existência, lutando, sofrendo, rindo, chorando etc.

Tudo porque, essa peça não nos permite ensaios porque é única. Nela somos os diretores e os atores principais. Portanto, devemos utilizar todos os nossos esforços para dirigir e atuar nessa peça da melhor maneira possível, tendo por objetivo que nossa atuação seja inesquecível e exemplar para uma maioria de pessoas.

E, nos entremeios desses tantos momentos que estivermos nesse palco, devemos nos esforçar para atuar de forma a que conquistemos a felicidade, mas sem prejudicar os demais atores com quem dividimos os espaços.

E vale lembrar: isso antes que, ao final, se fechem as cortinas para sempre.

Cambé, 09 de julho de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio





O MÊS DE MAIO PARA MINHA FAMILIA

Meu pai, por força de aprovação em concurso e já como representante do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE trouxe nossa família para morar em Cambé. O ano era 1955.

O nosso dia de chegada junto com a mudança, foi num dia muito chuvoso. Tão chuvoso a ponto de o caminhão que nos trouxe e à mudança ter que parar na Rua Belo Horizonte. E todos, a pé, escorregávamos umas tantas vezes no lamaçal que fomos obrigados a percorrer da Rua Belo Horizonte até a casa alugada por papai que ficava na Rua Equador, logo no segundo quarteirão depois de atravessarmos a linha férrea. Foi uma procissão estranha onde cada qual de nós, oito filhos mais papai e mamãe, carregávamos uma peça da mudança por vez e procurávamos nos manter em pé naquela terra marrom-café grudenta.

Nesse endereço da Rua Equador, bem na sala de nossa casa é que papai estabeleceu seu primeiro escritório de atendimento do trabalho para o IBGE. O segundo escritório já passou a funcionar em espaço cedido pelo prefeito da época, no primeiro andar da Prefeitura Municipal de Cambé.

Como o município ainda era jovem, a vida social era muito limitada porque contava, à época, apenas com o Tênis Clube de Nova Dantzig e dois cinemas: o Cine Universo e Cine São José (depois São João). Assim, a religiosidade acabava dando muitos motivos para os munícipes participarem das atividades litúrgicas da igreja.

Dentro desse contexto social e até conhecermos um pouco mais a cidade que para nós ainda era estranha, nada mais natural para uma família com muitos filhos do que buscar lazer gratuito e que encaminhasse os filhos a formarem-se com bons valores. Assim é que conhecemos no ano de 1956 o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, o qual já contava três anos de fundação.

Mesmo esse colégio sendo uma escola de origem católica as irmãs salesianas, tão queridas de todos nós, crianças e moços que frequentavam o colégio, permitiam que os munícipes frequentassem as missas e as festividades referentes às datas comemorativas religiosas realizadas naquele espaço.

Sendo nossos pais católicos, sempre nos levavam ao Colégio para frequentarmos as missas e outros festejos que eram gratuitos.

O mês de maio sempre tinha duas festividades importantes: a de Nossa Senhora de Fátima (dia 13) e a de Nossa Senhora Auxiliadora (24).

Lembro-me, porque decorávamos de tanto que gostávamos de cantar, das lindas letras das musicas que cantávamos em comemoração ao dia dessas duas santas.

A letra da musica de Nossa Senhora de Fátima chama-se 13 de maio e cantávamos assim:

“A treze de maio na Cova da Iria
No céu aparece a Virgem Maria
Ref. Ave, ave, ave Maria (2 X)

A três pastorinhos, cercada de luz
Visita Maria, a mãe de Jesus
Ref. Ave, ave, ave Maria (2 X)

A mãe vem pedir constante oração
Pois só de Jesus nos vem a salvação
Ref. Ave, ave, ave Maria (2 X)

Da agreste azinheira a Virgem falou
E aos três a Senhora tranquilos deixou
Ref. Ave, ave, ave Maria (2 X)

Então à Senhora o nome indagaram
Do céu a Mãe terna bem claro escutaram
Ref. Ave, ave, ave Maria (2 X)

Se o mundo quiserdes da guerra findar
Fazei penitência de tanto pecar
Ref. Ave, ave, ave Maria (2 X)

A Virgem lhes manda o terço rezar
A fim de alcançarem da guerra o findar
Ref. Ave, ave, ave Maria (2 X)

Com esses cuidados a mãe amorosa
Do céu vem os filhos salvar carinhosa
Ref. Ave, ave, ave Maria (4 X)”.

A história contada nessa letra musical é de fácil entendimento de que logo após a Primeira Guerra Mundial, em 1917 Nossa Senhora de Fátima aparecia para três pastorezinhos e lhes deixava mensagens. Porém a de Nossa Senhora Auxiliadora, essa nós cantávamos mesmo sem entender o que queria dizer.

Quando adulta pesquisei a letra e pude saber que foi feita em razão de um “milagre” de Nossa Senhora Auxiliadora por ter protegido os europeus da investida do império otomano em 1571 e que essa letra descreve a suplica de todos daquela época a essa santa. A letra diz:

“Auxiliadora, Virgem formosa, dos pequeninos, Mãe dadivosa.
De mil tormentas entre o furor, teus filhos salva, Astro de Amor.
Bradamos todos, numa só voz: Auxiliadora! Rogai por nós! Auxiliadora! Rogai por nós!”.

Tanto no dia 13 como no dia 24 de maio, as dependências do colégio eram todas enfeitadas com flores retiradas das plantas que as irmãs cultivavam lá mesmo, com cartazes bonitos e bem enfeitados em folhas de cartolina, com tecidos bem arranjados para formar o altar para as orações e missa. Mas não era só isso que acontecia lá nos dias de festas! Nós brincávamos de roda, ouvíamos historinhas infantis, aprendíamos orações e a adorar a Deus etc.

De maneira que os dias de festividades eram sempre muito alegres e prazerosos tanto para os pais quanto para os filhos. Por isso é que todos nós íamos para casa contentes, felizes e agradecidos por dia tão especial.

Segunda feira, 04 de maio de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio





MINHA PAIXÃO PELAS FLORES

Tenho paixão por toda flora: flores, plantas e árvores. E toda pessoa que me conhece sabe disso. Mas decidi falar sobre flores porque acredito que a maioria das pessoas goste delas. E também porque, para mim, mais bonito do que uma flor, só muitas flores.

Sei que muita gente famosa já cantou ou fez versos sobre flores, porém, o assunto não se esgota.

A maioria das flores já nasce bonita. Algumas podem até ter espinhos, mas continuam sendo belas mesmo assim!

Flores perfumam, colorem e alegram-nos com suas presenças. Além disso, exalam deliciosas fragrâncias. Isso é tão verdadeiro que, basta estar perto de uma florada e nosso olfato logo acusa a presença delas.

Isso porque, o Criador as dotou de todas as cores, formas e perfumes para atraírem os insetos e pássaros de modo a serem fertilizadas para termos frutos ou sementes apenas.

Em minha família, usávamos fazer uma receita de flor de abobora empanada ou a milanesa que era uma delicia. Acredito que haja quem não saiba mas, as flores estão ocupando lugar até na culinária moderna, sendo que muitos chefs fazem pratos nos quais usam flores!

Flores servem para trazer alegria ou para comemorar aquele dia que deve ficar bem marcado em nossa memória. O outro lado da existência delas é que também servem para enfeitar dias tristes.

Mas é digno de nota que, suas embriagantes belezas fazem delas presente mais que especial para algumas pessoas. Já existem outros que nem gostam de tê-las ou, sequer, vê-las por perto. Não sei se por lembranças tristes que elas lhes tragam ou se por quaisquer outras razões.

Todavia, quer estejam solitárias ou em buques, na maioria das vezes as flores provocam ternura, prazer, afetos e emoções de diferentes tipos. Mas, depois de tiradas da planta-mãe, ressentem-se e murcham até morrer, muito embora, hoje em dia, já existam alguns macetes para prolongar suas importantes vidas em vasos e arranjos.

Existem pessoas, em geral mulheres, que jamais ganharam uma única flor ou um buque delas e conservam no fundo do coração o desejo de recebê-las. Duvida? Se nunca presenteou alguém com flores, procure fazer isso e prepare-se para o interessante resultado de seu inusitado ato.

Sobre flores ainda se pode dizer muito mais do que isso.

Você, leitor, já presenciou algumas plantas a adornarem-se com suas florinhas prontas a se reproduzir através de sementes que, algum tempo depois, irão processar o desabrochamento de novas plantinhas no ciclo infindável da vida? Então experimente vivenciar isso porque se trata de um lindo espetáculo.

O que não se pode é deixar de admirar essas maravilhas com que o Criador dotou nossas existências e que, seja maravilhando-nos com tão decorativa presença, ou até com os frutos com os quais algumas delas nos brindam, devemos agradecer a bênção de tê-las.

Cambé, terça-feira, 14 de abril de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio





PHYSALYS

De acordo com alguns amigos, capucho, mata-fome, camapuan, balão e tomatinho barrela foram alguns dos nomes que fiquei sabendo serem usados para denominar uma planta que os abençoados passarinhos ”plantaram” no meu vaso, planta essa que eu desconhecia até então.

Na Internet eu soube que esse arbusto é originário da Amazônica e dos Andes e que possui algumas variedades cultivadas na América, Europa e Ásia. Soube também que essa planta pode chegar até dois metros de altura.

Suas delicadas e redondas frutas são envolvidas por uma folha verde fina, pude comprovar. Quando a folha que envolve o fruto seca, que geralmente é quando o fruto está maduro, elas adquirem a coloração bege. Quando nasceu a plantinha, cuja única semente alguma avezinha trouxe para mim, fiquei maravilhada porque, além de ter folhagem diferente daquelas que eu conhecia, depois de alguns meses de crescimento ela me apresentou suas minúsculas florezinhas brancas que logo, logo deram lugar a um bonito balãozinho com abertura para baixo. Detalho a descrição porque, pesquisando na internet, eu soube haver cerca de 90 espécies desse gênero de planta.

Depois dos ”balõezinhos” já grandinhos é que se pode notar, em seu interior, haver uma pequena bolinha verde escuro que é seu fruto, a qual vai crescendo enquanto vai se tornando de um amarelo que, de tão forte, pode ter a cor confundida com a cor alaranjada e até com um vermelho desbotado.

Outro fato interessante para mim foi que, quando os primeiros balõezinhos apareceram tive uma curiosidade e surpreendente encanto porque estavam próximos os dias de Santo Antônio, São João e São Pedro. Daí eu tirei fotos e mandei - via whatsapp - para meus amigos e familiares com o objetivo de saber se alguém conhecia tal planta. Meu irmão ainda arriscou que poderia ser “balãozinho de São João”. Feita desse modo a pesquisa foi em vão.

Acontece que, algum tempo depois apareceu em minha casa a amiga Bene que “desvendou” o mistério dizendo que comia muito as frutinhas do capucho e que essa planta nascia entre as plantações da roça. Já era alguma coisa eu saber que o fruto era comestível.

Mas, foi somente no domingo dessa mesma semana que o programa Revista Globo Rural abordou assunto sobre uma plantação de uma espécie de juá chamado pelo nome cientifico de physalis. Informava, também, que essa planta pertence às famílias do tomate, da beringela, da batata e do pimentão e que a bolinha de dentro do casulo, redondinha como é parece-se com um pequeno tomate.

A planta que nos fornece a physalis é um pequeno arbusto rustico que não exige muitos cuidados. Contudo, suas folhas devem ser muitos agradáveis ao paladar dos insetos que, mal chega a floração e eles vão picando todas as folhas. Em razão disso é que os agricultores que plantam essa espécie devem fazer o controle e manejo das pragas.

Segundo apurei no site revistagloborural, a physalis tem sabor dulcíssimo e ácido quando consumida in natura. Eu, como já tive a experiência de comer tais frutinhas numa festa, posso afirmar que o sabor se assemelha ao de um tipo de tomate. Além disso, bonita como é, quando madura, serve de elemento decorativo a docinhos de festas, dai seu preço ser muito elevado porque, no Brasil, ainda é pouco explorada.

Também, essa fruta serve para fazer molhos, compotas, doces, geleias, sorvetes e licores. Informa o site ainda que a physalis, além de ser rica em vitaminas A e C e ainda contém fósforo e ferro. Fiquei sabendo que suas folhas, frutos e raízes são usados na medicina popular para combater alguns males.

Todo o acontecido foi um aprendizado interessante. Ainda hoje tenho pés da espécie que se multiplica muito e desfruto de sua beleza e... sabor.

Domingo, 29 de março de 2020. Marina Irene Beatriz Polonio





ORAR COSTUMA FAZER BEM

A letra da musica “Orar costuma fazer bem” (cantada pelo padre Zezinho) faz-se pertinente à história que experienciei por ocasião da Pascoa de 2019, a qual contarei a seguir relacionando a musica ao fato.

A musica afirma que “Orar costuma fazer bem” e que “O coração de quem se entrega à oração Tem mil histórias pra contar”. Tudo muito verdadeiro para eu que creio porque de outro modo não teria o que contar aqui.

Aquele foi um dia de Páscoa maravilhosamente abençoado, de tal maneira que, ao crepúsculo, saí para a minha varanda (de onde é possível eu contemplar o horizonte e, nele, as estradas que se cruzam para ir a Warta e a Bela Vista do Paraiso), sentia-me tão grata a Deus pelas bençãos recebidas e pelo dia a terminar que resolvi agradece-Lo ali mesmo. Emocionada com a paisagem cujo lusco fusco me permitia ver apenas os faróis acesos dos veículos que iam para aquelas localidades ou vinham para Cambé ou Londrina, falei com Deus de maneira fervorosa!

E aqui cabem os seguintes versos da citada musica: “Orar costuma fazer bem, O coração de quem conversa com o céu, Tem tanta coisa pra dizer”. Sim, meu olhar voltava-se para o céu numa devoção que traduzia amor a Deus por tudo que Ele me proporciona e, também, gratidão pela linda paisagem física que acontecia no horizonte em forma de ires e vires de luzes amarelas.

Eu olhava para o alto que é como diz a musica: “Invocando a grande luz”, d´Aquele que em minha crença é o Senhor do Universo e, também porque creio ser lá, em algum lugar do alto, “[...] está Jesus”.

Agradecia e tornava a agradecer por não saber se Deus estava me ouvindo e, enquanto isso, num rápido lampejo meu olhar se fixa no horizonte onde, de repente, os faróis amarelos estavam todos como encostados uns aos outros perfazendo uma linha amarela de Norte a Sul e outra de Leste a Oeste, cruzamento que desenhou uma caprichada e dourada cruz, símbolo da salvação para os de minha religião.

Aquele fato que, coincidentemente coroou minha oração, trouxe-me a certeza que uma força maior, ou melhor, “Uma força diferente”, vinha me mostrar que minhas orações de agradecimento e arrependimento foram ouvidas pelo Destinatário Maior. Chorei de tão emocionada e feliz e prometi a mim mesma que contaria tal “milagre*” a outros.

Como meu próximo encontro com pessoas seria na quarta feira seguinte, quando tenho aula de LIBRAS, resolvi contar o acontecido, em língua de sinais, a meu professor, tanto para divulgar o ocorrido como para saber se eu já sabia me fazer entender falando com as mãos, corpo e expressões. Deu certo! Contudo, considerei que deveria dar testemunho disso a mais pessoas, razão pela qual escrevo esta crônica. Considerei aquela cruz amarela, perfeitamente desenhada na estrada como um dos pequenos milagres que o Senhor do Universo nos concede. Por isso o título da musica é conveniente ao que escrevo porque orar, realmente, costuma fazer-nos bem.


*Chamo ao fato milagre em razão de morar nesta casa há mais de quarenta anos e, mesmo eu estando sempre de olho no horizonte descrito, jamais isso aconteceu! E justo acontece exatamente quando eu, inconscientemente, tinha desejos de conhecer se o Criador ouvira minha oração.

Quinta feira, 26 de março de 2020. Marina Irene Beatriz Polonio





E se eu...

Não gostasse de estudar?
Não tivesse fé?
Não fosse pessoa de garra quanto ao que deseja?
Não tivesse me casado?
Tivesse consentido quando meu marido me pedia para não me pintar ou me arrumar melhor?
Tivesse aceitado quando meu marido quando dizia que eu ficasse em casa apenas cuidando dele, da casa e dos futuros filhos?
Não tivesse tido um filho abençoadamente maravilhoso?
Não tivesse realizado meu sonho de adotar uma criança?
Não tivesse perdido, para os céus, a criança que adotei?
Não tivesse feito: bonecos, sanduiches, digitações, resumos de livros e outros trabalhos além daqueles profissionais que tenho registrados em minha carteira?
Não houvesse sido manicure, cabeleireira, professora particular de inglês/matemática/português/ciências, costureira e professora de artesanato do MOBRAL?
Não tivesse, voluntariamente, substituído muitos professores na rede municipal de ensino enquanto era estudante do magistério?
Não tivesse frequentado muitos cursos de formação enquanto fazia a faculdade na busca por complementar meus conhecimentos?
Não tivesse sido ledora para pessoas deficientes visuais e/ou cegas?
Não tivesse feito pós-graduação?
Não tivesse trabalhado numa fábrica de malas e numa outra de molas?
Não tivesse sido catequista e membro de equipes litúrgicas da igreja?
Não cursasse um curso de pintura em tela?
Não tivesse dado algumas palestras para mãe solteiras em condição de risco?
Não tivesse meu blog para escrever?
Não tivesse formação para exercer Educação Especial?
Não tivesse lido sobre e exercitado minha oratória?
Não tivesse trabalhado como revisora num jornal da cidade?
Não tivesse participado da Comissão de Festejos da comunidade eclesial onde moro?
Não tivesse buscado conhecimentos para ser uma capelã?
Não tivesse trabalhado numa secretaria municipal de educação?
Não houvesse feito um projeto (com meus alunos) que gerou um livro?
Não houvesse começado a escrever para jornais?
Não houvesse participado de tantas antologias?Não tivesse perdido meu marido?
Não tivesse participado, certa vez, da chapa ganhadora para gerir a Associação dos Funcionários de Cambe?
Não tivesse trabalhado em recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE?
Não trabalhasse tantos anos na escola, em segundos períodos, para complementar a renda familiar?
Não buscasse cursar LIBRAS?
Não tivesse amigos especiais como tenho?
Não fosse participante de colunas em jornais?
Não tivesse a mania de poetar e escrever sobre tudo que sinto, penso e vejo desde mocinha?
Não houvesse dado aulas de pintura em tecido, crochê, ponto cruz e artesanatos variados?
Não tivesse participado e ganho o concurso de monografia alusivo aos 100 anos do Rotary Internacional?
Não tivesse escrito alguns livros?
Não tivesse família e familiares maravilhosos como tenho?
Não tivesse criado as chances que criei para minha vida?
Não tivesse aproveitado as oportunidades surgidas em minha vida?

... surge a seguinte questão: quem eu seria?

20 de março de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio





MUTIRÃO

Quando papai e mamãe moravam em seu pequeno sitio, na roça, havia um tipo de trabalho coletivo para solucionar uma necessidade que levava um dia todinho para ser realizada. Isso porque era impossível para um casal realizar tais atividades sozinho. Tratava-se do Puxirum, Muxirão e até Peixerão, nomes com os quais o pessoal de Reserva (Paraná) denominava o mutirão. Tratava-se de uma troca de favores entre os sitiantes.

Esse mutirão, que dependendo do lugar recebe outras variantes para o nome, era um trabalho coletivo que podia acontecer das mais diferentes formas: capinar e manter limpa a roça, matar porcos/vacas/etc., fazer pães/bolos/doces para preparo de uma festa de casamento ou comemoração de nascimento, construir uma casa, fazer a colheita de frutas ou o plantio da lavoura e outros tantos trabalhos mais.

No dia marcado, madrugadinha ainda, lá vinham as famílias todas com seus homens, mulheres e crianças para trabalhar. Todos traziam seus instrumentos de trabalho.

Como era praxe, os donos da casa onde aconteceria o mutirão ofereciam o café da manhã. Depois de bem recebidos e já alimentados os trabalhadores eram divididos e todos punham mãos à obra.

Se fosse matança de animais, os alimentos do almoço e jantar já tinham as carnes garantidas.

Quase sempre os sítios tinham rio em seus limites, de modo que havia dias em que alguns homens pescavam e os peixes, produtos da pesca, eram assados e servidos em refeição para todos.

Já para os cafés da tarde as mulheres e crianças confeccionavam pães, bolos, doces e refrescos de frutas da época.

Às crianças se reservavam “trabalhos” fáceis e prazerosos como ajudar as mães, aprender a fazer uma coisa ou outra, cuidar dos bebes e dos irmãozinhos menores e outras brincadeiras mais. Conhecer e brincar com crianças dos sítios vizinhos também era atividade constante e prazerosa para os pequenos.

Quando os trabalhos do mutirão terminavam, todas as famílias recebiam algo em troca. Se fosse colheita recebiam uma parte dela, se fosse matança de animais poderiam receber partes das carnes dos bichos mortos (linguiça, defumados, etc.). Se fosse colheita de milho verde recebiam pamonhas/curau/bolo de milho/broas. E assim por diante. De forma que nos sítios de todos ocorria da mesma forma, ou seja, ninguém utilizava dinheiro para a paga dos serviços, mas todos eram “pagos” com produtos dos trabalhos realizados.

Pensou que chegou ao fim este relato? Não! O fim, a melhor parte dos mutirões, sempre vinha com o termino de todos os trabalhos e, depois da trabalheira toda, ali mesmo os pais se reuniam rapidamente e marcavam um piquenique com as famílias. Escolhia-se um rio bem bonito para “acampar” e um dia especifico que era quando cada família deveria levar um tipo de comida. Então o dia estava finalizado e todos seguiam para seus lares depois de terem cumprido mais um dia de mutirão.

Chegado o dia marcado para o piquenique, todos das famílias levantavam-se cedinho para carregar os carroções onde se aboletavam as pessoas e onde eram colocados todos os utensílios a serem utilizados.

Ao chegarem no local, eram retirados paus e pedras do espaço escolhido que, depois, de limpo, recebia as mesas e tudo o mais que estava nos carroções. A seguir, enquanto os homens pescavam e/ou caçavam, as mulheres conversavam e arrumavam todas as coisas, cuidavam de seus filhos e até cantavam! Tendo chegado os homens a festança acontecia!

Lá pelo inicio do entardecer, juntavam-se todos os tarecos trazidos e, com a confecção de uma fogueira, acontecia uma cantoria de parte de todos ao som da gaita de fole, violas e violões trazidos por alguns. Dai sim o arrasta-pé acontecia para valer e para descontrair. Essas festas, além de trazerem a alegria a todos os envolvidos, também propiciavam que moças e moços solteiros conhecessem suas almas-gêmeas entre as famílias conhecidas.

O coroamento da festa era quando os carroções poloneses (comumente usados para carregar famílias, compras e equipamentos a serem utilizados na roça) que eram puxados por mulas, eram recarregados. Logo apagava-se a fogueira, subiam as pessoas nos carroções e... lá se iam todos comentando as horas e acontecimentos, satisfeitos e contentes enquanto que as crianças iam dormindo e sonhando felizes.

Assim é que aqueles mutirões não apenas cumpriam sua finalidade de ajudar o próximo, mas também promoviam os laços de amizade ou amor, de desestressamento de todos e, bem por isso, agradavam a todos.

24 de fevereiro de 2020 – autora: Marina Irene Beatriz Polonio





BORBOLETAS

Se você não tem flores ou jardins em sua casa será difícil ver uma borboleta nesse espaço. É isso mesmo. A vida urbana é corrida e faz com que as pessoas ajam dentro da praticidade: flores e vasos com arbustos artificiais, grama sintética para não gerar gastos e sujeira e, muitas das vezes, nem isso.

Penso ser por isso que as borboletas desapareceram. Elas com sua beleza e seu poder de polinização, sua delicadeza quase diáfana, além de estarem fugindo da poluição das cidades, também fogem porque suas plantas preferidas não mais estão existindo nos lugares por onde elas passam. Se você não sabia, fique sabendo que as borboletas, como os demais insetos e animais, têm preferência por determinados tipos de plantas.

As lepidópteras têm preferências alimentares de acordo com a fase de vida e espécie. Saciam sua fominha sugando o néctar das plantas de onde retiram aminoácidos, proteínas e vitaminas para sobreviver.

No ciclo de vida larval ou lagarta, algumas delas se alimentam vorazmente de: couve, bromélias, gramíneas, manacá, planta do maracujá, folhas de serralha e outras, com o que criam suas reservas alimentícias. Quando adultas, complementam sua alimentação com o néctar das flores e os sucos das frutas. Pena que sua vida é curtíssima, pois de acordo com a espécie, uma borboleta pode durar pouco mais de três meses.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente brasileiro, muitas espécies nativas estão em risco de extinção. Pela utilidade que possuem é que, em alguns países, elas são protegidas por leis.

Desde há alguns anos foi instituído o Ano Internacional da Biodiversidade pela Organização das Nações Unidas - ONU. A partir da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável foram realizadas diversas atividades dentre as quais a criação de um borboletário em Manguinhos – RJ, lugar onde os visitantes conhecem tudo sobre esse inseto e, por conseqüência, como esses pequeninos seres vivos contribuem para o equilíbrio ecológico do planeta. Iniciativa que visa à transformação da consciência da juventude brasileira a respeito do futuro do planeta. Rubem Alves afirmou sobre as lepidópteras: "Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."

Isso está sendo quase verdadeiro na medida em que, se vemos alguma borboleta em alguma flor ou mesmo esvoaçando por aí, elas se reduzem às monarcas que, não deixam de ser lindas, mas que são as mais comuns dentre elas. Pense nisso!

24 de fevereiro de 2020 – autora: Marina Irene Beatriz Polonio





EM NOME DE DEUS

Acredito que pessoas que subvertem os princípios cristãos contidos na Palavra de Deus e desrespeitam outras religiões, que não a sua, afrontam os ensinamentos que Cristo nos deixou.

Eu acredito em Cristo antes de qualquer nomenclatura religiosa. Assim fui ensinada por meus pais, mesmo apesar de ser católica: todos somos filhos de Deus e ninguém é melhor ou pior diante de Seus olhos.

Esta resumida introdução serve aos propósitos desta crônica que objetiva abordar ínfimos fatos do meu cotidiano que revelam que muita coisa ruim vem ocorrendo em nome do Pai desde que o mundo se tornou mundo.

Recorro à pedagogia materna para explicar que minha mãe, muito cristã, ensinava que toda forma de vida vem de Deus e que Ele está em todas as coisas vivas: sementes, plantas, pássaros em revoada, pessoas (mesmo aquelas que Nele não crêem) e que se faz presente ainda na terra, no mar, no ar, em tudo enfim. Ou seja, Ele, além de Fonte de toda vida, é Magnânimo e se faz presente sempre.

Com tais ensinamentos que tivemos, eu e meus irmãos, é que questiono alguns procedimentos de pessoas que se denominam pessoas de Deus.

Como pode uma pessoa de Deus se arvorar de que a sua instituição religiosa é a melhor Dentre todas?

Como pode também, em nome de Deus, dizer que o Deus da sua instituição religiosa é único e que os demais são falsos? Inclusive, numa atitude de pura falta de educação, de tolerância, de respeito, e de falta de amor ao próximo, como pode atacar verbalmente o Deus de pessoas de religiões diferentes da sua, inclusive, tripudiando e xingando os usos, dogmas e costumes dessas outras religiões?

Essa intolerância religiosa, tenho quase certeza, vem das pessoas e não de uma ou outra denominação religiosa porque acredito que padres e pastores não ensinam seus fiéis a julgarem ou maltratarem alguém em nome de Deus, mas sim que preguem o Evangelho.

Sabemos que Jesus deixou-nos como principais mandamentos: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento; Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos derivam todos os demais em nossa religião. Eu creio nisso porque creio na Bíblia, assim como creio que Jesus esteve neste mundo e Deu-nos mostras de muito conhecimento, Deixou-nos exemplos de atitudes cristãs como a humildade, o amor, a misericórdia, a mansidão e o perdão.

Então, como proceder diante de pessoas que se acreditam santas e que, em nome de Deus, mostram-se tão incoerentes, tão intolerantes e orgulhosas a ponto de se proclamarem seguidores fiéis da Palavra de Deus enquanto que, na realidade, demonstram ser isso falso?

Deus, a Essência de Tudo, deve se sentir contrariado e chateado já que estamos imersos em tanta modernidade as quais se opõem às tantas obtusidades que testemunhamos porque Ele recomendou: Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também (Colossenses 3.12-13).

Assim, resta-nos deixar de nos preocupar com a fé dos outros e praticar o amor que Jesus ensinou para que edifiquemos Seus ensinamentos. Simples assim!

24 de fevereiro de 2020 – autora: Marina Irene Beatriz Polonio





VERDEJANDO E OFERECENDO FRUTOS

Novamente estou com mudinhas de árvores que, antecipadamente, já doei. São elas: tripa ou pés-de-galinha, amora silvestre, frutas-do-conde e até maracujazeiros. Falta apenas as pessoas – futuras donas - virem buscá-las. Até aí nada de novidade, já que é comum em minha rotina contribuir com mudas de flores, plantas e árvores para manutenção do meio ambiente e melhoria da qualidade de vida do planeta.

Ocorre que, desta vez a doação se tornou mais que especial porque elas, as mudinhas, não se destinam a apenas uma pessoa ou família, mas servirão para ajudar a "povoar" fundos de vales de determinadas comunidades cambeenses! É isso! Estou muito feliz porque são frutíferas e o coletivo dessas comunidades vai poder saborear os frutos que um dia elas lhes darão.

Isso me levou a relembrar uma outra ação ambiental coletiva que quase toda minha família realizou em determinada cidade paranaense denominada Porto Vitória, ao Sul do Paraná. Ocorre que lá, desde algum tempo há arvores frutíferas que minha família plantou num bosque que ladeia o rio chamado Espingarda.

Explico: minha família, resolvendo realizar nosso Encontro Familiar (sempre fazemos isso desde há alguns anos), escolheu a cidade de Porto Vitória por termos familiares lá. Como o tema de fundo do evento era reciclagem e reutilização, decidimo-nos por acrescentar a ele algo que fizesse com que os pequenos da família, tivessem como ação exemplar algo que tivesse relação com a preocupação ambiental e com eles mesmos e seus futuros enquanto cidadãos. Afinal, entendemos que a conscientização e preocupação com o meio ambiente não deve ocorrer apenas nas escolas, mas sim em todo segmento de nossas vidas e, por isso, pensamos na ação do plantio de mudas frutíferas visando contribuir, de maneira prática, para a sustentabilidade e para o melhoramento da qualidade de vida das pessoas, além da promoção da cidadania de nossos descendentes.

Para tal, falamos com a prefeita da cidade, à época a senhora Marisa de Fátima Ilkiu de Souza (2013-2016) que, gentilmente, acolheu nosso pedido, inclusive fazendo a cessão de mudas frutíferas e indicando o local onde as mesmas poderiam ser plantadas. Lá fomos nós todos – crianças e adultos – munidos de enxadas , pás e jacazinhos com as mudas, plantar as muitas fabriquetas de oxigênio – ÁRVORES. Foi uma festa para todos, porém, para os pequeninos de nossa família foi um ato que, além de inusitado para eles, foi muito prazeroso pois puderam entender, com as explicações acontecidas, que a manutenção da vida em nosso planeta está intimamente relacionada com a existência das árvores e que o plantio delas auxilia nossa vida porque elas diminuem o nocivo gás CO2 da nossa atmosfera, o que faz bem para nós e para o planeta.

De forma que, a ação do plantio das mudinhas frutíferas, onde quer que aconteça, além de deixar o cenário mais bonito com a diversidade das espécies plantadas, ainda terá sua utilidade, não apenas com a diminuição do calor e o aumento de nosso oxigênio mas, também e, principalmente, por fornecer frutos às comunidades atendidas. O plantio daquelas mudas consistem em legados exemplares e práticos às futuras gerações! Além do que, lá naquele solo deixamos uma parte da história de cada um de nós.

(Preguiça de pesquisar jacazinho no dicionário ou na web? Aqui vai o significado: pequeno cesto plástico preto em que se plantam mudas e que são enterrados com elas no solo definitivo.)

13 de janeiro de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio





BALANÇO

De repente uma introspecção
se abateu sobre mim.
Comecei a questionar-me o porquê,
já que, aparentemente, eu não via motivo.

Subjetivamente comecei a fazer um balanço de minha vida.
Coloquei no “pratinho das coisas boas”:
- o amor que Deus tem por mim, as bênçãos que Ele me concede a todo instante,
- aqueles que Ele coloca em minha vida para me enriquecer espiritualmente;
- filhos, nora, netos, irmãos, sobrinhos, primos, cunhados, e até um ex cunhado, ex sobrinho, ex namorado, ex professor etc.;
- amigos, colegas de trabalho, meus professores de Pilates/LIBRAS/pintura em tela, vizinhos e algumas pessoas “ocasionais” que bem poderiam ser os tantos alunos que tive;
- Um lar, as vestimentas, os calçados, os alimentos etc. etc. etc. enfim tudo de material que recebi;
- Meu trabalho, minhas obras escritas/pintadas/artesanais, os frutos do meu trabalho em todos esses setores e...

de repente, o “pratinho das bênçãos/ganhos estava cheíssimo.

Passei então a pensar nas coisas ruins que poderiam estar me entristecendo e, com certa vergonha, percebi que, as coisas boas eram tantas que eu não tinha motivos o bastante para estar triste ou introspectiva. De modos que... deixei de fazer o balanço das coisas negativas que alimentariam o “pratinho das coisas ruins” porque foram tão insignificantes diante de todas as bênçãos que recebi, que não valeria a pena listá-los.

Assim, pus-me a cantar louvando e agradecendo a Deus e cheguei até a sorrir, porque pensei que deveria haver alguma pessoa que precisasse do meu sorriso exemplar para, também, se sentir uma pessoa rica e sem motivos para ficar entristecida.

Gratidão Senhor por minha vida e por essa minha percepção de que, sem Vós nada somos!

01 de janeiro de 2020 - Marina Irene Beatriz Polonio





MUDANÇA DE HABITAT

Um Estava na hora de pintar o muro. Mas ali “residiam” muitas de minhas orquídeas em um espaço retangular de um metro e meio de altura por quase seis de largura. Então, eu tive de retirá-las de seu habitat de onde, por anos forneceram-me a majestosa visão de uma tela viva a dar floradas lindas, vistosas e de aroma perfumado.Não apenas eu, mas os familiares e as visitas pudemos privar dos espetáculos florais por muito tempo.

Houve, também, outros privilegiados com a existência desse quadro vivo no muro: os insetos e passarinhos que desfrutaram do imenso retângulo no qual encontravam, não apenas material para seus ninhos, mas também alimentos. Porém, todas as orquídeas ganharam um habitat mais apropriado.

Assim como minhas orquídeas mudaram de habitat por necessidade, existe um certo aracnídeo entre nós que já há algum tempo vem mudando de habitat, também por necessidade de se alimentar. Com isso ele está aterrorizando pessoas e até cidades por deixar vitimas fatais. Não, não estou me referindo a bicho grande, mas apenas a um bichinho pequeno, mas de veneno terrível, chamado escorpião.

Esse aracnídeo se alimenta de insetos porque é um carnívoro. De hábitos noturnos, ele é encontrado em locais que favoreçam o aparecimento de insetos como cupins, grilos, baratas, moscas, mutucas e pequenas aranhas.

Alguns dos locais onde costumam habitar são: telhas, tijolos, lajes e troncos empilhados, montes de pedra abandonadas, ou seja, são comuns em construções. Todavia, ultimamente os escorpiões estão buscando o ambiente doméstico para habitar. No escurinho e umidade de armários, guarda-roupas, debaixo de móveis, dentro de vasos e outros lugares que lhes possam oferecer proteção, eles entram, ficam e têm causado acidentes fatais ao inocularem pessoas com sua picada tão dolorosa. Portanto, se você quer que eles não adentrem sua casa, deve manter ralos bem tampados, terrenos limpos de troncos, pedras, de buracos e evitar o acúmulo de lixo para que ele não estabeleça seu habitat por aí.

Há cidade, aqui no Paraná, cujo prefeito resolveu fazer controle da onda de escorpiões que infestou o município usando galinhas. Até a população aderiu e passou a criar galinhas, porque galinhas e patos são dois predadores dos escorpiões.

Mas não pense que quem está na zona rural esteja livre da presença de escorpiões. Ocorre que algumas espécies vivem em ambientes como: florestas, pastagens, cavernas e sobre árvores.

E o abandono desses espaços mais rurais pelos aracnídeos se deve às monoculturas, à transformação de áreas em pastagens etc. fazendo que eles procurem alimentos nas cidades.

Portanto, cuide-se e, caso aconteça algum acidente escorpiônico com alguém que você saiba, ou onde você mora, levem a pessoa imediatamente para um hospital porque só um médico pode ajudar.

01 de janeiro de 2020 – Marina I. Beatriz Polonio





PRECISAMOS DE OUVINTES

Uma grande parcela de pessoas não sabe que existem diferenças entre escutar e ouvir. Ouvir significa perceber os sons pelo sentido da audição. Escutar significa entender o que está sendo captado pela audição. Ou seja, escutar é compreender e processar o que está sendo ouvido. Portanto, escutar exige atenção – olho no olho -, entendimento do que se está ouvindo, percepção das palavras utilizadas na comunicação, memorização e foco no assunto, bem como foco na pessoa que está falando.

Embora no nosso dia a dia ouvir e escutar estejam sendo utilizadas com o mesmo sentido, elas indicam situações diferentes e que são importantes para o bom estabelecimento das relações interpessoais.

Mas hoje já contamos com o recurso da escuta generosa/compassiva para conversarmos com as pessoas. A esse tipo de comunicação foi dado o nome de escuta ativa.

Durante muitas décadas a escuta ativa teve seu uso restrito às terapias psicológicas como parte terapêutica. Hoje em dia, entretanto, com tantos déficits de atenção de pessoas que não têm problemas psicológicos algum, diga-se de passagem, a escuta ativa ampliou seu campo de ação e ganhou tamanha importância que passou a ser utilizada por alguns gestores, por comunicadores e até por pessoas comuns.

Falar sobre escuta ativa/generosa/compassiva significa dizer que você foi escolhido por alguém para ouvir seu problema. Escutar ativamente essa pessoa requer de você atenção ao que está sendo dito e assumir comportamento de olho no olho. Isso é de suma importância na comunicação porque quem escuta ativamente realiza leitura de gestos e de reações que a pessoa escutada emite ao falar. Essa “leitura” que engloba as informações da fala, do corpo e dos sentimentos da pessoa é essencial para entendimento do porque a pessoa procurou alguém para conversar.

Um dos ganhos da escuta ativa é o alívio que ela produz em quem está falando e sendo ouvido. Alivio por poder “se abrir” com quem o respeita como pessoa. Sim, a escuta ativa é uma forma de respeitar sentimentos, emoções, opiniões e experiências de vida daquele que “se abre”. A pessoa ouvida sente o respeito e interesse de quem o ouve e passa a confiar nesse ouvinte. A consequência é que a pessoa que foi escutada passa a sentir-se tão importante, confortável e à vontade a ponto da sua atenção criar vínculos positivos de afeto com o ouvinte de seus problemas.

Todavia existem outros ganhos porque esse modo de escuta promove a quebra do mutismo e da desconfiança do outro porque motiva àquele que tem a oportunidade de comunicar-se porque alguém “se importa” com ele.

Atualmente, as redes sociais e, também, as novas tecnologias impedem as pessoas de dar atenção àqueles que precisam desabafar ou conversar.

Também é pelo uso exagerado e vicioso de tantas tecnologias que as pessoas não se importam mais com aqueles que necessitam conversar. Assim as pessoas vão se tornando ilhas propensas à depressão e ao suicídio.

Mas não pense que você apenas fingindo estar atento ao que uma pessoa lhe diz vale. Não vale! Telefones tocando, whatsapp emitindo notificações e você se mostrando inquieto com a demora da conversa fazem com que quem precisa conversar se retraia e pense não ser importante para você.

Precisamos de bons ouvintes atualmente. Mas, se você pretende dar atenção a alguém, escute-o de verdade, sem deixar que as dispersões citadas acima (e outras também) interrompam esse momento. Somente com a atenção da escuta ativa é que você pode ajudar alguém e desempenhar seu papel de cristão generoso e compassivo.

Ao exercitar a escuta ativa você pode estar livrando alguém da solidão, da depressão ou do suicídio. Pense nisso, afinal o Criador do Universo não Nos colocou neste planeta para vivermos sós!

30 de dezembro de 2019 - Marina Irene Beatriz Polonio





CEREJEIRAS EM FLOR

Cerejeiras do Japão são plantas arbóreas de médio porte. Chamamos de flor de cerejeira, mas, para os japoneses, são Sakuras. Existem as que dão flores rosa muitíssimo claro, também aquelas que dão flores de cor rosa Pink e outras, ainda, que dão flores brancas – estas um pouco mais difíceis de serem vistas aqui no Brasil

Chamamos de cerejeiras do Japão porque têm sua origem lá, sendo que foram trazidas para o Brasil por imigrantes que, por admirá-las, culturalmente, quiseram trazer para cá “um pedacinho” de sua pátria consigo.

Esplendorosas, elas começam a se exibir, aqui na Região Norte do Paraná a partir de junho. Contudo, antes das flores nos darem o ar de sua graça e delicadeza, as folhas já apresentam certo espetáculo único porque, antes de caírem todas para anunciar a florada, se exibem nas cores: verde, amarela, marrom e vermelha. Tais visões, tanto da mudança das folhas quanto da aparição das florezinhas, se apresentam em forma de “chuvas”, ora de folhas em diferentes cores, ora da leveza e delicadezas perfumada das lindas pétalas que voam aqui e ali.

As espetaculares cenas de tais transições podem ser vistas em muitas cidades que já as adotaram. Porém, conheço apenas em Apucarana esse espetáculo de maior florada que pode ser vista em razão da cidade ter adotado, para muitas de suas ruas, tão belas árvores.

Ao passar por essa cidade em época certa (pode ser julho), além dos borbotões de flores, você pode sentir, também, o suave perfume exalado por essas criações divinas. São ruas e mais ruas que, de ambos os lados, apresentam tais arvores colorindo e enriquecendo tudo com suas folhas, flores e botões. Tão importantes são para a cidade que o município até criou a Festa da Cerejeira, ou Sakura Matsuri, para homenagear a comunidade japonesa que trouxe para o município tão preciosa árvore.

E se é espetacular a florada, imagine o caimento das folhas e o das flores. Esse desfolhar, e mesmo o despetalar trazem como conseqüência uma chuva de folhas e, logo depois, de pétalas que se transformam em lindíssimos tapetes coloridos a decorar ruas e calçadas.

Por todo o exposto é que músicos, pintores, poetas, grupos de teatro e outros artistas já fizeram representação das flores das cerejeiras em seus trabalhos em razão de que, além de imensamente lindas, a curta e natural existência da flor da cerejeira serve de inspiração a quem queira. Elas inspiraram: o cantor argentino Carlos Galhardo a escrever a musica Cerejeira do Japão, o poeta chileno e ganhador do premio Nobel de Literatura Pablo Neruda quando afirmou "Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras" numa poesia, o poeta japonês Kobayashi na letra de Flores de cerejeira e tantas mais gentes de diversas outras áreas artísticas, tal como serviu para inspirar esta crônica escrita por mim.

11 de dezembro de 2019 - Marina Irene Beatriz Polonio





NARCISO

Narciso é um junquilho bulboso da família Amarílis. Trata-se de flor bonita e rica em perfume. Ela se parece um pouco com uma orquídea porque tem seis pétalas e também um tubo central parecido com uma trombeta ou cone. Suas flores se apresentam em cores que vão do branco ao amarelo com as pontas da “trombeta” (quando não são da mesma cor das florinhas) terminadas em amarelo escuro, numa cor quase alaranjada. São flores primaverís que gostam de lugares úmidos. Suas hastes, naturalmente, se voltam para baixo, como a admirar o solo impregnado de água.

Muito embora existam pessoas narcísicas nos dois gêneros, aqui vamos abordar uma pessoa do gênero masculino. Para isso, necessitamos contar a lenda de Narciso porque nem todos a conhecem. Vem da mitologia grega essa lenda que apresenta muitas versões. Contaremos aqui uma dentre essas tantas.

`Conta-se que, no dia do nascimento de Narciso, um adivinho disse a seus pais que o bebê teria vida longa caso obedecesse a condição de jamais contemplar sua própria imagem

Narciso cresceu muitíssimo bonito e, por isso, era muitíssimo orgulhoso. O que tinha de belo contrastava com o tanto que conseguia ser desprovido de qualquer tipo de sentimento em relação às demais pessoas.

Ocorreu que, num certo dia em que caçava, Narciso foi beber água num lago como e viu-se no espelho d´água. Ele que nunca havia se visto até então, ficou apaixonado por aquela figura e... esquecendo-se de tudo o mais que havia no mundo, permaneceu na margem do lago até morrer porque não conseguia tirar os olhos da sua própria imagem.

Segundo a lenda, depois de algum tempo o procurando encontraram, onde ele fora pela ultima vez, à beira do lago, uma flor de rara beleza e de perfume inebriante à qual deram o nome de narciso.´

De maneira que, a uma pessoa demasiadamente orgulhosa de sua própria beleza, vaidosa, de ego inflado, costuma-se dar o nome de Narciso. Essa pessoa tem uma autoestima tão superlativa que é por isso que torna-se insensível para com os demais. Ou seja, fica como o Narciso grego: emocionalmente entorpecido por si próprio ou, numa linguagem popular, com o foco em si mesmo.

Dia desses eu soube da história de um Narciso real. Até conheço a pessoa rsrs.

Acontece que ele tirou uma foto de si próprio se olhando no espelho e postou no whatsapp com a seguinte mensagem: “Tem vezes que eu fico pensando: eu sou o cara! Porisso que eu te amo”. A esposa me contou que, sem entender o que estava acontecendo, perguntou a ele a quem ele estava declarando seu amor. Ele simplesmente a deixou estupefata ao responder: “à minha imagem no espelho!”

De modo que, podemos afirmar que existem pessoas narcísicas por aí, mesmo que elas não saibam que o são.

11 de dezembro de 2019 - Marina Irene Beatriz Polonio





CRISTAIS MINERAIS

Eu não sabia, mas possuo cristais em casa. São souvenirs que ganhei.

Essas pedras - minerais cristalinos - apresentam menor dureza em relação às pedras preciosas, não sendo tão valiosas como elas e, por isso mesmo, são chamadas de semipreciosas. Suas cores, formas, brilhos e transparências são diferentes porque dependem de sua composição o que resulta em suas características.

Das pedras semipreciosas que possuo, uma é parte de um grande geodo e outra um quase inteiro. Outra, ainda, são lâminas finas cortadas de um geodo pequeno e que foi transformada em “mensageiro dos ventos”.

Geodos são formações mais ou menos arredondadas que, parcialmente abertos, deixam à mostra os cristais que trazem em seu interior, fato que me intrigou e me levou a pesquisar como isso ocorria.

De forma sintética pode-se afirmar que geodos são cavidades ou câmaras ocas, que se formam comumente em lavas basálticas e são formados a partir da existência de bolhas de gás ou outros tipos de cavidades que, com o tempo, formam em seu interior cristais. Têm tamanhos variáveis dependendo da bolha que formaram, sendo o maior do mundo, um de ametista com mais de três metros e mais de dois mil quilos encontrado no Uruguai.

Nesses “ninhos” que a natureza forma em milhares ou milhões de ano, podem ser encontrados cristais. Porém, somente abrindo os geodos pode-se conhecer seu conteúdo interno, o que torna cada um deles único.

Um dos que possuo é um geodo parcial preenchido com cristais de ametista e, o outro, quase inteiro, acredito que contenha ágata rosa.

O de ametista, apresenta em seu interior cores que vão do violeta ao lilás, tendo algumas partes transparentes. Seu exterior é formado por uma grossa camada de sedimentos que vão do grafite (ao qual se misturam tons terrosos avermelhados) ao branco, passando pelo verde ultramar muito escuro. O branco é onde se pode notar a transformação do calcário em ametista.

Já o pequeno (dez centímetros de diâmetro) apresenta, com predominância, a cor rosa forte e, segundo minhas pesquisas, trata-se da pedra ágata: mineral que denomina um conjunto de várias formas de sílica que apresenta diferentes colorações em faixas ou camadas. Em seu exterior apresenta a cor branca, à qual se segue um tom leve de cinza que vai se transformando em faixas concêntricas no tom rosa. Em seu centro, podem-se ver cristaizinhos minúsculos na cor cinza transparente, demonstrando que não atingiram sua transformação em ágatas.

Já o mensageiro dos ventos, confeccionado artesanalmente, apresenta faixas concêntricas com colorações que misturam o verde em diversos tons, sendo que dessas misturas resulta um azul profundo, o que cria um espetáculo maravilhoso. Suas lâminas, cortadas que foram finíssimas, até parecem vidro, que foi o que pensei quando o ganhei.

Todos eles perfazem pequena lista de algumas das maravilhas da Natureza com que o Criador nos presenteou.


26 nov. 2019

Marina Irene Beatriz Polonio





OLHOS À ESPREITA

Por todo lugar que eu olhe, nos últimos dias, lá estão eles me olhando. Seja numa arvore, numa palmeira, em caules secos ou mesmo em vasos, os grandes olhos negros ou roxo profundo, em fundos lilases, amarelos, beges ou brancos, estão sempre atentos. Aqui em casa, eles ficam “me fitando” lá do muro, lugar onde moram” e vivem, sempre a embelezar e alegrar nossos dias.

Os múltiplos olhinhos, dessa que é um tipo bem comum de orquídea, estão por todo lado aqui em nossa região e arredores. O nome cientifico delas é dendrobium (em grego: planta que vive nas árvores), no entanto, a maioria das pessoas a conhece por uma característica muitíssimo comum que são os bonitos “olhinhos”, os quais fizeram com que a planta ganhasse o apelido carinhoso de olho-de-boneca, devido aos miolos de suas flores assemelharem-se aos olhos desse brinquedo.

Ao que eu soube, podem ter vindo do sudeste da Ásia ou do sudoeste da Austrália as cerca de 450 espécies dessas epífitas que levam tal nome porque adoram se apoiar em troncos de arvore para poderem se desenvolver, mesmo apesar de não serem espécies que retiram seus nutrientes da arvore e arbustos onde se apóiam, daí as facilidades para seu cultivo.

Antes de florescer, a planta perde quase todas as folhas e é dessa forma que guarda energia para que sua flores possam se desenvolver e florir na época apropriada a cada região. Suas folhagens, que apresentam-se curtas, finas e flexíveis estão fixadas nos nós dos bulbos, lugares onde surgirão as futuras flores.

Nas flores, que podem apresentar-se bicoloridas, as cores desses olhinhos/miolos variam entre o preto e o vinho, sendo que as delicadas florezinhas duram uma média de trinta dias, o que permite que convivamos e nos deleitemos com suas cores vivas e os “olhinhos vigilantes” por um bom tempo.

A olho-de-boneca, desde que seja saudável e bem cuidada, costuma ser vigorosa e pródiga em cachos e florescência. Se com carinho e zelo for tratada, certamente será comum andarmos por muitos lugares e nos depararmos com o presente que essa orquídea nos dará em sua florada que apresenta-se em belos e fartos cachos de “olhinhos fixos” nas mais diversas cores.

Acredito que, mesmo aqueles que não gostam de flores, ou então aqueles que não se enternecem diante de sua presença, por instantes assistirão e gostarão desse espetáculo floral que se faz tocante em razão da beleza dessas florezinhas não ter igual.


26 nov. 2019

Marina Irene Beatriz Polonio.





SEMENTES CRISTÃS

Hoje escutei a seguinte pergunta que gerou esta crônica: “o que te faz lembrar a Bíblia?”.

A pessoa de minha mãe me faz lembrar, e muito, a Bíblia. Sim, porque foi ela quem nos apresentou, desde que éramos crianças, a Bíblia física e suas mensagens espirituais.

A Bíblia que nós, os filhos mais novos, conhecemos, era uma coleção composta de cinco livros muito grandes: Penso hoje, que seriam de cinquenta centímetros de altura por quarenta de largura. Era grande a ponto de não conseguirmos sustentar o peso de cada um dos livros, a não ser que estivéssemos sentados. Eram tomos lindos de uma cor que hoje em dia chamam marsala. E tinham as pontas aparentes das folhas em dourado. Também havia muitas figuras. Eram grandes e muito coloridas essas figuras que, volta e meia, ficávamos sentados ou deitados a olhar e nos deleitar com o prazer de buscar cada mínimo detalhe das ilustrações muito bem feitas.

Mamãe lia a Bíblia para nós que, pequenos, numa roda à volta dela, ficávamos ávidos por tais momentos porque eram de iluminação espiritual muito importante e também porque ela tinha habilidades de uma mestra para esclarecer tudo que lia e, também, para aplicar linguagem que se adequasse a nossas idades.

Ensinava-nos que a palavra de Deus ilumina as vidas das pessoas para que possam andar no caminho da retidão e da justiça de Deus. Mas não apenas isso, ela mostrava a riqueza da palavra de Deus em nossas vidas através das ações que, no dia a dia, procurava praticar cristãmente. Ou seja, ela não apenas nos apresentava e explicava as leituras, mas também, procurava aplicar as lições bíblicas em sua vida diária.

Então, a palavra de Deus entrou em nossas vidas através dos ensinamentos e comportamentos cristãos de mamãe.

Eram palavras de encorajamento e motivação a sermos melhores como pessoas, para que pudéssemos conviver de modo correto nos círculos sociais em que nos inseríamos e naqueles futuros que ainda conheceríamos. Lições que, a maioria de nós jamais esquece.

E as palavras de Deus também foram ensinadas para fortalecer nossos espíritos. Mas ela não se preocupava em difundir a palavra de Deus apenas para nós. Às demais pessoas que tivessem uma necessidade ou problema, ela também oferecia tais palavras que, se não contribuíam para sanar, pelo menos aliviavam ou, até, “davam luz” a uma solução calma, justa e certa de alguma duvida ou de algum problema enfrentado. Falava sempre, com os conhecimentos obtidos através da Bíblia, que era possível viver equilibradamente com as demais pessoas porque a Bíblia oferece regras importantes para a boa, pacifica e cristã convivência entre as pessoas. De modo que nos iniciou nos caminhos cristãos à luz dos ensinamentos bíblicos desde pequenos.Temos sempre a agradecer por essa iniciação cristã que ela nos possibilitou.

Assim, a pergunta inicial me faz lembrar daquele tempo em que, mesmo sem saber ler ou escrever, a Bíblia nos foi apresentada. Desde aquele tempo as sementes cristãs, preceitos da Bíblia, povoam nosso pensamento e vida.


26 nov. 2019

Marina Irene Beatriz Polonio.





RESPOSTA VERDE

Havia quase um mês que a chuva não nos dava os ares de sua graça. Portanto, fazia-se urgente e necessária. E eis que uma chuvinha calma mas teimosa, aconteceu.

Foi festa!!

Festa no reino vegetal porque o solo, todo trincado e, por aqui e por ali, estava moído fazendo pó e achava-se sedento, ressentindo-se da falta de umidade.

Festa para os agricultores que desejavam a chuva para que pudessem plantar suas sementes.

O solo, agora bem molhado, propiciando maiores possibilidades de sucesso das lavouras vai definindo, também, o futuro da produção porque tornou-se ambiente propício para as sementes absorverem o liquido precioso e manterem-se hidratadas para, com isso, poderem iniciar seu processo germinativo e de desenvolvimento.

Ela, a tão desejada e benfazeja chuva, unificou o solo, propiciou a semeadura e deu novos tons às paisagens e trouxe, como efeito, a renovação das paisagens que transmutaram-se do bege/marrom/amarelado para as muitas tonalidades variantes da coloração verde.

De acordo com as especificações das cultivares plantadas, do ciclo vegetativo que requerem e das condições ambientais propicias, uma boa chuva pode levar à explosão da fertilidade. E isso foi o que aconteceu para a maioria do que foi semeado. Digo maioria porque houve lugares em que a chuva fez-se de rogada e não apareceu.

Não mais que dois dias desde que o solo recebeu a bênção das águas caídas dos céus e já apontavam, nele, alguns resquícios do verde nascente. Em resumo, o que foi plantado na maior parte do Estado estava vivo.

E seguiram ponteando, nas plantações, cá e acolá um e outros brotos. E a terra, que antes estava quase que monocromática, foi revestindo o campo plantado de vegetação que se agita ao crescer em ramas e se firma como planta nova, parte de um futuro, que se prevê, seja promissor.

Nas extensas dimensões das plantações a “face verde”, contente pela chuva que, correndo pelas veias do solo, alimentou a sede das diversas sementes as mais variadas que, no solo, foram aninhadas pelos agricultores.

Tudo se torna, então, anúncio de prosperidade nas colheitas que hão de vir daquelas paisagens em que a chuva se imiscuiu e se distribuiu nos leitos terrivelmente secos e poeirentos.

Tremenda festa em verde, como também será certeza a alegria daqueles que plantaram e esperam a “resposta verde” do sucesso! .


26 nov. 2019

Marina Irene Beatriz Polonio.





TÁ TODO MUNDO ´BRIGADO(A)`

As pessoas de hoje são nativas digitais o que equivale dizer que já nasceram sob a égide das muitas e diferentes tecnologias ativas, de modo que, desde cedo já possuem muito conhecimento e domínio tecnológico os denominados Geração isto ou aquilo.

São usuários de computadores, programas, notebooks, internet, aplicativos, blogs, redes sociais, vídeos, celulares , MP3 players, smartphones, tablets etc. que os mantém on line o tempo todo. Tudo, nesse contexto, é diferente para eles. E, desde que as tecnologias os “pegaram” para valer, temos visto costumes um tanto quanto estranhos...

Por quê? Porque o costume de sintetizar (abreviar) as palavras, coisa corriqueira nas redes sociais e em alguns outros meios de comunicação informal, vem sendo utilizado com a justificativa de falta de tempo ou maior aproveitamento dele no dia a dia virtual e real, pasmem!

Atualmente observa-se que está todo mundo `brigado´ ou `brigada´, desde as pessoas mais simples até aquelas que investigam, redigem e transmitem notícias (jornalistas) e, inclusive, alguns outros tantos intelectuais.

A expressão `brigado´ ou `brigada´, forma verbal abreviada de obrigado/a, é palavra que está correndo solta nas mensagens via redes sociais.

Contudo, na internet mesmo é fácil identificar a origem latina da palavra obrigado como forma de agradecimento que teria como resultante a expressão “fico-lhe obrigado/a”, ou seja, a quem me fez um favor eu fico reconhecidamente ligado pela OBRIGAÇÃO que lhe devo.


Vamos entender agora os significados de brigado e brigada, segundo o Dicionário Aurélio On Line: brigado e brigada trazem os mesmos significados, isto é: brigar, lutar, disputar.


Já segundo alguns outros dicionários, brigada constitui um corpo militar e refere-se às forças armadas na maioria dos países.

Você pode perceber que está todo mundo `brigado´ ou `brigada´ no linguajar nosso de cada dia, através das conversas ao vivo, via e-mail, chats, aplicativos para telefones e smartphones onde as mensagens são instantâneas, lugares em que esse uso é maximizado.

Isso nos alerta para mudanças na língua porque as pessoas estão trazendo o linguajar que usam na internet para as relações coloquiais, ou vice versa. Em síntese, pode-se afirmar que nossas conversas escritas trazem o linguajar do dia a dia em razão da nossa pressa de nos comunicarmos o que nos faz cortar ou abreviar palavras porque a conversa é informal.

Em razão do exposto é que, neste Brasilzão de meu Deus, nos encontramos todos `brigados´ ou `brigadas´!

26 de julho de 2019
Marina Irene Beatriz Polonio





AO REPICAR DOS SINOS

O sino, há milênios, vem cumprindo funções sociais de anúncio desde a longínqua origem de sua existência. Nessas remotas épocas, esses instrumentos de percussão sonoros difundiam mensagens boas, más ou, ainda, assinalavam horas num tempo em que o relógio ainda não existia.

Houve época que esses instrumentos chegaram a ser tão relevantes que a Igreja Católica os utilizou como símbolo.

A igreja Católica tocava seu sino ou sinos, para alertar os fiéis de que era hora de congregarem e a fazê-lo para tantas outras informações, a tal ponto que esse instrumento passou a ser considerado um importante elemento de comunicação.

O sino era entoado de acordo com o fato que lhe deu origem, ou seja, se o momento era de alegria ou de tristeza, as badaladas dos sinos traduziam isso de maneiras diferentes. Ou seja, os sinos “falavam” com o povo de forma alegre ou triste. Nesses tempos, eram os sinos, e apenas eles a existirem pendurados no campanário das igrejas. Campanário é o nome do local (torre da igreja) onde ficava o sino ou sinos.

Mas esses instrumentos sonoros necessitavam de alguém para operar suas cordas e badalos. Sendo assim, na igreja católica, esse trabalho era reservado ao sineiro que, geralmente, era a pessoa do sacristão.

Mas, tecnologias foram surgindo e, seguindo a evolução da Humanidade, o relógio foi inventado! A partir dessa invenção, algumas igrejas somaram às suas altas torres o relógio, agregando valor aos repiques dos sinos e à comunicação com as comunidades. Inventado o relógio mecânico, muitas cidades dispensaram seu sineiro porque, a partir de então, os relógios e os sinos passaram a ser acionados por mecanismos eletrônicos.

Muito tempo se passou desde então.

Na minha cidade, a torre onde estão os sinos e a torre do relógio são partes de uma mesma edificação. Durante mais ou menos uns trinta anos, os sinos da igreja foram “tocados” pelo sacristão Sr. João Acácio Lugle que trabalhou como sineiro até 2016 mais ou menos. Isso porque a tarefa de fazer dobrarem os sinos estava incluída no contrato profissional do sacristão.

Ainda hoje, o repicar de sinos que acontece em nossa cidade, costuma fazer anúncios de chamamento a procissões, festas e algum ou outro aviso que, religioso ou não, seja de interesse à comunidade cristã.

Com respeito aos anúncios de falecimentos que, até certo tempo atrás eram feitos em nossa cidade, quando se ouvia uma melodia religiosa triste veiculada por potentes alto falantes, logo se escutavam informações sobre quem era a pessoa que falecera, onde seria o velório e a hora do sepultamento do falecido ou falecida. Até que a construção da primeira Casa de Velório da cidade veio modificar esse fato e as notas de falecimento foram extintas, isso porque tudo que é relativo a velório passou a acontecer naquele espaço especifico e, assim... os sinos da igreja pararam de dobrar por quem morreu.

Outro uso do repicar dos sinos cambeenses refere-se ao costume de o relógio mecânico (programado para tocar), soar avisando horas inteiras, meias horas e um quarto de hora.

De modo que se alguém te perguntar POR QUEM OS SINOS DOBRAM? Você pode até responder: por todos nós cambeenses!

26 de julho de 2019
Marina Irene Beatriz Polonio





”DEFUNTINHO”

Morávamos no sítio de papai, distante do centro da cidade de Reserva, Paraná.

Numa tarde ensolarada, ali por volta das 17 horas, enquanto minha mãe havia ido ao centro da cidadezinha, meu pai trabalhava ao redor da casa ao mesmo tempo em que cuidava de meu irmão que tinha, à época, mais ou menos uns cinco anos de idade. O pequeno brincava no quarto, podendo ser visto pela janela.

Era um tal de meu pai alternar o olhar entre o trabalho que fazia e a criança que cuidava, sem descanso. Depois de algum tempo nessa prática, na derradeira olhadela, não vislumbrou a criança a brincar. Seu pensamento foi de que talvez o pequeno dormisse e, assim pensando, continuou o seu trabalho. No entanto, o tempo foi passando e ele, refletindo, pensou que a criança dormia tempo demais e arriscou novo olhar à janela e..., nada do pimpolho aparecer. Resolveu largar um pouco o trabalho e ir à janela espiar o que acontecia. Viu que o pequeno jazia no chão como se realmente dormisse. Dando a volta pelos fundos da casa, já preocupado, chegou até o quarto e foi colocar o filho na cama, não sem muita preocupação quanto ao fato do pequeno dormir profundamente em hora imprópria para sua idade. Chamou, chacoalhou, mas nada de meu irmão acordar. Preocupadíssimo, até ousou lavar o rosto do pequeno com água fria, mas, qual o quê, ele não acordou.

A madrinha do garoto era uma espécie de faz de tudo e meu pai, mal meus irmãos mais velhos chegaram da escola, mandou que o mais velho dentre eles fosse chamar a comadre no sítio vizinho.

Nessas alturas, quando o dia já estava transformando-se em noitinha a madrinha chegou. Colocou um espelho na frente do nariz do afilhado e apurou que a respiração não existia. Sem alarde ela, então, preparou e passou uma meleca de ovos e ervas nos pulsos e planta dos pés do garoto. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade e, não tendo conseguido reanimar o defuntinho, escutou-lhe o coração e afirmou que ele tinha parado. Papai confirmou também, pois não escutou qualquer batida. Depois de tentativas diversas dos dois, o remédio foi aceitar que meu irmão havia morrido.

Na época, não era costume chamar um profissional médico para confirmação de mortes.

Imaginem o susto de mamãe ao chegar e ver seu "bebê" morto. Porém, teve que acreditar. Com o tempo passando, comadres, compadres e vizinhos foram chegando para velar o corpinho sem vida. E tudo foi ajeitado para o velório.

Já, então, a noite deitava suas sombras sobre tudo e todos. Logo ali perto, no mato, cricrilavam grilos, corujas e outros bichos noturnos.

Como a cidade ficava longe para a compra e chegada do caixão, o defuntinho foi arrumado, primeiro, em cima da cama, como era o costume. A questão da urna funerária seria resolvida na manhã que logo chegaria.

Velas, roupas e flores foram providenciadas. A essa altura, com a casa já cheia de gente, as orações, hinos e choros de desconsolo faziam um alarido sem par.

Nossa família não se conformava com o ocorrido. Todo mundo era uma tristeza só. E muito mais pelo fato do defuntinho ter uma saúde de ferro e nunca haver sofrido qualquer doença grave.

Assim a noite seguiu seu curso cedendo lugar à madrugada.

Ali pelas três horas e alguma coisa, o defuntinho abre os olhos, coloca os polegares, um dentro de cada orelha, faz uma careta bem feia e enrugada (parecendo uma fuinha), põe a língua fora da boca e emite dois brleleleles, ao mesmo tempo em que chacoalha, em semi-círculos, os oito dedos livres no ar, bem em direção ao teto da casa. A seguir, olha em volta assustado com tanta gente, alaridos e Ohs! de sustos, levanta-se ainda estremecente e, muitíssimo rapidamente, corre para fora da casa. O susto e a surpresa de todos os presentes foram tremendos. Porém, o susto e a surpresa dos familiares foram seguidos de muita alegria.

Ninguém entendia nada, mas mesmo assim, todos da família estavam muito aliviados porque o menino estava vivo.

Até hoje esse meu irmão Zé conta-nos rindo, que, tendo chegado ao céu, São Pedro lhe dissera que ele deveria voltar, pois ainda tinha uma missão a cumprir aqui na terra. Ele sempre justificou que foi por isso que teve que ressuscitar. E nós agradecemos a Deus por tê-lo até hoje conosco.

14 de julho de 2019.
Marina Irene Beatriz Polonio





MARINGÁ

Olho da sacada e vejo muitos prédios construídos e outros tantos em construção. Consigo abarcar, com minha visão, muitas ruas e avenidas, o que significa, também, muito asfalto e calçadas.

Mas o melhor de tudo isso é que, entremeando ruas, avenidas e edifícios eu vejo muitíssimo verde. A cidade, vista do alto, parece um lindo e verde mar.

A cidade é muito arborizada porque tem um plano de arborização muito bom. Do alto se podem ver ruas repletas de: Acácias, Quaresmeiras, Paineiras, Ipê Roxo, Ipê Amarelo, Patas de vaca, Flamboyant, Jacarandá-mimoso, Tamareira do Oriente, Acácia Imperial, Palmeira Imperial e outras mais.

Desde 1949 é que Maringá conta com esse projeto de arborização. E, de acordo com esse plano paisagístico, que está em consonância com o traçado original é que, para cada rua, avenida ou praça foi escolhida uma espécie de árvore, de tal maneira que Maringá é uma das poucas cidades do país a terem árvores floridas durante todo o ano, o que denota uma preocupação e cuidados com suas áreas verdes em que há muita vegetação nativa. São 90 alqueires de matas nativas, distribuídos por dezessete bosques e milhões de árvores de diversas espécies plantadas ao longo das suas ruas, avenidas e praças.

Ainda, em se tratando do verde, a cidade conta com três grandes áreas denominadas pelo seu criador de “pulmão verde”, sendo uma delas reservada a mudas (horto) e as outras duas que servem como atração turística.

O parque do Ingá é um ótimo ponto de lazer para passeios, pois as pessoas divertem-se por ali respirando o oxigênio puro liberado pela muita mata nativa que há.

Esse parque dispõe de um lago com pedalinhos, zoológico, parque infantil, quiosque, Academia para Terceira Idade e um lindo jardim imperial japonês inaugurado em 21 de junho de 1978, em homenagem à visita do então Príncipe Akihito e sua esposa Michiko, na época Imperadores do Japão.

Logo na entrada dele podemos ver uma máquina de trem, a qual tem o nome genérico de Maria Fumaça, e carregava muitos vagões, usada que foi, no passado, para fazer o transporte de pessoas e de cargas.

Outra forma de lazer que o parque proporciona é sua pista externa, onde diariamente centenas de pessoas fazem a atividade física denominada Cooper. Mas, também ali se divertem pessoas se encontrando, descansando das atividades, vendo seus filhos andarem de patinetes e bicicleta ou então, apenas sentados vendo a movimentação. Enfim, a verde área de lazer serve a muita gente.

Essa bonita cidade é chamada também de Cidade Canção como consequência de um fato interessante que ocorria durante sua construção: os operários cantavam o tempo todo a famosa musica “Maringá“ de Joubert de Carvalho, que tinha enorme sucesso à época. Assim é que ela recebeu por nome Maringá. Para mim, essa cidade, além do cognome de “Cidade Canção”, o qual lhe foi dado carinhosamente, poderia adotar o cognome de “Cidade Verde” a que faz juz.

Adoro essa cidade verde por sua beleza e, especialmente, porque abriga toda minha amada descendência.
14 de julho de 2019.
Marina Irene Beatriz Polonio





MATEMÁTICA NA NATUREZA

Galileu Galilei (1564- 1642), já afirmava que a Natureza está escrita numa linguagem matemática. Enquanto que Albert Einstein (1879 – 1955), afirmava que “A Natureza é a realização de tudo quanto é matematicamente mais simples”.

Diante de tais afirmações se deduz que existe uma infinidade de relações numéricas na Natureza. Aqui apresento uma delas, que observo diariamente no espaço de meu quintal, que são as relações existentes entre o tamanho das arvores com os seres vivos que as procuram.

O tamanho das arvores e das aves encontram-se associados, segundo Einstein porque animais e aves grandes procuram arvores grandes e fortes para se abrigarem ou se alimentarem. Ainda segundo a teoria desse sábio, quanto menos recortado for o contorno dos galhos de uma árvore de grande ou médio porte, os visitantes a se utilizarem dessas condições como refugio são: gaviões, pombos, morcegos frugíveros entre tantos outros de médio e grande porte.

Enquanto que aves e animais de pequeno e médio porte como: sabiás, sanhaços, tico-ticos, beija-flores, pardais, rolinhas, etc. abrigam-se em arvores menores porque elas têm contornos mais recortados e eles são os únicos capazes de se utilizar dos pequenos abrigos ali disponíveis enquanto buscam proteção contra predadores e variações climáticas, ou mesmo, enquanto buscam alimentação.

Há, também, nessa constante busca por ambientes mais seguros e alimentação disponível, toda uma população de insetozinhos e minúsculos seres vivos que buscam as arvores e plantas de pequeno e médio porte e que, assim, contribuem com o processo de polinização tais como: besouros, abelhas, borboletas e mariposas, formigas, moscas e tripes que, seja voejando, visitando ou beijando as flores em seus vôos e caminhares se alimentam dos seus néctares.

De maneira que, os refúgios que as diferentes arvores e plantas fornecem encontram-se relacionados, matematicamente, ao tamanho de cada um dos insetos, animais e aves que nelas se refugiam.

Assim é que, observando a natureza diariamente eu, além de buscar sempre compreender como ela funciona, adquiro compreensão sobre essa relação existente entre a matemática e o universo ambiental de que disponho e o qual desfruto o quanto posso.
14 de julho de 2019.

Marina Irene Beatriz Polonio





RESÍDUOS SÓLIDOS

Realizo a separação dos resíduos sólidos e, para isso, meus procedimentos são separá-los em: recicláveis secos, resíduos orgânicos e rejeitos.

Separo os recicláveis secos em: latinhas e outros, papel e o papelão,embalagens longa vida como as da Tetrapak, plásticos e vidros.

Já os resíduos orgânicos eu separo em: restos e cascas de frutas, legumes e verduras, saquinhos de chás, migalhas de pães ou biscoitos, pó de café, coadores de papel, grãos ou farinhas crus, raízes, capim seco, aparas e cascas de arvores, serragem e outros.

Quanto aos rejeitos separo: fraldas, absorventes, cotonetes e outros resíduos de limpeza.

Contudo tenho, também, uma preocupação, paciência e atenção para contribuir com a logística reversa que são aqueles produtos que devem retornar aos fabricantes para que eles façam a destinação ambientalmente adequada. Assim é que, separo pilhas, baterias e lâmpadas usados os quais levo a quem os vendeu a mim.

Toda esta minha atitude de separação dos recicláveis tem gerado, em algumas das pessoas que freqüentam minha casa, uma aversão e um “torcer de nariz” porque reputam meus procedimentos cuidadosos com o lixo como também, os cuidados com os gastos desnecessários de luz e água, como uma verdadeira “chatice”. Essas pessoas parecem não ter preocupação alguma com a futura falta de alguns elementos que não são renováveis. Alguns, com respeito à água, dizem que jamais ela vai acabar, sem dispensarem preocupação alguma com nosso Planeta e com as pessoas do futuro. Apesar disso, continuo fazendo minha parte!

Porém, quando pratico a separação do lixo doméstico algumas duvidas têm aflorado meu raciocínio com respeito à limpeza dos materiais. Fico refletindo se, ao lavar um recipiente sujo, eu esteja contribuindo mais com o sólido que vai para a reciclagem e menos para coma questão da água.

Sempre que tenho um plástico que embalou carnes, uma lata de sardinhas ou embalagens de saches vazios, ao lavá-los para colocar no lixo adequado eu logo penso na sustentabilidade e aí me volta aquela duvida, já que a água é recurso não renovável. Essa incerteza é inquietante. Não sei o que é mais certo. Mesmo que eu esteja sempre procurando ler a respeito não encontro nada que possa sanar minhas duvidas quanto ao que seja o melhor a fazer. E sigo fazendo minha parte no que considero ser o certo hoje, tudo pelo bem e equilíbrio de nosso Planeta e pelos tantos seres que nele vivem.

23 de janeiro de 2019 - Marina Irene Beatriz Polonio





FALANDO SEM SOM

O caminho chamado trânsito público e de transportes “fala” e aponta à motoristas (e pedestres) as regras gerais para circularem em estradas, ruas ou rodovias. Por todo lugar existem sinalizações.

Verticais são as seguintes: regulamentação (com fundo branco e forma padrão circular), indicação ou educação (pode ter fundo branco/verde/azul e variadas formas); advertência (com fundo amarelo e forma padrão quadrada), informação (placas com predomínio da cor azul) e outras tantas mais como as da existência de obras (com fundo alaranjado).

Já as horizontais são aquelas compostas por linhas, marcações, símbolos e legendas pintados/apostos/escritos sobre o asfalto.

Placas de identificação se referem a: rodovias e estradas, municípios, praças de pedágio, de sentido, de divisas entre estados e municípios, semáforos, rotatórias etc. As indicativas “falam” sobre distancia entre lugares/cruzamentos; espaços específicos para pedestres/ciclistas/ônibus; aeroportos, de serviço telefônico etc.

Mas os veículos também “falam”, vejamos como.

Caminhões e veículos de grande porte apresentam rótulos de riscos e painéis de segurança com seus sinais reflexivos nas cores amarelo e preto, alertando para a observância da distancia e cuidados redobrados a se ter perto deles para transitar em segurança. Outras informações importantes são “faladas” através dos faróis com sinais de luz: de freio, de ré, alta/baixa, pisca-pisca, pisca - alerta e muitos mais.

Contudo, há sinais aos quais todos deveriam estar atentos para evitar que causem/sofram conseqüências oferecidas por seus riscos: fumaça de queimadas; buracos/desníveis na pista; objetos caídos/jogados na pista; chuva/neblina/vento e sol direto; gestos que condutores fazem com os braços...

Existe, ainda, um Código de Trânsito regendo ciclistas, sabia?

Buscando garantir o bom convívio entre todos que se locomovem com veículo automotor ou não (aqui se encaixa a bicicleta básica que não se locomove a motor) nas ruas, estradas, rodovias no que diz respeito à segurança, todos devemos estar atentos às Leis e Regras normativas do transito brasileiro. Nesse sentido é que entende-se que, legalmente, no transito, todos têm direitos e deveres.

E mesmo que o ciclista não seja obrigado a ter uma carteira de habilitação para dirigir seu veiculo, ele deve entender as leis de trânsito, o mesmo valendo para o pedestre. Afinal, no transito, todos devem zelar pela segurança de todos. Para isso é que se formularam Leis e regras!

E todas essas regras objetivam um transito mais humanizado em que motoristas, ciclistas ou pedestres possam ficar vivos e deixar que os demais fiquem vivos também.

´Bora ler tais sinais?

23 de janeiro de 2019 - Marina Irene Beatriz Polonio





LÁ VEM O TREM





Lá vem o trem

Poluindo nossos ouvidos

Interferindo em nossa calma.



Lá vem o trem

Aguçando nossos sentidos

E até matando alguma alma.



Lá vem o trem

Carrega de um tudo

Quem dera estivesse “mudo”!



Mas “mudo” não poderia ser

Porque senão, vitimas ele iria fazer

pois há muitas pessoas desatentas.



Lá vem o trem

Em seu cadenciado compasso

Transportando vida e até aço.



Lá vem o trem

Com alguns ares de passado

Passa quase a nosso lado.



Lá vem o trem

Apita que apita

E a todos irrita.



Lá vem o trem

Impedindo a passagem

Dos trabalhadores de boa vontade.



Lá vem o trem

Servindo de mote à poesia e brincadeira

Como escreveu Manuel Bandeira.



Lá vem o trem

Trazendo alguns tipos de alimento,

Ferro, óleos e até cimento.



Lá vai o trem

Apitando bem nervoso

Mas amanhã, com certeza, voltará de novo!

31 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





ESPECTROSCOPIA OU RESSONÂNCIA MAGNETICA NUCLEAR

O médico pediu e lá fui eu fazer uma RMN para, através de várias imagens com múltiplos “cortes” de uma parte do meu corpo buscar detectar o que ocorre de anormal alí, com detalhamento e precisão.

Deito-me na marquesa, recebo fones de ouvido e, já instruída sobre como me comportar, fico presa dentro daquele aparelho e, portanto, à mercê do campo magnético e da irradiação das ondas de rádio que ele utiliza para chegar a um diagnóstico.

Imediatamente iniciam-se os sons parecidos com pancadas durante todo o funcionamento do aparelho, o que causa desconforto mesmo apesar das atendentes, solícitas, fazerem tudo para que nos sintamos confortáveis.

Alguns do diversos e diferentes sons emitidos são parecidos com palavras como:



ILDA ILDA ILDA ILDA ILDA

UA UA UA UA UA UA UA

OU OU OU OU OU OU

PA PA PA PA PA PA

TA TA TA TA TA TA TA

UUUUUUUUUUUU



Esses irritantes sons martelantes só têm fim quando a sucessão das imagens tridimensionais adquiridas permitem a realização de um relatório com resultados sobre o que a máquina “leu” em nosso corpo ou parte dele. E isso só acontece depois de um longo tempo!

Saio da marquesa atordoada, mas aliviada com o cessar dos sons que, ora sozinhos, ora em conjunto feriram minha sensibilidade auditiva, apesar dos fones de ouvido.

A espectroscopia (Bendita descoberta!) resulta de longos séculos de acertos e erros em pesquisas e experimentos científicos até obter-se a técnica de “ver” o que ocorre dentro de nós sem ser invasivo, originou-se dos estudos de muitos físicos desde Newton (1665). Porém, foi Bloch, em 1952, quem ganhou o Nobel pela descoberta da RMN que hoje nos serve e que continua sendo aperfeiçoada. Tomara algum dia um cientista consiga aprimorar a RMN para um modo mais tranquilo sem aqueles terríveis sons!

31 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





POETIZANDO

A história da poesia tem inicio desde antes da invenção da escrita. Naqueles tempos se fazia uso da poesia para ajudar a memorização e a transmissão dos fatos. Portanto, a poesia é uma arte baseada na linguagem e expressa um certo estado da mente.

Poesia é a arte que nos permite exprimir aquilo que está dentro de nós ou o modo de uma pessoa se expressar usando recursos linguísticos e estéticos. Retrata, dessa maneira, a imaginação e criatividade do autor.

Poesia é diferente de poema. O poema é puramente a forma como se escreve algo, já a poesia é quem dá emoção ao texto.

Em 2016, Bob Dylan ganhou o Premio Nobel em Literatura por suas musicas que apresentam muitos sentimentos, criticas, homenagens e tributos em novos modos de expressão poética. Mas ele, além de cantor consagrado, também é escritor e tem obras traduzidas no Brasil.

O nosso Gilberto Gil, com sua musica “De Bob Dylan a Bob Marley Um Samba-Provocação” faz alusão bem humorada ao poeta e escritor Bob Dylan. Vejam na letra desse samba que, ao fazer poesia rompemos com as normas tradicionais da gramática nos desviando dela quando usamos palavras que se aproximam mais da linguagem falada. A isso se dá o nome de licença poética.

Cada linha de uma poesia é um verso onde se pode, ou não, ter rimas. Se as palavras não rimam são chamados de versos brancos como no poema da musica A rosa de Hiroshima de Vinícius de Moraes que retratam os horrores da Segunda Guerra Mundial. Sim porque a poesia não expressa apenas coisas belas, mas pode apresentar, também uma descrição triste ou crítica de algo.

Já no caso do poeta português Fernando Pessoa e sua “Batatinha quando nasce”, ele apresenta o modo da batata nascer porque na época a batata era muitíssimo importante, no entanto ele dá aos versos uma característica emocional e bem humorada.

Minha poesia de hoje apresenta versos brancos e versos rimados ao comparar o que diferencia o dia da noite.



DIA E NOITE



DIA E NOITE

TODOS CRIAÇÕES DIVINAS E BELAS

CADA QUAL COM SUAS AQUARELAS

DÃO MOTE A MUITOS SENTIMENTOS E ATÉ RIMAS.



DO DIA

PRESENÇAS COMPULSÓRIAS:

LUZ, CÉU, CLIMA,

COM CERTEZA VÊM.



ENQUANTO A NOITE

TRAZ-NOS ESCURIDÃO E MISTÉRIO

COM O MANTO AVELUDADO

DO SEU NEGRO IMPÉRIO.



MUITO EMBORA UM TRAGA AS TARDES

E A OUTRA AS MADRUGADAS

ABREM-SE PORTAS À FUTURAS CAMINHADAS.



INTERCALAM-SE TAIS VIZINHOS

MARCANDO A CADÊNCIA

DOS CAMINHOS DE TODA NOSSA EXISTÊNCIA.

31 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





A MALDADE ESTÁ NO AR

Imagine que, não mais que de repente, minha privacidade é invadida por um telefonema de anônima que diz: “Seu marido está saindo com sua melhor amiga” e cita o nome da amiga.

Ocorre que, raciocino rapidamente: não tenho marido, portanto a pessoa, que se diz minha amiga e me faz esse aviso é maldosa mesmo, até porque não se identifica e, caso me conhecesse, a pessoa não faria tal afirmação.

Fico raciocinando sobre tais pessoas e me pergunto: o que leva uma pessoa a prejudicar outros?

Reflito um pouco mais e chego a concluir que as pessoas, no mundo atual, estão se deixando guiar pelos instintos mais desumanos. Senão vejamos: se você difunde palavras boas e cristãs há aquelas pessoas que nem lerão ou escutarão o que você falou ou escreveu, enquanto que, se você escrever/falar sobre raivas, mágoas e tristezas muitos lerão, escutarão e até difundirão.

Martin Luther King reforçou o mesmo ensinamento que Cristo nos deixou, ou seja, a solução basilar é o amor. Mas seguir o caminho do bem não é para qualquer um. Torna-se difícil imaginar que um coração que nasceu para amar possa, num certo dia, conter tanta raiva e impossibilidades para voltar a amar.

Todavia, a maldade pode se instalar em qualquer coração que está distante de Deus. Mas, se nos afastamos de Deus as consequências serão desastrosas porque o mal vence e ficaremos à mercê das sombras.

Quem ama alguém compartilha os sentimentos do ser amado. Esses sentimentos podem ser de tristeza ou de alegria, mas partilhados com quem se ama deixam a vida leve e fácil de continuar.

O bem e o amor andam lado a lado mas, em contrapartida, o mal, a raiva e outros sentimentos mesquinhos andam em grupos também.

A maldade pode provocar a morte de alguém, mesmo que não seja a morte física. Já o amor proporciona vida, bonança, alegria e felicidade. Então, porque abdicar das coisas boas se abandonando à raiva, despeito, ciúmes outros tantos sentimentos torpes?

É certo que o Criador do universo nos concedeu o livre arbítrio, mas nos tornarmos perversos é procedimento reles que pode trazer-nos consequências ruins e, até, fatais por vezes. Se isso não acontece em seguida à realização do mal que ousamos fazer, não significa que não vamos ter a consequências de nossas malvadezas. O mesmo ocorre com as boas ações, se as praticamos não é imediatamente que vamos ter bons resultados, mas sim no tempo que o Criador permite que assim seja.

Então, é melhor não vacilar e procurar praticar o amor que trará frutos prazerosos e felizes. Afinal, não podemos deixar as trevas nos vencerem!

02 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





DIPLOMAS E CERTIFICADOS FALSOS

Enquanto almoço vou escutando o noticiário regional da televisão. No daquele dia veiculava-se a notícia sobre a chamada Operação Volta às Aulas, a qual investiga quadrilha suspeita de falsificar diplomas e históricos escolares de cursos de ensino à distância, em onze cidades, sendo elas do Paraná, do Rio de Janeiro e de Mato Grosso.

O repórter informou que, algumas centenas de alunos “formados” por certos cursinhos que emitiam certificados e diplomas falsos, encontram-se sendo investigados e que, inclusive, a investigação objetiva se eles tinham ciência do tal esquema criminoso.

Além desses cursinhos, são investigados também uma Associação de Certificação e a Secretaria Estadual de Educação do Paraná (SEED). Esta ultima está na mira dos policiais por suspeita de que pessoas que trabalham nessa Secretaria possam estar envolvidas no esquema facilitando as certificações.

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Nunca neguei, e quem me conhece sabe, gosto de ler. E não é pouco! Leio jornais e livros físicos, assim como tudo que cai em minhas mãos: folhetos, revista e até manuais e bulas de remédios. Mas também uso a Internet para ler textos virtuais, sejam literários ou não.

A leitura me embevece, me faz viajar, torna-me uma pessoa com um conteúdo um pouquinho melhor daquele que tenho. Eu gosto demais do que ela me proporciona e por isso sou leitora voraz.

Dia desses, estava eu a fazer a leitura do jornal impresso que assino, como faço todos os dias de manhã, quando recebi uma visita que, surpresa, logo exclamou “Você ainda lê jornal?” e, a seguir disparou a pérola “Isso está ultrapassado!”.

Fiquei boquiaberta com tal posicionamento porque sabe-se, hoje, que todas as pessoas desejam crescer pessoal e profissionalmente para ter uma trajetória positiva em sua vida, sendo o estudo e a leitura requisitos que podem possibilitar sucesso.

Contudo, pode-se perceber atualmente que, quanto mais o mercado de trabalho exige capacitações e habilidades, parece que as pessoas estão menos interessadas em conhecer, fazer cursos e se informar para que se tornem aptas e competitivas.

O posicionamento da pessoa que criticou-me por ler jornal impresso é coerente com a idéia daqueles que buscam formas de burlar os caminhos normais para conseguirem certificados e diplomas falsos, seja para serem admitidos num trabalho, para classificarem-se em algum concurso, ou mesmo para adquirirem status de pessoas formadas em algo.

Não se iluda. A falta de estudo e de leitura pode fazer com que muitas pessoas percam oportunidades de emprego.

Em se tratando de documentos falsos, eles até podem certificar que uma pessoa é graduada (mesmo ela não sendo), no entanto, as provas e desafios aos quais, diariamente, a pessoa “graduada” falsamente se exporá vão demonstrar que ela não domina os conteúdos e habilidades necessários para a realização das tarefas inerentes ao cargo ou função para a qual foi admitida. Sendo assim, chega uma hora em que o imbróglio terá fim.

Não se pode pular as etapas de uma vida estudantil e achar que está tudo bem, tudo certo. O crime da venda de certificados ou diplomas pode até ter um preço barato na negociação, mas a compra deles pode sair caro para o comprador porque se configura, tal e qual para os vendedores, como crime conforme reza nossa Constituição.

Uma maneira legal e segura de concluir uma formação escolar, acadêmica ou técnica é estudar, de verdade mesmo. Hoje há tantas formas de fazê-lo e, inclusive, algumas vagas de estudos são gratuitas como a de muitos cursos técnicos. Vale a pena e a pessoa pode até empreender uma trajetória de sucesso em sua vida e, mesmo o sucesso não acontecendo, pode-se melhorar em muito a vida. Tenha em mente que conhecer não ocupa lugar, é ético e é legal. É o único tesouro que ninguém pode nos roubar!

02 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





DONA ANA E “SEO” FRANCISCO

Conheci o casal há muito tempo quando eu dava aulas noturnas pelo MOBRAL. Eram alunos dedicados e interessados.

Muito cristãos, Dona Ana e “Seo”Francisco iam juntos à Igreja e aos eventos que ela oferecia. Sempre foram benquistos. Andavam contentes e felizes, tal e qual era a união que os conduzia.

Saudáveis e jovens foram, também, se alfabetizar juntos.

Viviam sorridentes e felizes com a vida que levavam. Casal simpático, pessoas formidáveis que podem representar exemplo de quem leva uma vida verdadeiramente cristã.

“Seo”Francisco obtinha o sustento da família através do seu trabalho na construção civil. Contudo, para reforço do orçamento familiar, eles que tinham três filhos para criar, complementavam a renda sendo pipoqueiros e fazendo algodão doce em festividades e eventos os mais diversos. E a vida seguia.

Um certo dia, há muitos anos, “Seo” Francisco teve um acidente terrível quando trabalhava. Caiu de alguns andares de um prédio em construção e ficou sofrendo seqüelas. Dona Ana, esposa amorosa cuidou dele com muita responsabilidade, carinho e amor.

Mas não foi apenas esse acidente a mudar de forma radical as vidas de Dona Ana e “Seo” Francisco porque, tempos depois, ele sofreu um infarto que lhe trouxe problemas mentais e físicos como resultado. Ainda, aquele momento trouxe a ela o imperativo de mais gastos com medicamentos, fraldas e outros necessários. Assim, lá foi Dona Ana, então sozinha, dar continuidade às atividades de fazer pipocas ou algodão doce. Para isso deixava o marido aos cuidados de outrens.

Passou-se muito tempo. Já bem idosos os dois, Dona Ana continuou sua labuta com o querido marido acamado que, inclusive teve uma perna amputada devido a tromboses. Contudo, ela não parou com sua dedicação dispensando todos os cuidados e atenções a ele que, um dia aceitou por marido. Que exemplo, que amor e parceria excelentes e abençoadas por Deus.

Com certeza que Dona Ana deve ter ouvido sugestão de muitos para colocá-lo numa Clinica e poder seguir sua vida sem “entraves”. No entanto, pessoa de fé, amor e caridade seguiu cuidando de seu esposo amado até o fim da vida dele.

Com ele privara de bons momentos e nos maus momentos, continuou esposa carinhosa, de fé, parceira valorosa e dedicada a retribuir tudo que de bom viveram juntos.

Com certeza que neste mundo existem muitas histórias iguais à de Dona Ana e “Seo”Francisco, porém o tratamento que ela dispensou ao esposo, doente e depois acamado, há de ser o diferencial entre muitos dos casos semelhantes. Ele padeceu, mas nunca esteve só. Junto estava sua alma gêmea, sempre sorridente e, mesmo quando ele não pode mais se dar conta disso porque sua mente vegetava apenas, ela continuou se dedicando de corpo e alma por aquele alguém que aceitou por marido um dia.

A guerreira, ao cuidar do esposo com tanto esforço e desvelo, deve ter sentido sempre a presença constante do Criador a lhe amparar em cada cansaço extremo, em cada parte difícil do caminho que trilhava, já sozinha. Essa alma rica em doação, fraternidade e generosidade cristãs verdadeiras, merece todo nosso respeito e admiração. De Deus, eu considero que ela recebe muita força para continuar trilhando os caminhos que a vida lhe oferece. Abençoada seja hoje e sempre Dona Ana.

02 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





NATUREZA

Raios de sol

luz do luar

murmúrios de fontes

marolas do mar.



Miríade de cores incontáveis

flores cintilantes

esplendores de nuanças multicores.



Brilhante iniciativa

da humilde mas persistente

natureza efusiva.



Radiante espetáculo

que, ao Homem, deveras

se torna poderoso estímulo

para relembrar ricas eras.



A natureza, com seus artefatos

trabalha pressurosa no cotidiano

produzindo espetáculo de numerosos atos

com valor incalculável

a favor do ser humano.



Utilitária e seleta

seu glamour em nós desperta

atitude de agradecimento e prece

por cada dia que amanhece. 27 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





RIBEIRÃO CAMBÉ

Em nossa cidade temos o Ribeirão Cambé

Mas nosso povo tem nele pouca fé

Porque, em se tratando de tamanho,

Em nosso município pequeno ele é.



Sua água boa e cristalina

Vem de uma nascente,

comumente chamada mina,

E por uma grande região corre

incluindo cidades de grande porte.



Ondulante e borbulhante que ele só

O “Cambezinho” engrossa rios e forma lagos

Tais como, em Londrina, os quatro artificiais Igapós.



Da cidade de Cambé, a fronteira ele marca ao Leste

Jorrando do ventre da terra água límpida

que é o passaporte

Para os muitos seres vivos que leva em seu transporte.



Em seu longo trajeto o “Cambezinho”

Vai se desdobrando em cachoeiras e remansos

Transportando, também, sedimentos que geram assoreamentos.



Arrasta terra e também muita sujeira

Em seu percurso que, manso ou veloz,

lá no final, tem o Três Bocas como foz.



Suas águas serpenteantes

Correm límpidas mas, em vão,

Porque vitimas de ignorantes são.



E essa água que ainda é da bonança

Continua trabalhando em quietude e sossego

Para, quando se juntar ao mar, não ter mais medo.



No percurso do seu leito ela corre,

Entre áreas verdes ou degradadas,

Querendo vencer a negativa poluição.



Pudessem falar, eu tenho certeza,

As águas do Ribeirão Cambé diriam:

em altos brados: “socorram-nos por gentileza!



Queremos voltar a ser recurso natural importante

Majestoso, valioso e muito brilhante,

Fonte de vida esplendorosa e imponente

Para, ainda, poder servir a muita gente.



Cristalinas, refulgentes, transparentes

Seremos a água doce a desenvolvimento fazer,

Presença clara em pontos de lazer

E usada por todo e qualquer ser vivente

Controlando o uso e acesso de nossas margens,

Valorizando os elementos naturais de nossas paisagens

poderemos ser, até, quem sabe

cartão postal de nossa cidade”.

27 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





CALÇADAS E PASSEIOS PÚBLICOS

Calçadas ou passeios são considerados áreas públicas, sendo assunto do interesse de todos.

Elas servem de caminho a todo tipo de pessoa, tenham elas condições normais ou reduzidas de mobilidade. Idosos, crianças, cadeirantes, usuários de muletas/bengalas/andador e deficientes que tenham necessidades especiais como pedestres têm o direito a calçadas e passeios eficientes para que possam se locomover dignamente. Contrapõe-se o fato de que, mesmo que alguns tenham mobilidade reduzida ocasionalmente, existem aqueles que as terão por toda sua vida. Diante disso, interessa conhecer algo sobre esse assunto que, direito do cidadão, encontra-se expresso em nossa Carta Maior como sendo o direito de ir e vir.

Acrescente-se sobre esse importante assunto, que a Lei n. 13.146, lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência fez alterações no Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001), como forma de regular a segurança e bem-estar dos cidadãos, ou seja, promover o bem coletivo estabelecendo diretrizes gerais de promoção da melhoria nas calçadas e, também, como forma de assegurar que pessoas com alguma deficiência ou com quase nenhuma mobilidade, possam ter igualdade de oportunidades como as demais, pela eliminação de obstáculos e barreiras ao seu livre acesso a lugares e em seus necessários deslocamentos.

Sobre calçada e passeios públicos pode-se afirmar que seus proprietários são responsáveis pela sua manutenção e conservação. Tanto é assim, que as condições das calçadas e passeios se tornou assunto de interesse e atenção já há algumas décadas. Atualmente, no Brasil, o assunto é regido por muitas Leis, Decretos e normas (ABNT).

Tais fatos se tornaram tão importantes, a ponto de eu, ao passar por uma recém construída, agradecer mentalmente àquele que a construiu porque assim não tenho que ficar com os olhos postos no chão para evitar quedas ou tropeções, o que é muito inconveniente.

Além disso, tantas outras pessoas sofreram acidentes nelas se machucando gravemente, tal como minha vizinha que teve acidente em que perdeu muito sangue, teve fraturas em alguns ossos e teve, ainda, seus óculos quebrados, ficando com a mobilidade reduzida durante muito tempo se tornando dependente de outrens.

Judiciários, independente de suas jurisdições, devem ter em seu poder amontoados de processos movidos por pessoas contra o poder público ou contra proprietários de imóvel. Pessoas que, conhecedoras de seus direitos, resolveram mover tais ações porque sofreram tanto danos físicos quanto morais devidos às condições ineficientes de calçadas ou passeios públicos.

Contudo, isso não se traduz apenas em uma preocupação brasileira, posto que tal atenção também é mundial.

Veja-se que, em Washington – DC, governo municipal está instalando calçadas de borracha na cidade pelos seguintes motivos: para proteger as raízes das arvores e acabar com as calçadas quebradas evitando indenizações. Prevenção é a tonica da questão para esse governo que gastava, anualmente, milhares de dólares na busca por se defender de processos movidos por pessoas que sofriam acidentes nos passeios públicos.

Como consequência, alguns Estados brasileiros com foco na acessibilidade cidadã, além de criarem complementares legislações específicas têm, ainda, se mobilizado em elaborar cartilhas informativas sobre direitos e deveres legais dos cidadãos, de instituições e de empresas sobre o assunto.

Demonstre respeito ao seu próximo cuidando bem de sua calçada.

27 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





Benditas sementes

Quando se ouve falar em sementes logo se pensa em reprodução, porque sabemos que são elas que perpetuam as espécies vegetais. É lá, dentro dela, encontra-se uma vida dormente e, desse modo, ela traz em si promessa de vida porque, quando plantada, "morre" para que nova vida possa germinar.

Algumas sementes, as mais leves, são transportadas pelo vento; outras pela água como a semente do coqueiro e outras, ainda, por animais, o homem dentre eles. Existem ainda aquelas que são, literalmente, lançadas para fora do fruto por meio de explosão, tal como a semente da mamona. Me encanta o conhecimento de que o Criador dotou as sementes com formatos apropriados ao "vôo".

Assim, animais, pássaros, insetos, rios, ventos e chuvas acabam levando essas sementes para longe de seu ambiente natural. Elas, uma vez no solo, fazem surgir novas plantas em locais bem diferentes daquele de sua origem.

Tenho o privilégio de receber muitas espécies diferentes de plantas que insetos e aves trazem a meu quintal por meio de suas fezes. E, não apenas admiro as plantinhas quando nascem, ouso fazer um pouco mais do que admirá-las pois, procuro adotadores para aquelas com as quais não posso ficar. Assim é que me asseguro de que nenhuma delas seja lançada fora porque são preciosas mudinhas de futuras plantas que oferecerão flores e frutos ou, apenas flores, conforme sua natureza.

Mas, preciosas, as sementes também fazem parte de um trabalho artesanal que desenvolvo. Costumo fazer mandalas e utilizo muitas sementes para isso. Elas são escolhidas e aplicadas por suas formas, tamanhos e cores. E, ao conjunto final, reservo algum tempo para ficar admirando e abençoando a criação divina por ter nos agraciados com as sementes.

Além desse tipo de artesanato que pratico atualmente, sempre fui apreciadora apaixonada por sementes e, com elas, costumava fazer colares, pulseiras e brincos para uso próprio e para presentear alguém com tais objetos. Sim, sei que muita gente costuma fazer esses produtos com sementes e penas hoje. Mas, devo acrescentar que, quando eu os fazia não havia, ainda, quem fizesse tais trabalhos.

De modo que, as sementes apresentam serventia para além da mera reprodução pois, destinam-se a alimentar animais e pessoas, servem para gerar novas plantas e novas sementes e servem, também para, em obras artísticas e artesanais, alegrar nossos olhos e colorir nossas vidas. Benditas sejam!

20 nov. 18 - Marina Irene Beatriz Polonio





DOADORA 'VERDE'

Sinto-me imensamente feliz por ser doadora de árvores. Isso está em meu gene ambientalista.

Para esses fatos contribuem meus amiguinhos, os passarinhos, que, sobrevoando o espaço de minha residência, bombardeiam-no com dejetos repletos de sementes dos frutos que comeram.

Eu os abençôo sempre por isso, porque os presentes que me trazem em seus pequenos cocozinhos são preciosos e de todos os tipos: brassaias, cerejeiras, laranjeira, astrapeias/dombeias, pitangueiras, uvaias, ameixeiras, pé-de-galinha, espinheira santa, fruta do conde e até limoeiro, imaginem.

Insetozinhos também contribuem com essa minha mania ambiental porque polinizam as flores que me fornecem sementes. As sementes eu planto e doo. É um círculo prazeroso para mim. Adoro observar o espaço em torno de minha casa e encontrar novas plantinhas para doar.

Porque as dôo? Porque se não fizesse isso eu teria que cortar e eliminar as novas árvores que encontro nascidas em meu quintal. Como isso não faço porque dói-me o coração, então eu espero que elas cresçam um pouco, transplanto-as em um vaso e fico procurando, entre todos aqueles que conheço, alguém que as deseje. Assim é que não dispenso nenhuma das mudinhas que me foram doadas pelas avezinhas benditas.

Sou privilegiada por essas ações. Explico: vez ou outra sou surpreendida por um amigo ou amiga que vem me dar conta de que a árvore que eu doei está dando frutos e que, por isso, se lembram sempre de mim. Não é uma maravilha? Alguns deles até me trazem frutos das árvores que um dia foram doadas.

Mesmo que assim não fosse, eu ainda teria a certeza plena de que estou contribuindo para o futuro do planeta e, também, para que as futuras crianças possam ter alguma fruta para comer. Trata-se de uma herança verde que deixo aos descendentes daqueles que aceitam minhas doações. O que me deixa muito feliz é o fato de saber que alguém, que não conhecerei, futuramente estará aproveitando-se, de alguma forma, daquilo que lhe deixei como herança neste mundo.

E se assim me sinto, como não se sentirão as aves e insetozinhos que no espaço de minha casa encontram terreno fértil para descansar e fazerem suas necessidadezinhas fisiológicas? Pense nisso.

20 nov. 18 - Marina Irene Beatriz Polonio





Pena Branca e Xavantinho

Os muitos matizes da música caipira raiz, na voz de Pena Branca e Xavantinho, expressam experiências que os autores traduzem numa descrição poética da Natureza e do homem em interação com aquilo que eu, e muitas pessoas, consideramos música caipira brasileira em forma de poética.

Os poetas, compositores, músicos e irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca) e Ranulfo Ramiro da Silva (Xavantinho), humildes, cantaram em polcas e toadas as mais lindas músicas sertanejas com estilo genuíno, pureza d’alma, bom gosto e ênfase, os mais simples e cotidianos acontecimentos rurais. Suas letras, não apenas louvam a singeleza e a dura lida da roça mas, também, nos apresentam espetáculos maravilhosos do que ocorre na natureza, além de interpretarem e exaltarem o trabalho humano que nesse espaço é desenvolvido pelos protagonistas rurais.

E desse modo, cantando a melancolia da vida rural, valorizaram a natureza e a brasilidade deste nosso imenso País, conseguindo, inclusive, chamar a atenção de cantores e amigos importantes tais como: Almir Sater, Renato Teixeira, Rolando Boldrin, Milton Nascimento, Chico Buarque e outros de mesma categoria, inclusive, até de alguns cantores internacionais.

Amo ouvir suas vozes maravilhosas que eram, e são, o produto de uma união perfeita de afinação, timbre e harmonia. Foi com esse grande talento que conseguiram unir a música sertaneja à moderna, reavivando nossa imaginação para os fatos que acontecem no campo, ao descreverem em forma de poemas as maravilhas de fatos da natureza e a rotina da vida rural.

Muito me emociono ao ouvir musicas interpretadas por suas vozes que me lembram querubins. E, ainda hoje, quando ouço a melodia de suas vozes em dueto, acompanhadas pelos ritmos sonoros tirados de suas viola e violão, fico a lamentar que esses artistas não possam mais continuar nos brindando com suas vozes ao vivo posto que já empreenderam viagem para o andar de cima.

Exatamente por esse triste fato é que quem tem algumas de suas obras cuida delas com carinho e esmero para que possa desfrutar de momentos musicais de especial bom gosto produzidos por essa dupla que tantos prêmios conquistou na sua caminhada profissional cantando, escrevendo e interpretando a boa música brasileira.

Algumas dentre as muitas e consagradas canções deles são: "Chuá, chuá", "Cuitelinho", "Vaca Estrela e Boi Fubá", "Calix Bento", Gente que em de Lisboa". Aventure-se e conheça!

20 nov. 18 - Marina Irene Beatriz Polonio





DESFRUTE

O ambiente perfumado aguça meus sentidos e paladar.

Já na boca explode o sabor de carnudo e suculento caju.

Delícia das delícias!

20 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





SONHOS

Sonho sempre:

acordada,

dormindo,

trabalhando,

relaxando,

cantando,

chorando, rindo,

...



Não importa como,

nem quando ou onde,

importa sonhar.

20 de novembro de 2018 Marina Irene Beatriz Polonio





Gerundismo

A telefonista, do outro lado da linha, após atender o que lhe foi solicitado indica a seguinte ação: "O senhor pode estar anotando o número do protocolo?" quando o mais "correto" seria: "O senhor pode anotar o número do protocolo?".



Ora, quem estudou um pouco, a cada vez que tem os ouvidos feridos pela moda do gerundismo pode pensar: Será que essa pessoa não entende que o que disse traduz um processo? Esperando, pesquisando, fazendo, anotando e outros NDOS da vida dão um sentido de continuação futura aos verbos.

Essa moda que tomou conta das comunicações desde há algum tempo é um vicioso mau uso da língua portuguesa brasileira que, me parece, as pessoas estão usando por achar que estão falando "bonito", isto é, que se trata da linguagem padrão.

Sempre afirmo que tudo aquilo que você comumente fala em casa em forma de brincadeira, com certeza vai falar em outros meios. E com respeito a isso tenho sofrido várias críticas de pessoas que afirmam: Mas eu não vou falar isso em outros lugares!

Acontece que o hábito faz com que reproduzamos palavras ou expressões usadas na privacidade do lar em ambientes nos quais não desejaríamos fazê-lo. Com o gerúndio não é diferente, tudo porque esse vício se consolida na memória e "escorrega" de nossas bocas mesmo que não desejemos, podendo causar prejuízos como na hora de conseguir um bom emprego por exemplo. Pense bem nisso!

06/11/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





O PODER DAS MÃOS

Carlos Drummond de Andrade afirmava que “fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida”.

As mãos expressam muito. Através de seus toques, de suas palmas, de seus gestos podem transmitir: energia, carinhos, promessas, afagos, consolo, amor... ou não.

Delicadas ou grosseiras, dizem muito do que desejamos ou queremos dizer e, às vezes, dizem o que não queremos também prestando-se a milhares de coisas.

Seja em gestos religiosos, seja para exercícios de cura, seja para o trabalho profissional ou mesmo para aqueles cotidianos e rotineiros atos domésticos, elas encontram-se sempre permeando as ações do humano, quer retratando o que dita o cérebro ou o que manda o coração.

Jesus, com amor, as utilizava para curar assim como fazem algumas pessoas hoje em dia com a imposição delas.

Algumas das benesses das mãos são descritas por Moacyr Franco na bem escrita letra de sua música Balada das mãos.

De modo que, as mãos servem para curar e abençoar, apesar de que o reverso disso também seja utilizado por muitos de nós. Nesse caso vale relembrar o poeta Billy Blanco, autor da música Canto chorado autor que apregoava em sua letra “O que dá pra rir, dá pra chorar” acrescentando que tudo é uma “questão só de peso e medida, problema de hora e lugar” o que serve para todas as coisas da vida e, portanto, para as tarefas realizadas pelas mãos. Só depende de quem comanda as ordens, se é a razão ou o coração, a justiça ou a injustiça, o amor ou a falta dele, a humanidade ou a desumanidade...

06/11/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





Incomunicabilidade

Em que pese a época ser denominada Era da Comunicação, a relação entre as pessoas anda cada vez mais dividida e esparsa, provocando a incomunicabilidade.

Senão vejamos: estando num espaço limitado ou num mais amplo, o que vemos são pessoas, a maioria jovem, equipadas com dispositivos denominados MP (3, 4 etc.), portando e operando celulares, jogando ou navegando em outra parafernália tecnológica.

Nas residências, virou moda ter um aparelho de televisão em cada cômodo. Prática que isola os familiares e perde aquela essência de se eu amo, eu bem observo e, portanto, cuido bem. Assim, os integrantes da família tornam-se, cada qual, seres solitários pertencentes ao mesmo grupo. Estranho não?

Esses comportamentos que caracterizam uma época tecnológica, penso eu, estão prejudicando as relações mais estreitas com as pessoas reais. Não que eu acredite serem as tecnologias as culpadas de tudo, trata-se de um momento histórico em que as pessoas estão correndo freneticamente em busca do novo e, nesse meio, encontra-se a instituição familiar modificando-se.

Assim é que as pessoas pouco ou nada se vêem ou se visitam porque estão "ligados" em qualquer aparelho tecnológico quase na totalidade do tempo que têm à disposição. Quanto aos pais e mães, ilhados pelo tempo ocupado pelas profissões e afazeres domésticos, tornam-se quase estranhos para os filhos, o mesmo ocorrendo com a maioria dos filhos em relação aos pais.

Assim, não há tempo para cultivar e conhecerem-se VERDADEIRAMENTE: as amizades, os irmãos, os pais, os filhos, a vida enfim. Desse modo é que os jovens, aturdidos com tantas inovações à disposição e quase sem ninguém que os oriente nas diversas áreas da vida, estão se perdendo ao tomarem decisões erradas ou equivocadas, as quais em muitas das vezes trazem resultados fatais.

De modo que posso afirmar que, quanto mais os aparelhos têm propiciado a comunicação, menos as pessoas têm realmente se comunicado. Tempos em que a falta ou inversão de valores encontra-se amplamente difundida.

06/11/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





MESTRE

Um dia te sentaste nos bancos escolares

e lá aprendeste muito

O amor e o carinho de alguns mestres,

juntamente com todos os conteúdos ensinados,

te impulsionaram.

Agora, em tua carreira, como tal

tu devolves, não apenas os conteúdos, mas também o afeto

a quem deles necessita,

em dobro, triplo ou mais.

Foste influenciado pelo bom ensino e,

hoje, influencias, com dedicação, carinho e amor.

Contudo, para que possas ser a cada dia melhor naquilo que fazes,

segues as orientações do mais humilde dos mestres, Jesus, que pregava:

deixai vir a mim os pequeninos.

Lembra-te de, sempre, deixar que cheguem a ti

os pequeninos que não conseguem aprender,

os pequeninos que não aprendem por um ou por outro motivo,

os pequeninos que aprendem

e até aqueles pequeninos que aprendem mal,

porque desses pequeninos é o direito

à educação, ao amor, ao carinho

que não receberam em casa

mas que merecem receber

de ti, mestre humano e vocacionado.

Lembra-te, também, que um dia fostes pequenino

e que errastes e acertastes, até que aprendestes

a ponto de seres promovido,

na jornada estudantil,

a PROFESSOR!

Que tua missão seja repleta de

reconhecimento, valorização, amor puro,

desprendimento, garra e fé!

15/10/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





LUDISMO



Rabiola desengonçada.
Pandorga esvoaçante
Papagaio de papel
Curica sem plumagem
Cangula flutuante
Casqueta ligeira
Morcego diurno
Lebreque dançante
Coruja lúdica
Quadrado voador
Bacalhau pendente
Arraia tremedeira
Gaivota tremelicante
Maranhão brincalhão
Cafifa sem asas
Raia dos céus
Peixinho acrobata
Gereco veloz

Todo esse regionalismo em forma ludica evoca uma doida vontade de brincarrrrrrrrrr.

08/10/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





WORDS

Palavras são libertadoras,

pois dão vazão a sentimentos recolhidos

e nos fazem viajar por horas

a lugares os mais escondidos.


Palavras, elementos poderosos

que atravessam o tempo

a contar minúcias e segredos.


Palavras carinhosas

são alentos especiais,

pois nos tornam pessoas mais amistosas.


Palavras têm sentido e nexo,

quando falamos ou escrevemos,

seja de modo simples ou complexo.


Palavra, ora, a palavra é tão valorosa

quanto o ouro que reluz,

porque, de forma fabulosa,

as nossas trevas reduz.


Portanto, se você amigos quer fazer,

cuide daquilo que diz

Para não tornar alguém infeliz!


08/10/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





DOADORA “VERDE”

Sinto-me imensamente feliz por ser doadora de arvores. Isso está em meu gene ambientalista.

Para esses fatos contribuem meus amiguinhos, os passarinhos que, sobrevoando o espaço de minha residência bombardeiam-no com dejetos repletos de sementes dos frutos que comeram.

Eu os abençôo sempre por isso, porque os presentes que me trazem em seus pequenos cocozinhos, são preciosos e de todos os tipos: brassaias, cerejeiras, laranjeira, astrapéias/dombeias, pitangueiras, uvaias, ameixeiras, pé-de-galinha, espinheira santa, fruta do conde até limoeiro imaginem!

Insetozinhos também contribuem com essa minha mania ambiental porque polinizam as flores que me fornecem sementes. As sementes eu planto e... dôo. É um circulo prazeroso para mim.

Adoro observar o espaço em torno de minha casa e encontrar novas plantinhas para doar.

Porque as dôo? Porque se não fizesse isso eu teria que cortar e eliminar as novas arvores que encontro nascidas em meu quintal. Como isso não faço porque dói-me o coração, então eu espero que elas cresçam um pouco, transplanto-as em um vaso e fico procurando, entre todos aqueles que conheço, alguém que as deseje. Assim é que não dispenso nenhuma das mudinhas que me foram doadas pelas avezinhas benditas.

Sou privilegiada por essas ações. Explico: vez ou outra sou surpreendida por um amigo ou amiga que vem me dar conta de que a arvore que eu doei está dando frutos e que, por isso, se lembram sempre de mim. Não é uma maravilha? Alguns deles até me trazem frutos das arvores que um dia foram doadas.

Mesmo que assim não fosse, eu ainda teria a certeza plena de que estou contribuindo para o futuro do planeta e, também, para que as futuras crianças possam ter alguma fruta para comer ou chupar. Trata-se de uma herança verde que deixo aos descendentes daqueles que aceitam minhas doações. O que me deixa muito feliz, é o fato de saber que alguém, que não conhecerei, futuramente estará aproveitando-se, de alguma forma, daquilo que lhe deixei como herança neste mundo.

E se assim me sinto, como não se sentirão as aves e insetozinhos que no espaço de minha casa encontram terreno fértil para descansar e fazerem suas necessidadezinhas fisiológicas? Pense nisso!

01/10/2018 – Marina Irene Beatriz Polonio





DESAPARECIMENTO DAS ABELHAS

“Se as abelhas desaparecem da face da Terra, a Humanidade seguirá o mesmo destino em um período de quatro anos” afirmava Albert Einstein em sua época.

Já é notório, hoje em dia, o fato de que as abelhas, um de nossos principais agentes polinizadores e reprodutores das espécies estão desaparecendo. Essa verdade parece não dizer quase nada a quem pouco sabe sobre o trabalho desses insetos e como eles são essenciais à vida no planeta.

Ocorre que, mesmo apesar da descoberta de Einstein (que poderia ser chamada de aviso), as abelhas, responsáveis por grande parte da polinização e diversidade das espécies de plantas em nosso planeta, estão sofrendo com a redução de sua vida, com a perda de sua fecundidade e, devido a isso, não se reproduzem mais como antes, o que acaba em prejuízo a toda a cadeia alimentar. E isso afeta o Homem, posto que é problema global.

Abelhas coletam o pólen e néctar das plantas, a maioria das pessoas sabe. Mas ao fazê-lo para obter sua principal fonte de energia, estão sendo intoxicadas por agentes químicos que são pulverizados nas plantas desde a fase de semente. Fazendo isso intoxicam-se, morrem ou têm seu período de vida reduzido.

E nesse processo de intoxicação o Homem e todas as demais vidas terrestres fica à mercê da ingestão direta e indireta de inseticidas e pesticidas, seja através do consumo do mel e até de seus derivados, os mais comuns dentre eles são: própolis, geléia real e a cera.

De forma que as abelhas estão desaparecendo devido às imposições do capitalismo selvagem e aqueles benefícios que trazem à vida em nossa planeta estão minguando ou desaparecendo com elas.

Mas o uso abusivo de inseticidas e pesticidas não é o único fator responsável pelo desaparecimento das abelhas, as queimadas e os desmatamentos também são causadores da perda dos locais onde elas escolhem habitar.

O que fica de todo esse status quo é que, a ausência desses valorosos insetos, tão importantes para a economia agrícola mundial pode gerar sérios prejuízos econômicos à vida, além de causar sérios danos ao Homem e à Natureza pela extinção de muitas espécies vegetais.

Parece que o mesmo que está ocorrendo com as abelhas está também acontecendo com outros insetos benignos à vida, os quais têm também, como seu trabalho a função vital de reprodução ambiental.

Perde o meio ambiente e perdemos todos nós!

Marina Irene Beatriz Polonio





CÉUS

Existem muitos motivos para as pessoas observarem o céu. Os meus, que descrevo aqui hoje, abrangem as naturezas lúdica, artística e o deleite.

Gosto de entreter-me com as observações celestes. Seja orando, seja refletindo sobre as cores e nuances utilizados na “pintura” dos diferentes céus que visualizo na abóbada celeste em diferenciados dias, ponho-me a divagar ou imaginar a partir deles.

As cores e seus nuances, dispostas nesse cenário celeste, sejam as utilizadas nas nuvens, na dispersão dos raios de luz solar me fascinam tanto quanto os sombreamentos e iluminações do cenário noturno.

Me encantam a aurora e o crepúsculo, assim como o cálido ou quentíssimo sol disposto num céu azul sem muitas nuvens ou com muitas delas. Neste ultimo caso, fico a buscar formas nelas. E aí, acontecem deliciamentos lúdicos diversos.

Quando o sol projeta na abobada celeste suas cores que vão do vermelho intenso até a rosas cândidos, passando por alaranjados lindíssimos que chegam aos amarelos que, de tão esmaecidos que vão ficando chegam a parecer brancos, o panorama celeste se afigura, para mim, a um espetáculo de encantamento, cujo degrade maravilhoso se torna, às vezes, indescritível.

Um nascer ou um pôr do sol são espetáculos muito buscados pelas pessoas que desejam apreciar e se embevecer com tais visões privilegiadas. No primeiro caso, o astro rei desponta iluminando a tudo e a todos com sua luz resplandecente, a qual se faz tão forte e ofuscante que, de dia, os demais astros não se fazem visíveis, embora se encontrem lá.

Já quando a noite se apresenta, o céu noturno dá visibilidade aos demais astros e estrelas do cosmos, ao satélite da Terra - a lua, todos tão lindamente brilhantes que reduzem a escuridade. Dependendo da fase da lua, até as trevas são transformadas numa claridade que chega a parecer como que um dia apenas cinza azulado ou negro-vermelhado.

Seja com o prateado da lua triunfante sobre a noite, ou mesmo com a cascata de luminosidade que o dourado sol derrama sobre a Terra, tudo é mágico porque predispõe à inspiração poetas, músicos e pessoas em geral.

Contudo, há outro céu digno de nota. Aquele tomado por nuvens, nos mais variados tons de cinza, anunciando que chuvas se avizinham. E então os espetáculos são verdadeiramente diferenciados porque existe chuva em forma de queda com grossas torrentes que chegam a parecer cortinas pregadas lá no infinito, as quais, às vezes, são acompanhadas de barulhentos trovões e raios iluminadores do breu diurno ou noturno. Mas também há a chuva calma com seus simpáticos e gotejantes ping-pings meio sussurrados.

Quanto aos dias chuvosos existe, ainda, outro fenômeno a encantar as pessoas: a aparição do espectro do arco-da-velha ou arco-íris, como queiram, dispondo-se multicoloridamente quando o sol brilha sobre gotículas de chuva, formando um espetáculo esplendido.

20/09/18 - Marina Irene Beatriz Polonio





OS CANARINHOS DE PAPAI

Meu pai criava canários por hobby, ou seja, buscava se ocupar nas horas em que não havia nada para ele fazer. Além do valor sentimental e do prazer de ter a beleza e qualidades sonoras de tais pássaros, papai tinha brancos, amarelos, alaranjados, azuis, vermelhos etc. Um arco-íris expandido. Colírio para os olhos minha gente!

Mansos, os canarinhos se adaptam bem, se aninham de modo tranqüilo e se reproduzem sadiamente em gaiolas e viveiros.

Os canarinhos, quer em gaiolas individuais ou não, tomavam banhos, iam pulando de um a outro poleiro, como se estivessem brincando de pega-pega. Nos balanços, as avezinhas ficavam se balançando durante algum tempo, tal como fazem as crianças. É um deleite e uma graça assistir às necessárias movimentações que eles realizam naqueles espaços. Necessárias porque os canários, também precisam de exercícios para não engordarem demais e para não ficarem doentes.

Quanto à alimentação, papai reservava um bom período da manhã para tratar de seus bichinhos queridos. E limpava as gaiolas, e lavava e enchia os recipientes com água boa, limpa e fresca, sempre. Fornecia as alimentações certas para cada qual das frágeis avezinhas. E não eram poucos os canários que ele criava.

Havia uma grande gaiola viveiro que as pessoas chamam, também, de voadeira, onde cabiam muitos de seus canários.

Mas também havia gaiolas individuais e outras para acasalamento. O que chamava muito minha atenção, era a gaiola do acasalamento. A gaiola era dividida, internamente, em três partes. Na do meio ele colocava o machinho e, em cada uma das laterais, uma canária. E ficava atento ao que ali acontecia porque, quando “chegada a hora” (só ele sabia o momento certo), ele abria um dos compartimentos laterais e o canário macho passava para lá para “namorar” a canária. Seguiam-se, a partir desses momentos, outros cuidados de parte do criador.

Reservava, para alimentar suas delicadas e lindas avezinhas um arsenal de alpiste e sementes de girassol. Mesmo apesar de saber que se desse muito alimento aos canarinhos eles poderiam vir a adoecer e, quem sabe, até morrer.

Verduras, ele as escolhia e limpava muito bem. E dava almeirão e couve, as quais colocava penduradas entre as varetas da gaiola. Às vezes servia frutas cortadas em pedaços. E quando se aproximava a procriação (momentos dos quais só ele sabia ao certo), dava ovo cozido bem durinho para as aves que iam procriar. Depois de nascidos os filhotinhos, ele dava só as gemas de ovos aos recém nascidos e dizia que era para eles se prepararem para, futuramente, poderem comer o alpiste.

As plumagens dos canarinhos sofrem mudanças logo que o ano começa, podendo, a troca ou muda, durar por dois meses ou pouco mais. A muda começa pelas asas e cauda e, algum tempo depois, renovam-se as peninhas do corpo. Ah, a muda de penas não acontece na cabeça dessas aves. Nesse período, papai sempre colocava um pouco de linhaça junto com o alpiste porque, dizia, assim as penas ficavam mais viçosas e brilhantes.

Os ninhos, ele colocava um pouco acima dos poleiros das gaiolas e tratava com muito carinho da higienização deles porque, era ali que as fêmeas punham seus ovos para procriar.

Sabe-se que existem concursos para julgar os mais belos e melodiosos cantos dos canários, mas meu pai nunca levou os seus para participar de qualquer concurso, muito embora, seus cantos fossem algo digno de parar para ouvir. (Sabia que só machos cantam? São raríssimas as fêmeas que o fazem).

Os cantos, gorjeios e trinados dos canarinhos de papai, logo cedo, nos acordavam maravilhados com tamanha e variada sinfonia a nos animar e motivar para um bom e feliz dia.

12/09/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





POMAR URBANO

O terreno de nossa casa é grande e foi muito bem aproveitado e dividido por minha mãe. Nele ela fez jardim para suas queridas flores e ainda cultivou legumes, verduras e plantas medicinais. Nesse terreno ela plantou, também, muitas arvores frutíferas e é por isso que denominei esta crônica de Pomar Urbano porque, em geral, pomares são feitos nos sítios, chácaras e fazendas e ela cultivou um pomar aqui, em plena cidade.

Mamãe plantou no nosso pomar: duas espécies de mangueiras, uma macieira, ameixeiras (duas espécies: roxa e amarela), laranjeiras (também duas espécies: caipira e champanhe), mexeriqueira, pessegueiro, mamoeiros, duas espécies de bananeiras (nanica e ouro), jabuticabeira, limoeiro, figueira, parreira, goiabeira.

Quando um ou mais pé de fruta estava frutificando dava gosto porque, não apenas víamos as cores e sentíamos os odores mas, também, sentíamos a alegria de poder apanhar e saborear as frutas no próprio pé, o que é muito mais gostoso.

Nesse reino encantado chamado pomar, novas surpresas estavam sempre acontecendo para o deleite de nós, crianças e adolescentes. E se não tivéssemos que ir à escola e fazer uma ou outra atividade em casa, com certeza passaríamos os dias ali naquele mar verde elevado e alegre (de vez em quando muito colorido pelas diferentes frutas) propicio ao sonho, encantamento e brincadeiras infantis.

As arvores, beijadas pelo sol, fustigadas pelo vento e molhadas pelo orvalho, tinham frutas a crescer e madurar em quase todas as estações do ano. As mais variadas nuances de cores frutíferas ali aconteciam, tanto que até nosso paladar, motivado por essa exposição, nos levava a ter água na boca.

Quando o pomar estava todo colorido e o sol aparecia amarelin amarelin, borboletas, insetozinhos e aves variadas vinham ali pousar e se alimentar expondo toda a maravilhava de suas formas e cores a nossos sonhadores e maravilhados olhos mas, também, privilegiavam nossos ouvidos com seus maravilhosos cantos.

O espaço do pomar, antes de as árvores se encherem dos frutos, se tornava um imenso parque de diversões a céu aberto porque, brincávamos de tudo nos galhos das arvores: esconde-esconde, de “casinha”, de piratas nos seus navios etc., mas também, ora fazíamos arte fabricando boizinhos de chuchu ou outros, ora fazíamos outras “artes” indesejadas, dentre elas apanhar, para comer, frutas que nem estavam “de vez” (quando levávamos cada repreensão de mamãe) e também fazíamos a gostosa e famosa guerra de mamonas que nos deixava vermelhões, na parte do corpo que foi magoada, e muito verde pelas roupas. E mais bronca tomávamos! Tudo era um verdadeiro e feliz acaso nesse mundo encantado e prazeroso. Pena que acaba!

08/09/18 - Marina Irene Beatriz Polonio





CORUJAS BURAQUEIRAS

Existem muitas espécies de corujas no mundo.

De modo geral, elas contam com ampliada visão para longe, o que permite que visualizem presas a serem caçadas a grandes distancias. A audição delas também é muito apurada e, mesmo sem ver a presa, conseguem saber onde a presa se encontra. Suas refeições constituem-se de roedores, de aves e outros bichos de pequeno porte, os quais conseguem comer até inteiros! Digerem a caça e depois vomitam pelotas contendo ossos, pelos e dentes das presas.

São aves de rapina que, geralmente vivem em florestas, mas também podem viver em diferentes lugares áreas urbanas, desde que tais lugares apresentem boa quantidade de presas a serem caçadas.

Você deve estar se perguntando porque resolvi falar de corujas hoje?

Porque no caminho por onde passo sempre há uma família de corujas buraqueiras.Pesquisei para saber o nome dessa espécie e fiquei sabendo que elas têm esse nome porque fazem seus ninhos em buracos no chão.

Têm hábitos noturnos e também diurnos. São silenciosas, mas quando sentem-se ameaçadas fazem vocalizações agudas (barulhentas) enquanto voam baixinho, baixinho para afugentar a ameaça. Sei disso porque quando eu quis fotografar os filhotinhos que haviam acabado de nascer, uma delas (seria a coruja- macho?) agiu assim e eu fiquei sem a foto.

Acompanhei o aumento da família desde a união conjugal até o nascimento dos três filhotes. Aconteceu assim, desde que vi a primeira, ela ficava à “porta” do buraco e nem se mexia. Era verão! Algum tempo depois surgiu uma outra e as duas sempre se exibindo nas imediações do lado de fora do buraco.

Mas o tempo passou e não as vi durante muito tempo até que certa feita, ao passar pelo local, vi uma família de cinco corujas (três ainda novinhas) tomando o sol da primavera. As duas sempre cercando os filhotes com a cabeça girando para cá e para lá, sempre atentas a tudo e todos.

Tão lindo testemunhar a união dos cinco exemplares. E não apenas eu paro para apreciá-las, mas muita gente mais. De maneira que, além de atração bonita e interessante, elas são uteis porque limpam a redondezas de bichos indesejáveis.

29/08/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





POLÍTICA DE BOA VIZINHANÇA

Se você deseja ter uma boa relação com seus vizinhos deve ter em mente que existem regras e atitudes corretas que vão a favor de uma boa convivência e que, muitas delas estão descritas no nosso Código Civil.

Não sabia disso? Então saiba que alguns assuntos como barulho, muros, árvores, animais, crianças, animais de estimação etc. são contemplados no Código Civil, por se tratarem de principais focos de tensão entre vizinhos e por terem gerado conflitos.

Vizinhança é assunto sério!

E as regras e leis não valem apenas para condomínios. Mesmo morando numa casa, porque as pessoas são diferentes, existem normas para o relacionamento de vizinhança residencial também. Vizinhos são necessários e podem ser bons. Basta que você tenha com eles atitudes de boa vontade e tolerância, tão necessárias ao convívio comunitário.

Outras atitudes que podem aproximar vizinhos (ou até afastá-los caso não sejam praticadas) são, dentre outras: o respeito ao próximo, a cordialidade (desejar um bom dia/boa noite), a cooperação entre vizinhos no que for possível etc., enfim, buscar conquistar os vizinhos angariando simpatia.

Mas um convívio que se pretenda salutar implica muito mais do que apenas isso, devemos ter o telefone dos vizinhos – e até mesmo de familiares próximos – para ajudarmos em qualquer tipo de problema que precise ser comunicado imediatamente, tais como doenças, roubos, morte, incêndio etc.

A questão do barulho é fato que exige bom senso entre vizinhos. Não é porque a Lei estabelece as vinte e duas horas como limite para o som alto que não devemos nos preocupar se nosso vizinho tem alguém doente em casa ou se algum familiar seu acabou de falecer. Devemos proceder com empatia para não perturbarmos o sossego do lar vizinho com barulheiras em respeito às dores e repouso do doente e, também no que diz respeito aos sentimentos ao vizinho que perdeu um ente querido.

Você tem cachorro(s)? Ah, então cuide para que ele não atravesse a grade e invada os domínios dos vizinhos ou a rua. Se ele é seu, a responsabilidade legal também é!

A construção, conservação e manutenção dos muros também está normatizada e responsabiliza ambos os vizinhos por isso.

Outra questão que ocorre é que haverá momentos em que você se verá sujeito a cortar arvores de seu quintal porque sujam a calçada ou piscina do vizinho. Isso é o certo a ser feito.

E as frutas provenientes de arvores frutíferas que passam por cima de seu muro são do seu vizinho a não ser que ele as dê para você ou permita que você as apanhe. Ah! se elas caírem do seu lado passam a ser suas.

Caso haja alguma planta trepadeira que “teima” em adentrar o espaço do seu vizinho, o melhor a fazer é cortá-la para evitar conflitos.

Não deixar quaisquer tipos de sujeiras caírem no quintal do vizinho é norma de vizinhança também, mas caso caiam, procure limpar. Outro exemplo: se você construiu um cômodo ou mesmo muro, e seu pedreiro exagerou no chapisco a ponto de ele atingir a parede ou outra parte da casa do vizinho, peça desculpas ao vizinho e permissão para seu pedreiro limpar a sujeirada.

Quando for molhar suas plantas, procure não direcionar o jato d’água para o alto para não molhar partes da casa do vizinho ou alguém que esteja passando.

Procure orientar seus filhos/netos/visitas a não jogarem objetos – por menores que sejam – na casa dos vizinhos. Se acontecer, peça desculpas e procure evitar novas ocorrências e impasses judiciais.

Com essas poucas orientações se torna, basicamente possível, você se dar bem em qualquer lugar do mundo porque estará cultivando a política da boa vizinhança. Assim, os tribunais ficarão sujeitos a menor numero de processos sobre conflitos entre vizinhos e você terá paz e sossego.

23/08/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio





Aqui da minha Varanda

Desse espaço de minha casa tenho uma visão privilegiada. De dia a perspectiva é de um horizonte longíquo, quase infinito, em que o cenário se apresenta azulado e meio esfumaçado, quase que uma miragem em que a cerração ditorce formas.
Desse modo, a movimentação que vejo é pouca, ficando visíveis apenas o ondulado dos campos e as plantações coesas que se apresentam nos mais diversos tons da cor verde em formas diferenciadas.
Porém, à noite, a amplidão dessa mesma área se transforma sendo possível visualizar muitos mais sinais de vida.
Dentro do negrume noturno observo, à minha direita, a presença do Distrito de Warta (nome adotado por ser de um rio da Polônia). Na mesma direção geográfica, mas à minha esquerda, percebo a presença do municício de Bela Vista do Paraíso (união do povoado Bela Vista com a localidade Paraíso).
O manto noturno ressalta, por contraste, a vida que acontece nesses espaços e em seu entorno. Assim é que, apesar do negrume, é possível eu distinguir carros que delineiam as serpenteantes estradas. O movimento se forma por conta das luzinhas amarelas que "correm" tal qual fosse imenso colar de contas amarelas em movimento.
E mostram mais.
Vislumbro ali a existência das duas mãos da rodovia porque à direita desse colar algumas luzes vermelhas seguem indo, enquanto que à minha esquerda, às vezes, uma ou outra luzinha amarela sai do percurso do "rosário" e foge para a direita ou esquerda, o que significa que pegaram estrada para sítio, fazenda, etc.
O contrário, de alguma outras luzinhas se incorporarem ao colar, também ocorre.
Dentro do véu de escuridão, avisto, nos núcleos que deduzo serem as duas localidades, muitas luzes amarelas, estáticas, em linhas retas e paralelas e outras, ainda, dispersas, parecendo indicar o aglomerado do grosso central da povoação do distrito e da cidade.
Em aluguns lugares, um pouco afastados desse panorama, em tempo de plantio ou de colheita de safra, vejo luzinhas amarelas que traçam um ziguezaqueado incessante de lavra, o que indica serem máquinas agrícolas a trabalharem o solo ou a coletarem os frutos do trabalho dos agricultores, bem ao contrário daquilo que o dia me possibilita ver.
Tudo aquilo que vislumbro de dia ou de noite me leva a ficar muito tempo observando da varanda, coisa que me deleita e faço muitas e muitas vezes, porque sempre há coisas novas dignas de serem notadas nesse incessante processo vital.

22/07/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio