JVC
João Vianei Carozzi
Presidente Prudente - São Paulo
 Boa Noite!!!
Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019.
 :: CRÔNICAS - DEDO DE PROSA



TÁ TODO MUNDO ´BRIGADO(A)`

As pessoas de hoje são nativas digitais o que equivale dizer que já nasceram sob a égide das muitas e diferentes tecnologias ativas, de modo que, desde cedo já possuem muito conhecimento e domínio tecnológico os denominados Geração isto ou aquilo.

São usuários de computadores, programas, notebooks, internet, aplicativos, blogs, redes sociais, vídeos, celulares , MP3 players, smartphones, tablets etc. que os mantém on line o tempo todo. Tudo, nesse contexto, é diferente para eles. E, desde que as tecnologias os “pegaram” para valer, temos visto costumes um tanto quanto estranhos...

Por quê? Porque o costume de sintetizar (abreviar) as palavras, coisa corriqueira nas redes sociais e em alguns outros meios de comunicação informal, vem sendo utilizado com a justificativa de falta de tempo ou maior aproveitamento dele no dia a dia virtual e real, pasmem!

Atualmente observa-se que está todo mundo `brigado´ ou `brigada´, desde as pessoas mais simples até aquelas que investigam, redigem e transmitem notícias (jornalistas) e, inclusive, alguns outros tantos intelectuais.

A expressão `brigado´ ou `brigada´, forma verbal abreviada de obrigado/a, é palavra que está correndo solta nas mensagens via redes sociais.

Contudo, na internet mesmo é fácil identificar a origem latina da palavra obrigado como forma de agradecimento que teria como resultante a expressão “fico-lhe obrigado/a”, ou seja, a quem me fez um favor eu fico reconhecidamente ligado pela OBRIGAÇÃO que lhe devo.


Vamos entender agora os significados de brigado e brigada, segundo o Dicionário Aurélio On Line: brigado e brigada trazem os mesmos significados, isto é: brigar, lutar, disputar.


Já segundo alguns outros dicionários, brigada constitui um corpo militar e refere-se às forças armadas na maioria dos países.

Você pode perceber que está todo mundo `brigado´ ou `brigada´ no linguajar nosso de cada dia, através das conversas ao vivo, via e-mail, chats, aplicativos para telefones e smartphones onde as mensagens são instantâneas, lugares em que esse uso é maximizado.

Isso nos alerta para mudanças na língua porque as pessoas estão trazendo o linguajar que usam na internet para as relações coloquiais, ou vice versa. Em síntese, pode-se afirmar que nossas conversas escritas trazem o linguajar do dia a dia em razão da nossa pressa de nos comunicarmos o que nos faz cortar ou abreviar palavras porque a conversa é informal.

Em razão do exposto é que, neste Brasilzão de meu Deus, nos encontramos todos `brigados´ ou `brigadas´!

26 de julho de 2019
Marina Irene Beatriz Polonio




AO REPICAR DOS SINOS

O sino, há milênios, vem cumprindo funções sociais de anúncio desde a longínqua origem de sua existência. Nessas remotas épocas, esses instrumentos de percussão sonoros difundiam mensagens boas, más ou, ainda, assinalavam horas num tempo em que o relógio ainda não existia.

Houve época que esses instrumentos chegaram a ser tão relevantes que a Igreja Católica os utilizou como símbolo.

A igreja Católica tocava seu sino ou sinos, para alertar os fiéis de que era hora de congregarem e a fazê-lo para tantas outras informações, a tal ponto que esse instrumento passou a ser considerado um importante elemento de comunicação.

O sino era entoado de acordo com o fato que lhe deu origem, ou seja, se o momento era de alegria ou de tristeza, as badaladas dos sinos traduziam isso de maneiras diferentes. Ou seja, os sinos “falavam” com o povo de forma alegre ou triste. Nesses tempos, eram os sinos, e apenas eles a existirem pendurados no campanário das igrejas. Campanário é o nome do local (torre da igreja) onde ficava o sino ou sinos.

Mas esses instrumentos sonoros necessitavam de alguém para operar suas cordas e badalos. Sendo assim, na igreja católica, esse trabalho era reservado ao sineiro que, geralmente, era a pessoa do sacristão.

Mas, tecnologias foram surgindo e, seguindo a evolução da Humanidade, o relógio foi inventado! A partir dessa invenção, algumas igrejas somaram às suas altas torres o relógio, agregando valor aos repiques dos sinos e à comunicação com as comunidades. Inventado o relógio mecânico, muitas cidades dispensaram seu sineiro porque, a partir de então, os relógios e os sinos passaram a ser acionados por mecanismos eletrônicos.

Muito tempo se passou desde então.

Na minha cidade, a torre onde estão os sinos e a torre do relógio são partes de uma mesma edificação. Durante mais ou menos uns trinta anos, os sinos da igreja foram “tocados” pelo sacristão Sr. João Acácio Lugle que trabalhou como sineiro até 2016 mais ou menos. Isso porque a tarefa de fazer dobrarem os sinos estava incluída no contrato profissional do sacristão.

Ainda hoje, o repicar de sinos que acontece em nossa cidade, costuma fazer anúncios de chamamento a procissões, festas e algum ou outro aviso que, religioso ou não, seja de interesse à comunidade cristã.

Com respeito aos anúncios de falecimentos que, até certo tempo atrás eram feitos em nossa cidade, quando se ouvia uma melodia religiosa triste veiculada por potentes alto falantes, logo se escutavam informações sobre quem era a pessoa que falecera, onde seria o velório e a hora do sepultamento do falecido ou falecida. Até que a construção da primeira Casa de Velório da cidade veio modificar esse fato e as notas de falecimento foram extintas, isso porque tudo que é relativo a velório passou a acontecer naquele espaço especifico e, assim... os sinos da igreja pararam de dobrar por quem morreu.

Outro uso do repicar dos sinos cambeenses refere-se ao costume de o relógio mecânico (programado para tocar), soar avisando horas inteiras, meias horas e um quarto de hora.

De modo que se alguém te perguntar POR QUEM OS SINOS DOBRAM? Você pode até responder: por todos nós cambeenses!

26 de julho de 2019
Marina Irene Beatriz Polonio




”DEFUNTINHO”

Morávamos no sítio de papai, distante do centro da cidade de Reserva, Paraná.

Numa tarde ensolarada, ali por volta das 17 horas, enquanto minha mãe havia ido ao centro da cidadezinha, meu pai trabalhava ao redor da casa ao mesmo tempo em que cuidava de meu irmão que tinha, à época, mais ou menos uns cinco anos de idade. O pequeno brincava no quarto, podendo ser visto pela janela.

Era um tal de meu pai alternar o olhar entre o trabalho que fazia e a criança que cuidava, sem descanso. Depois de algum tempo nessa prática, na derradeira olhadela, não vislumbrou a criança a brincar. Seu pensamento foi de que talvez o pequeno dormisse e, assim pensando, continuou o seu trabalho. No entanto, o tempo foi passando e ele, refletindo, pensou que a criança dormia tempo demais e arriscou novo olhar à janela e..., nada do pimpolho aparecer. Resolveu largar um pouco o trabalho e ir à janela espiar o que acontecia. Viu que o pequeno jazia no chão como se realmente dormisse. Dando a volta pelos fundos da casa, já preocupado, chegou até o quarto e foi colocar o filho na cama, não sem muita preocupação quanto ao fato do pequeno dormir profundamente em hora imprópria para sua idade. Chamou, chacoalhou, mas nada de meu irmão acordar. Preocupadíssimo, até ousou lavar o rosto do pequeno com água fria, mas, qual o quê, ele não acordou.

A madrinha do garoto era uma espécie de faz de tudo e meu pai, mal meus irmãos mais velhos chegaram da escola, mandou que o mais velho dentre eles fosse chamar a comadre no sítio vizinho.

Nessas alturas, quando o dia já estava transformando-se em noitinha a madrinha chegou. Colocou um espelho na frente do nariz do afilhado e apurou que a respiração não existia. Sem alarde ela, então, preparou e passou uma meleca de ovos e ervas nos pulsos e planta dos pés do garoto. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade e, não tendo conseguido reanimar o defuntinho, escutou-lhe o coração e afirmou que ele tinha parado. Papai confirmou também, pois não escutou qualquer batida. Depois de tentativas diversas dos dois, o remédio foi aceitar que meu irmão havia morrido.

Na época, não era costume chamar um profissional médico para confirmação de mortes.

Imaginem o susto de mamãe ao chegar e ver seu "bebê" morto. Porém, teve que acreditar. Com o tempo passando, comadres, compadres e vizinhos foram chegando para velar o corpinho sem vida. E tudo foi ajeitado para o velório.

Já, então, a noite deitava suas sombras sobre tudo e todos. Logo ali perto, no mato, cricrilavam grilos, corujas e outros bichos noturnos.

Como a cidade ficava longe para a compra e chegada do caixão, o defuntinho foi arrumado, primeiro, em cima da cama, como era o costume. A questão da urna funerária seria resolvida na manhã que logo chegaria.

Velas, roupas e flores foram providenciadas. A essa altura, com a casa já cheia de gente, as orações, hinos e choros de desconsolo faziam um alarido sem par.

Nossa família não se conformava com o ocorrido. Todo mundo era uma tristeza só. E muito mais pelo fato do defuntinho ter uma saúde de ferro e nunca haver sofrido qualquer doença grave.

Assim a noite seguiu seu curso cedendo lugar à madrugada.

Ali pelas três horas e alguma coisa, o defuntinho abre os olhos, coloca os polegares, um dentro de cada orelha, faz uma careta bem feia e enrugada (parecendo uma fuinha), põe a língua fora da boca e emite dois brleleleles, ao mesmo tempo em que chacoalha, em semi-círculos, os oito dedos livres no ar, bem em direção ao teto da casa. A seguir, olha em volta assustado com tanta gente, alaridos e Ohs! de sustos, levanta-se ainda estremecente e, muitíssimo rapidamente, corre para fora da casa. O susto e a surpresa de todos os presentes foram tremendos. Porém, o susto e a surpresa dos familiares foram seguidos de muita alegria.

Ninguém entendia nada, mas mesmo assim, todos da família estavam muito aliviados porque o menino estava vivo.

Até hoje esse meu irmão Zé conta-nos rindo, que, tendo chegado ao céu, São Pedro lhe dissera que ele deveria voltar, pois ainda tinha uma missão a cumprir aqui na terra. Ele sempre justificou que foi por isso que teve que ressuscitar. E nós agradecemos a Deus por tê-lo até hoje conosco.

14 de julho de 2019.
Marina Irene Beatriz Polonio




MARINGÁ

Olho da sacada e vejo muitos prédios construídos e outros tantos em construção. Consigo abarcar, com minha visão, muitas ruas e avenidas, o que significa, também, muito asfalto e calçadas.

Mas o melhor de tudo isso é que, entremeando ruas, avenidas e edifícios eu vejo muitíssimo verde. A cidade, vista do alto, parece um lindo e verde mar.

A cidade é muito arborizada porque tem um plano de arborização muito bom. Do alto se podem ver ruas repletas de: Acácias, Quaresmeiras, Paineiras, Ipê Roxo, Ipê Amarelo, Patas de vaca, Flamboyant, Jacarandá-mimoso, Tamareira do Oriente, Acácia Imperial, Palmeira Imperial e outras mais.

Desde 1949 é que Maringá conta com esse projeto de arborização. E, de acordo com esse plano paisagístico, que está em consonância com o traçado original é que, para cada rua, avenida ou praça foi escolhida uma espécie de árvore, de tal maneira que Maringá é uma das poucas cidades do país a terem árvores floridas durante todo o ano, o que denota uma preocupação e cuidados com suas áreas verdes em que há muita vegetação nativa. São 90 alqueires de matas nativas, distribuídos por dezessete bosques e milhões de árvores de diversas espécies plantadas ao longo das suas ruas, avenidas e praças.

Ainda, em se tratando do verde, a cidade conta com três grandes áreas denominadas pelo seu criador de “pulmão verde”, sendo uma delas reservada a mudas (horto) e as outras duas que servem como atração turística.

O parque do Ingá é um ótimo ponto de lazer para passeios, pois as pessoas divertem-se por ali respirando o oxigênio puro liberado pela muita mata nativa que há.

Esse parque dispõe de um lago com pedalinhos, zoológico, parque infantil, quiosque, Academia para Terceira Idade e um lindo jardim imperial japonês inaugurado em 21 de junho de 1978, em homenagem à visita do então Príncipe Akihito e sua esposa Michiko, na época Imperadores do Japão.

Logo na entrada dele podemos ver uma máquina de trem, a qual tem o nome genérico de Maria Fumaça, e carregava muitos vagões, usada que foi, no passado, para fazer o transporte de pessoas e de cargas.

Outra forma de lazer que o parque proporciona é sua pista externa, onde diariamente centenas de pessoas fazem a atividade física denominada Cooper. Mas, também ali se divertem pessoas se encontrando, descansando das atividades, vendo seus filhos andarem de patinetes e bicicleta ou então, apenas sentados vendo a movimentação. Enfim, a verde área de lazer serve a muita gente.

Essa bonita cidade é chamada também de Cidade Canção como consequência de um fato interessante que ocorria durante sua construção: os operários cantavam o tempo todo a famosa musica “Maringá“ de Joubert de Carvalho, que tinha enorme sucesso à época. Assim é que ela recebeu por nome Maringá. Para mim, essa cidade, além do cognome de “Cidade Canção”, o qual lhe foi dado carinhosamente, poderia adotar o cognome de “Cidade Verde” a que faz juz.

Adoro essa cidade verde por sua beleza e, especialmente, porque abriga toda minha amada descendência.
14 de julho de 2019.
Marina Irene Beatriz Polonio




MATEMÁTICA NA NATUREZA

Galileu Galilei (1564- 1642), já afirmava que a Natureza está escrita numa linguagem matemática. Enquanto que Albert Einstein (1879 – 1955), afirmava que “A Natureza é a realização de tudo quanto é matematicamente mais simples”.

Diante de tais afirmações se deduz que existe uma infinidade de relações numéricas na Natureza. Aqui apresento uma delas, que observo diariamente no espaço de meu quintal, que são as relações existentes entre o tamanho das arvores com os seres vivos que as procuram.

O tamanho das arvores e das aves encontram-se associados, segundo Einstein porque animais e aves grandes procuram arvores grandes e fortes para se abrigarem ou se alimentarem. Ainda segundo a teoria desse sábio, quanto menos recortado for o contorno dos galhos de uma árvore de grande ou médio porte, os visitantes a se utilizarem dessas condições como refugio são: gaviões, pombos, morcegos frugíveros entre tantos outros de médio e grande porte.

Enquanto que aves e animais de pequeno e médio porte como: sabiás, sanhaços, tico-ticos, beija-flores, pardais, rolinhas, etc. abrigam-se em arvores menores porque elas têm contornos mais recortados e eles são os únicos capazes de se utilizar dos pequenos abrigos ali disponíveis enquanto buscam proteção contra predadores e variações climáticas, ou mesmo, enquanto buscam alimentação.

Há, também, nessa constante busca por ambientes mais seguros e alimentação disponível, toda uma população de insetozinhos e minúsculos seres vivos que buscam as arvores e plantas de pequeno e médio porte e que, assim, contribuem com o processo de polinização tais como: besouros, abelhas, borboletas e mariposas, formigas, moscas e tripes que, seja voejando, visitando ou beijando as flores em seus vôos e caminhares se alimentam dos seus néctares.

De maneira que, os refúgios que as diferentes arvores e plantas fornecem encontram-se relacionados, matematicamente, ao tamanho de cada um dos insetos, animais e aves que nelas se refugiam.

Assim é que, observando a natureza diariamente eu, além de buscar sempre compreender como ela funciona, adquiro compreensão sobre essa relação existente entre a matemática e o universo ambiental de que disponho e o qual desfruto o quanto posso.
14 de julho de 2019.

Marina Irene Beatriz Polonio




RESÍDUOS SÓLIDOS

Realizo a separação dos resíduos sólidos e, para isso, meus procedimentos são separá-los em: recicláveis secos, resíduos orgânicos e rejeitos.

Separo os recicláveis secos em: latinhas e outros, papel e o papelão,embalagens longa vida como as da Tetrapak, plásticos e vidros.

Já os resíduos orgânicos eu separo em: restos e cascas de frutas, legumes e verduras, saquinhos de chás, migalhas de pães ou biscoitos, pó de café, coadores de papel, grãos ou farinhas crus, raízes, capim seco, aparas e cascas de arvores, serragem e outros.

Quanto aos rejeitos separo: fraldas, absorventes, cotonetes e outros resíduos de limpeza.

Contudo tenho, também, uma preocupação, paciência e atenção para contribuir com a logística reversa que são aqueles produtos que devem retornar aos fabricantes para que eles façam a destinação ambientalmente adequada. Assim é que, separo pilhas, baterias e lâmpadas usados os quais levo a quem os vendeu a mim.

Toda esta minha atitude de separação dos recicláveis tem gerado, em algumas das pessoas que freqüentam minha casa, uma aversão e um “torcer de nariz” porque reputam meus procedimentos cuidadosos com o lixo como também, os cuidados com os gastos desnecessários de luz e água, como uma verdadeira “chatice”. Essas pessoas parecem não ter preocupação alguma com a futura falta de alguns elementos que não são renováveis. Alguns, com respeito à água, dizem que jamais ela vai acabar, sem dispensarem preocupação alguma com nosso Planeta e com as pessoas do futuro. Apesar disso, continuo fazendo minha parte!

Porém, quando pratico a separação do lixo doméstico algumas duvidas têm aflorado meu raciocínio com respeito à limpeza dos materiais. Fico refletindo se, ao lavar um recipiente sujo, eu esteja contribuindo mais com o sólido que vai para a reciclagem e menos para coma questão da água.

Sempre que tenho um plástico que embalou carnes, uma lata de sardinhas ou embalagens de saches vazios, ao lavá-los para colocar no lixo adequado eu logo penso na sustentabilidade e aí me volta aquela duvida, já que a água é recurso não renovável. Essa incerteza é inquietante. Não sei o que é mais certo. Mesmo que eu esteja sempre procurando ler a respeito não encontro nada que possa sanar minhas duvidas quanto ao que seja o melhor a fazer. E sigo fazendo minha parte no que considero ser o certo hoje, tudo pelo bem e equilíbrio de nosso Planeta e pelos tantos seres que nele vivem.

23 de janeiro de 2019 - Marina Irene Beatriz Polonio




FALANDO SEM SOM

O caminho chamado trânsito público e de transportes “fala” e aponta à motoristas (e pedestres) as regras gerais para circularem em estradas, ruas ou rodovias. Por todo lugar existem sinalizações.

Verticais são as seguintes: regulamentação (com fundo branco e forma padrão circular), indicação ou educação (pode ter fundo branco/verde/azul e variadas formas); advertência (com fundo amarelo e forma padrão quadrada), informação (placas com predomínio da cor azul) e outras tantas mais como as da existência de obras (com fundo alaranjado).

Já as horizontais são aquelas compostas por linhas, marcações, símbolos e legendas pintados/apostos/escritos sobre o asfalto.

Placas de identificação se referem a: rodovias e estradas, municípios, praças de pedágio, de sentido, de divisas entre estados e municípios, semáforos, rotatórias etc. As indicativas “falam” sobre distancia entre lugares/cruzamentos; espaços específicos para pedestres/ciclistas/ônibus; aeroportos, de serviço telefônico etc.

Mas os veículos também “falam”, vejamos como.

Caminhões e veículos de grande porte apresentam rótulos de riscos e painéis de segurança com seus sinais reflexivos nas cores amarelo e preto, alertando para a observância da distancia e cuidados redobrados a se ter perto deles para transitar em segurança. Outras informações importantes são “faladas” através dos faróis com sinais de luz: de freio, de ré, alta/baixa, pisca-pisca, pisca - alerta e muitos mais.

Contudo, há sinais aos quais todos deveriam estar atentos para evitar que causem/sofram conseqüências oferecidas por seus riscos: fumaça de queimadas; buracos/desníveis na pista; objetos caídos/jogados na pista; chuva/neblina/vento e sol direto; gestos que condutores fazem com os braços...

Existe, ainda, um Código de Trânsito regendo ciclistas, sabia?

Buscando garantir o bom convívio entre todos que se locomovem com veículo automotor ou não (aqui se encaixa a bicicleta básica que não se locomove a motor) nas ruas, estradas, rodovias no que diz respeito à segurança, todos devemos estar atentos às Leis e Regras normativas do transito brasileiro. Nesse sentido é que entende-se que, legalmente, no transito, todos têm direitos e deveres.

E mesmo que o ciclista não seja obrigado a ter uma carteira de habilitação para dirigir seu veiculo, ele deve entender as leis de trânsito, o mesmo valendo para o pedestre. Afinal, no transito, todos devem zelar pela segurança de todos. Para isso é que se formularam Leis e regras!

E todas essas regras objetivam um transito mais humanizado em que motoristas, ciclistas ou pedestres possam ficar vivos e deixar que os demais fiquem vivos também.

´Bora ler tais sinais?

23 de janeiro de 2019 - Marina Irene Beatriz Polonio




LÁ VEM O TREM





Lá vem o trem

Poluindo nossos ouvidos

Interferindo em nossa calma.



Lá vem o trem

Aguçando nossos sentidos

E até matando alguma alma.



Lá vem o trem

Carrega de um tudo

Quem dera estivesse “mudo”!



Mas “mudo” não poderia ser

Porque senão, vitimas ele iria fazer

pois há muitas pessoas desatentas.



Lá vem o trem

Em seu cadenciado compasso

Transportando vida e até aço.



Lá vem o trem

Com alguns ares de passado

Passa quase a nosso lado.



Lá vem o trem

Apita que apita

E a todos irrita.



Lá vem o trem

Impedindo a passagem

Dos trabalhadores de boa vontade.



Lá vem o trem

Servindo de mote à poesia e brincadeira

Como escreveu Manuel Bandeira.



Lá vem o trem

Trazendo alguns tipos de alimento,

Ferro, óleos e até cimento.



Lá vai o trem

Apitando bem nervoso

Mas amanhã, com certeza, voltará de novo!

31 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




ESPECTROSCOPIA OU RESSONÂNCIA MAGNETICA NUCLEAR

O médico pediu e lá fui eu fazer uma RMN para, através de várias imagens com múltiplos “cortes” de uma parte do meu corpo buscar detectar o que ocorre de anormal alí, com detalhamento e precisão.

Deito-me na marquesa, recebo fones de ouvido e, já instruída sobre como me comportar, fico presa dentro daquele aparelho e, portanto, à mercê do campo magnético e da irradiação das ondas de rádio que ele utiliza para chegar a um diagnóstico.

Imediatamente iniciam-se os sons parecidos com pancadas durante todo o funcionamento do aparelho, o que causa desconforto mesmo apesar das atendentes, solícitas, fazerem tudo para que nos sintamos confortáveis.

Alguns do diversos e diferentes sons emitidos são parecidos com palavras como:



ILDA ILDA ILDA ILDA ILDA

UA UA UA UA UA UA UA

OU OU OU OU OU OU

PA PA PA PA PA PA

TA TA TA TA TA TA TA

UUUUUUUUUUUU



Esses irritantes sons martelantes só têm fim quando a sucessão das imagens tridimensionais adquiridas permitem a realização de um relatório com resultados sobre o que a máquina “leu” em nosso corpo ou parte dele. E isso só acontece depois de um longo tempo!

Saio da marquesa atordoada, mas aliviada com o cessar dos sons que, ora sozinhos, ora em conjunto feriram minha sensibilidade auditiva, apesar dos fones de ouvido.

A espectroscopia (Bendita descoberta!) resulta de longos séculos de acertos e erros em pesquisas e experimentos científicos até obter-se a técnica de “ver” o que ocorre dentro de nós sem ser invasivo, originou-se dos estudos de muitos físicos desde Newton (1665). Porém, foi Bloch, em 1952, quem ganhou o Nobel pela descoberta da RMN que hoje nos serve e que continua sendo aperfeiçoada. Tomara algum dia um cientista consiga aprimorar a RMN para um modo mais tranquilo sem aqueles terríveis sons!

31 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




POETIZANDO

A história da poesia tem inicio desde antes da invenção da escrita. Naqueles tempos se fazia uso da poesia para ajudar a memorização e a transmissão dos fatos. Portanto, a poesia é uma arte baseada na linguagem e expressa um certo estado da mente.

Poesia é a arte que nos permite exprimir aquilo que está dentro de nós ou o modo de uma pessoa se expressar usando recursos lingüísticos e estéticos. Retrata, dessa maneira, a imaginação e criatividade do autor.

Poesia é diferente de poema. O poema é puramente a forma como se escreve algo, já a poesia é quem dá emoção ao texto.

Em 2016, Bob Dylan ganhou o Premio Nobel em Literatura por suas musicas que apresentam muitos sentimentos, criticas, homenagens e tributos em novos modos de expressão poética. Mas ele, além de cantor consagrado, também é escritor e tem obras traduzidas no Brasil.

O nosso Gilberto Gil, com sua musica “De Bob Dylan a Bob Marley Um Samba-Provocação” faz alusão bem humorada ao poeta e escritor Bob Dylan. Vejam na letra desse samba que, ao fazer poesia rompemos com as normas tradicionais da gramática nos desviando dela quando usamos palavras que se aproximam mais da linguagem falada. A isso se dá o nome de licença poética.

Cada linha de uma poesia é um verso onde se pode, ou não, ter rimas. Se as palavras não rimam são chamados de versos brancos como no poema da musica A rosa de Hiroshima de Vinícius de Moraes que retratam os horrores da Segunda Guerra Mundial. Sim porque a poesia não expressa apenas coisas belas, mas pode apresentar, também uma descrição triste ou crítica de algo.

Já no caso do poeta português Fernando Pessoa e sua “Batatinha quando nasce”, ele apresenta o modo da batata nascer porque na época a batata era muitíssimo importante, no entanto ele dá aos versos uma característica emocional e bem humorada.

Minha poesia de hoje apresenta versos brancos e versos rimados ao comparar o que diferencia o dia da noite.



DIA E NOITE



DIA E NOITE

TODOS CRIAÇÕES DIVINAS E BELAS

CADA QUAL COM SUAS AQUARELAS

DÃO MOTE A MUITOS SENTIMENTOS E ATÉ RIMAS.



DO DIA

PRESENÇAS COMPULSÓRIAS:

LUZ, CÉU, CLIMA,

COM CERTEZA VÊM.



ENQUANTO A NOITE

TRAZ-NOS ESCURIDÃO E MISTÉRIO

COM O MANTO AVELUDADO

DO SEU NEGRO IMPÉRIO.



MUITO EMBORA UM TRAGA AS TARDES

E A OUTRA AS MADRUGADAS

ABREM-SE PORTAS À FUTURAS CAMINHADAS.



INTERCALAM-SE TAIS VIZINHOS

MARCANDO A CADÊNCIA

DOS CAMINHOS DE TODA NOSSA EXISTÊNCIA.

31 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




A MALDADE ESTÁ NO AR

Imagine que, não mais que de repente, minha privacidade é invadida por um telefonema de anônima que diz: “Seu marido está saindo com sua melhor amiga” e cita o nome da amiga.

Ocorre que, raciocino rapidamente: não tenho marido, portanto a pessoa, que se diz minha amiga e me faz esse aviso é maldosa mesmo, até porque não se identifica e, caso me conhecesse, a pessoa não faria tal afirmação.

Fico raciocinando sobre tais pessoas e me pergunto: o que leva uma pessoa a prejudicar outros?

Reflito um pouco mais e chego a concluir que as pessoas, no mundo atual, estão se deixando guiar pelos instintos mais desumanos. Senão vejamos: se você difunde palavras boas e cristãs há aquelas pessoas que nem lerão ou escutarão o que você falou ou escreveu, enquanto que, se você escrever/falar sobre raivas, mágoas e tristezas muitos lerão, escutarão e até difundirão.

Martin Luther King reforçou o mesmo ensinamento que Cristo nos deixou, ou seja, a solução basilar é o amor. Mas seguir o caminho do bem não é para qualquer um. Torna-se difícil imaginar que um coração que nasceu para amar possa, num certo dia, conter tanta raiva e impossibilidades para voltar a amar.

Todavia, a maldade pode se instalar em qualquer coração que está distante de Deus. Mas, se nos afastamos de Deus as consequências serão desastrosas porque o mal vence e ficaremos à mercê das sombras.

Quem ama alguém compartilha os sentimentos do ser amado. Esses sentimentos podem ser de tristeza ou de alegria, mas partilhados com quem se ama deixam a vida leve e fácil de continuar.

O bem e o amor andam lado a lado mas, em contrapartida, o mal, a raiva e outros sentimentos mesquinhos andam em grupos também.

A maldade pode provocar a morte de alguém, mesmo que não seja a morte física. Já o amor proporciona vida, bonança, alegria e felicidade. Então, porque abdicar das coisas boas se abandonando à raiva, despeito, ciúmes outros tantos sentimentos torpes?

É certo que o Criador do universo nos concedeu o livre arbítrio, mas nos tornarmos perversos é procedimento reles que pode trazer-nos consequências ruins e, até, fatais por vezes. Se isso não acontece em seguida à realização do mal que ousamos fazer, não significa que não vamos ter a consequências de nossas malvadezas. O mesmo ocorre com as boas ações, se as praticamos não é imediatamente que vamos ter bons resultados, mas sim no tempo que o Criador permite que assim seja.

Então, é melhor não vacilar e procurar praticar o amor que trará frutos prazerosos e felizes. Afinal, não podemos deixar as trevas nos vencerem!

02 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




DIPLOMAS E CERTIFICADOS FALSOS

Enquanto almoço vou escutando o noticiário regional da televisão. No daquele dia veiculava-se a notícia sobre a chamada Operação Volta às Aulas, a qual investiga quadrilha suspeita de falsificar diplomas e históricos escolares de cursos de ensino à distância, em onze cidades, sendo elas do Paraná, do Rio de Janeiro e de Mato Grosso.

O repórter informou que, algumas centenas de alunos “formados” por certos cursinhos que emitiam certificados e diplomas falsos, encontram-se sendo investigados e que, inclusive, a investigação objetiva se eles tinham ciência do tal esquema criminoso.

Além desses cursinhos, são investigados também uma Associação de Certificação e a Secretaria Estadual de Educação do Paraná (SEED). Esta ultima está na mira dos policiais por suspeita de que pessoas que trabalham nessa Secretaria possam estar envolvidas no esquema facilitando as certificações.

..................

Nunca neguei, e quem me conhece sabe, gosto de ler. E não é pouco! Leio jornais e livros físicos, assim como tudo que cai em minhas mãos: folhetos, revista e até manuais e bulas de remédios. Mas também uso a Internet para ler textos virtuais, sejam literários ou não.

A leitura me embevece, me faz viajar, torna-me uma pessoa com um conteúdo um pouquinho melhor daquele que tenho. Eu gosto demais do que ela me proporciona e por isso sou leitora voraz.

Dia desses, estava eu a fazer a leitura do jornal impresso que assino, como faço todos os dias de manhã, quando recebi uma visita que, surpresa, logo exclamou “Você ainda lê jornal?” e, a seguir disparou a pérola “Isso está ultrapassado!”.

Fiquei boquiaberta com tal posicionamento porque sabe-se, hoje, que todas as pessoas desejam crescer pessoal e profissionalmente para ter uma trajetória positiva em sua vida, sendo o estudo e a leitura requisitos que podem possibilitar sucesso.

Contudo, pode-se perceber atualmente que, quanto mais o mercado de trabalho exige capacitações e habilidades, parece que as pessoas estão menos interessadas em conhecer, fazer cursos e se informar para que se tornem aptas e competitivas.

O posicionamento da pessoa que criticou-me por ler jornal impresso é coerente com a idéia daqueles que buscam formas de burlar os caminhos normais para conseguirem certificados e diplomas falsos, seja para serem admitidos num trabalho, para classificarem-se em algum concurso, ou mesmo para adquirirem status de pessoas formadas em algo.

Não se iluda. A falta de estudo e de leitura pode fazer com que muitas pessoas percam oportunidades de emprego.

Em se tratando de documentos falsos, eles até podem certificar que uma pessoa é graduada (mesmo ela não sendo), no entanto, as provas e desafios aos quais, diariamente, a pessoa “graduada” falsamente se exporá vão demonstrar que ela não domina os conteúdos e habilidades necessários para a realização das tarefas inerentes ao cargo ou função para a qual foi admitida. Sendo assim, chega uma hora em que o imbróglio terá fim.

Não se pode pular as etapas de uma vida estudantil e achar que está tudo bem, tudo certo. O crime da venda de certificados ou diplomas pode até ter um preço barato na negociação, mas a compra deles pode sair caro para o comprador porque se configura, tal e qual para os vendedores, como crime conforme reza nossa Constituição.

Uma maneira legal e segura de concluir uma formação escolar, acadêmica ou técnica é estudar, de verdade mesmo. Hoje há tantas formas de fazê-lo e, inclusive, algumas vagas de estudos são gratuitas como a de muitos cursos técnicos. Vale a pena e a pessoa pode até empreender uma trajetória de sucesso em sua vida e, mesmo o sucesso não acontecendo, pode-se melhorar em muito a vida. Tenha em mente que conhecer não ocupa lugar, é ético e é legal. É o único tesouro que ninguém pode nos roubar!

02 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




DONA ANA E “SEO” FRANCISCO

Conheci o casal há muito tempo quando eu dava aulas noturnas pelo MOBRAL. Eram alunos dedicados e interessados.

Muito cristãos, Dona Ana e “Seo”Francisco iam juntos à Igreja e aos eventos que ela oferecia. Sempre foram benquistos. Andavam contentes e felizes, tal e qual era a união que os conduzia.

Saudáveis e jovens foram, também, se alfabetizar juntos.

Viviam sorridentes e felizes com a vida que levavam. Casal simpático, pessoas formidáveis que podem representar exemplo de quem leva uma vida verdadeiramente cristã.

“Seo”Francisco obtinha o sustento da família através do seu trabalho na construção civil. Contudo, para reforço do orçamento familiar, eles que tinham três filhos para criar, complementavam a renda sendo pipoqueiros e fazendo algodão doce em festividades e eventos os mais diversos. E a vida seguia.

Um certo dia, há muitos anos, “Seo” Francisco teve um acidente terrível quando trabalhava. Caiu de alguns andares de um prédio em construção e ficou sofrendo seqüelas. Dona Ana, esposa amorosa cuidou dele com muita responsabilidade, carinho e amor.

Mas não foi apenas esse acidente a mudar de forma radical as vidas de Dona Ana e “Seo” Francisco porque, tempos depois, ele sofreu um infarto que lhe trouxe problemas mentais e físicos como resultado. Ainda, aquele momento trouxe a ela o imperativo de mais gastos com medicamentos, fraldas e outros necessários. Assim, lá foi Dona Ana, então sozinha, dar continuidade às atividades de fazer pipocas ou algodão doce. Para isso deixava o marido aos cuidados de outrens.

Passou-se muito tempo. Já bem idosos os dois, Dona Ana continuou sua labuta com o querido marido acamado que, inclusive teve uma perna amputada devido a tromboses. Contudo, ela não parou com sua dedicação dispensando todos os cuidados e atenções a ele que, um dia aceitou por marido. Que exemplo, que amor e parceria excelentes e abençoadas por Deus.

Com certeza que Dona Ana deve ter ouvido sugestão de muitos para colocá-lo numa Clinica e poder seguir sua vida sem “entraves”. No entanto, pessoa de fé, amor e caridade seguiu cuidando de seu esposo amado até o fim da vida dele.

Com ele privara de bons momentos e nos maus momentos, continuou esposa carinhosa, de fé, parceira valorosa e dedicada a retribuir tudo que de bom viveram juntos.

Com certeza que neste mundo existem muitas histórias iguais à de Dona Ana e “Seo”Francisco, porém o tratamento que ela dispensou ao esposo, doente e depois acamado, há de ser o diferencial entre muitos dos casos semelhantes. Ele padeceu, mas nunca esteve só. Junto estava sua alma gêmea, sempre sorridente e, mesmo quando ele não pode mais se dar conta disso porque sua mente vegetava apenas, ela continuou se dedicando de corpo e alma por aquele alguém que aceitou por marido um dia.

A guerreira, ao cuidar do esposo com tanto esforço e desvelo, deve ter sentido sempre a presença constante do Criador a lhe amparar em cada cansaço extremo, em cada parte difícil do caminho que trilhava, já sozinha. Essa alma rica em doação, fraternidade e generosidade cristãs verdadeiras, merece todo nosso respeito e admiração. De Deus, eu considero que ela recebe muita força para continuar trilhando os caminhos que a vida lhe oferece. Abençoada seja hoje e sempre Dona Ana.

02 de dezembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




NATUREZA

Raios de sol

luz do luar

murmúrios de fontes

marolas do mar.



Miríade de cores incontáveis

flores cintilantes

esplendores de nuanças multicores.



Brilhante iniciativa

da humilde mas persistente

natureza efusiva.



Radiante espetáculo

que, ao Homem, deveras

se torna poderoso estímulo

para relembrar ricas eras.



A natureza, com seus artefatos

trabalha pressurosa no cotidiano

produzindo espetáculo de numerosos atos

com valor incalculável

a favor do ser humano.



Utilitária e seleta

seu glamour em nós desperta

atitude de agradecimento e prece

por cada dia que amanhece. 27 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




RIBEIRÃO CAMBÉ

Em nossa cidade temos o Ribeirão Cambé

Mas nosso povo tem nele pouca fé

Porque, em se tratando de tamanho,

Em nosso município pequeno ele é.



Sua água boa e cristalina

Vem de uma nascente,

comumente chamada mina,

E por uma grande região corre

incluindo cidades de grande porte.



Ondulante e borbulhante que ele só

O “Cambezinho” engrossa rios e forma lagos

Tais como, em Londrina, os quatro artificiais Igapós.



Da cidade de Cambé, a fronteira ele marca ao Leste

Jorrando do ventre da terra água límpida

que é o passaporte

Para os muitos seres vivos que leva em seu transporte.



Em seu longo trajeto o “Cambezinho”

Vai se desdobrando em cachoeiras e remansos

Transportando, também, sedimentos que geram assoreamentos.



Arrasta terra e também muita sujeira

Em seu percurso que, manso ou veloz,

lá no final, tem o Três Bocas como foz.



Suas águas serpenteantes

Correm límpidas mas, em vão,

Porque vitimas de ignorantes são.



E essa água que ainda é da bonança

Continua trabalhando em quietude e sossego

Para, quando se juntar ao mar, não ter mais medo.



No percurso do seu leito ela corre,

Entre áreas verdes ou degradadas,

Querendo vencer a negativa poluição.



Pudessem falar, eu tenho certeza,

As águas do Ribeirão Cambé diriam:

em altos brados: “socorram-nos por gentileza!



Queremos voltar a ser recurso natural importante

Majestoso, valioso e muito brilhante,

Fonte de vida esplendorosa e imponente

Para, ainda, poder servir a muita gente.



Cristalinas, refulgentes, transparentes

Seremos a água doce a desenvolvimento fazer,

Presença clara em pontos de lazer

E usada por todo e qualquer ser vivente

Controlando o uso e acesso de nossas margens,

Valorizando os elementos naturais de nossas paisagens

poderemos ser, até, quem sabe

cartão postal de nossa cidade”.

27 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




CALÇADAS E PASSEIOS PÚBLICOS

Calçadas ou passeios são considerados áreas públicas, sendo assunto do interesse de todos.

Elas servem de caminho a todo tipo de pessoa, tenham elas condições normais ou reduzidas de mobilidade. Idosos, crianças, cadeirantes, usuários de muletas/bengalas/andador e deficientes que tenham necessidades especiais como pedestres têm o direito a calçadas e passeios eficientes para que possam se locomover dignamente. Contrapõe-se o fato de que, mesmo que alguns tenham mobilidade reduzida ocasionalmente, existem aqueles que as terão por toda sua vida. Diante disso, interessa conhecer algo sobre esse assunto que, direito do cidadão, encontra-se expresso em nossa Carta Maior como sendo o direito de ir e vir.

Acrescente-se sobre esse importante assunto, que a Lei n. 13.146, lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência fez alterações no Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001), como forma de regular a segurança e bem-estar dos cidadãos, ou seja, promover o bem coletivo estabelecendo diretrizes gerais de promoção da melhoria nas calçadas e, também, como forma de assegurar que pessoas com alguma deficiência ou com quase nenhuma mobilidade, possam ter igualdade de oportunidades como as demais, pela eliminação de obstáculos e barreiras ao seu livre acesso a lugares e em seus necessários deslocamentos.

Sobre calçada e passeios públicos pode-se afirmar que seus proprietários são responsáveis pela sua manutenção e conservação. Tanto é assim, que as condições das calçadas e passeios se tornou assunto de interesse e atenção já há algumas décadas. Atualmente, no Brasil, o assunto é regido por muitas Leis, Decretos e normas (ABNT).

Tais fatos se tornaram tão importantes, a ponto de eu, ao passar por uma recém construída, agradecer mentalmente àquele que a construiu porque assim não tenho que ficar com os olhos postos no chão para evitar quedas ou tropeções, o que é muito inconveniente.

Além disso, tantas outras pessoas sofreram acidentes nelas se machucando gravemente, tal como minha vizinha que teve acidente em que perdeu muito sangue, teve fraturas em alguns ossos e teve, ainda, seus óculos quebrados, ficando com a mobilidade reduzida durante muito tempo se tornando dependente de outrens.

Judiciários, independente de suas jurisdições, devem ter em seu poder amontoados de processos movidos por pessoas contra o poder público ou contra proprietários de imóvel. Pessoas que, conhecedoras de seus direitos, resolveram mover tais ações porque sofreram tanto danos físicos quanto morais devidos às condições ineficientes de calçadas ou passeios públicos.

Contudo, isso não se traduz apenas em uma preocupação brasileira, posto que tal atenção também é mundial.

Veja-se que, em Washington – DC, governo municipal está instalando calçadas de borracha na cidade pelos seguintes motivos: para proteger as raízes das arvores e acabar com as calçadas quebradas evitando indenizações. Prevenção é a tonica da questão para esse governo que gastava, anualmente, milhares de dólares na busca por se defender de processos movidos por pessoas que sofriam acidentes nos passeios públicos.

Como consequência, alguns Estados brasileiros com foco na acessibilidade cidadã, além de criarem complementares legislações específicas têm, ainda, se mobilizado em elaborar cartilhas informativas sobre direitos e deveres legais dos cidadãos, de instituições e de empresas sobre o assunto.

Demonstre respeito ao seu próximo cuidando bem de sua calçada.

27 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




Benditas sementes

Quando se ouve falar em sementes logo se pensa em reprodução, porque sabemos que são elas que perpetuam as espécies vegetais. É lá, dentro dela, encontra-se uma vida dormente e, desse modo, ela traz em si promessa de vida porque, quando plantada, "morre" para que nova vida possa germinar.

Algumas sementes, as mais leves, são transportadas pelo vento; outras pela água como a semente do coqueiro e outras, ainda, por animais, o homem dentre eles. Existem ainda aquelas que são, literalmente, lançadas para fora do fruto por meio de explosão, tal como a semente da mamona. Me encanta o conhecimento de que o Criador dotou as sementes com formatos apropriados ao "vôo".

Assim, animais, pássaros, insetos, rios, ventos e chuvas acabam levando essas sementes para longe de seu ambiente natural. Elas, uma vez no solo, fazem surgir novas plantas em locais bem diferentes daquele de sua origem.

Tenho o privilégio de receber muitas espécies diferentes de plantas que insetos e aves trazem a meu quintal por meio de suas fezes. E, não apenas admiro as plantinhas quando nascem, ouso fazer um pouco mais do que admirá-las pois, procuro adotadores para aquelas com as quais não posso ficar. Assim é que me asseguro de que nenhuma delas seja lançada fora porque são preciosas mudinhas de futuras plantas que oferecerão flores e frutos ou, apenas flores, conforme sua natureza.

Mas, preciosas, as sementes também fazem parte de um trabalho artesanal que desenvolvo. Costumo fazer mandalas e utilizo muitas sementes para isso. Elas são escolhidas e aplicadas por suas formas, tamanhos e cores. E, ao conjunto final, reservo algum tempo para ficar admirando e abençoando a criação divina por ter nos agraciados com as sementes.

Além desse tipo de artesanato que pratico atualmente, sempre fui apreciadora apaixonada por sementes e, com elas, costumava fazer colares, pulseiras e brincos para uso próprio e para presentear alguém com tais objetos. Sim, sei que muita gente costuma fazer esses produtos com sementes e penas hoje. Mas, devo acrescentar que, quando eu os fazia não havia, ainda, quem fizesse tais trabalhos.

De modo que, as sementes apresentam serventia para além da mera reprodução pois, destinam-se a alimentar animais e pessoas, servem para gerar novas plantas e novas sementes e servem, também para, em obras artísticas e artesanais, alegrar nossos olhos e colorir nossas vidas. Benditas sejam!

20 nov. 18 - Marina Irene Beatriz Polonio




DOADORA 'VERDE'

Sinto-me imensamente feliz por ser doadora de árvores. Isso está em meu gene ambientalista.

Para esses fatos contribuem meus amiguinhos, os passarinhos, que, sobrevoando o espaço de minha residência, bombardeiam-no com dejetos repletos de sementes dos frutos que comeram.

Eu os abençôo sempre por isso, porque os presentes que me trazem em seus pequenos cocozinhos são preciosos e de todos os tipos: brassaias, cerejeiras, laranjeira, astrapeias/dombeias, pitangueiras, uvaias, ameixeiras, pé-de-galinha, espinheira santa, fruta do conde e até limoeiro, imaginem.

Insetozinhos também contribuem com essa minha mania ambiental porque polinizam as flores que me fornecem sementes. As sementes eu planto e doo. É um círculo prazeroso para mim. Adoro observar o espaço em torno de minha casa e encontrar novas plantinhas para doar.

Porque as dôo? Porque se não fizesse isso eu teria que cortar e eliminar as novas árvores que encontro nascidas em meu quintal. Como isso não faço porque dói-me o coração, então eu espero que elas cresçam um pouco, transplanto-as em um vaso e fico procurando, entre todos aqueles que conheço, alguém que as deseje. Assim é que não dispenso nenhuma das mudinhas que me foram doadas pelas avezinhas benditas.

Sou privilegiada por essas ações. Explico: vez ou outra sou surpreendida por um amigo ou amiga que vem me dar conta de que a árvore que eu doei está dando frutos e que, por isso, se lembram sempre de mim. Não é uma maravilha? Alguns deles até me trazem frutos das árvores que um dia foram doadas.

Mesmo que assim não fosse, eu ainda teria a certeza plena de que estou contribuindo para o futuro do planeta e, também, para que as futuras crianças possam ter alguma fruta para comer. Trata-se de uma herança verde que deixo aos descendentes daqueles que aceitam minhas doações. O que me deixa muito feliz é o fato de saber que alguém, que não conhecerei, futuramente estará aproveitando-se, de alguma forma, daquilo que lhe deixei como herança neste mundo.

E se assim me sinto, como não se sentirão as aves e insetozinhos que no espaço de minha casa encontram terreno fértil para descansar e fazerem suas necessidadezinhas fisiológicas? Pense nisso.

20 nov. 18 - Marina Irene Beatriz Polonio




Pomar urbano

O terreno de nossa casa é grande e foi muito bem aproveitado e dividido por minha mãe. Nele ela fez jardim para suas queridas flores e ainda cultivou legumes, verduras e plantas medicinais. Nesse terreno ela plantou, também, muitas árvores frutíferas e é por isso que denominei esta crônica de Pomar Urbano porque, em geral, pomares são feitos nos sítios, chácaras e fazendas.

Mamãe plantou no nosso pomar: duas espécies de mangueiras, macieira, ameixeiras (duas espécies: roxa e amarela), laranjeiras (também duas espécies: caipira e champanhe), mexeriqueira, pessegueiro, mamoeiros, duas espécies de bananeiras, jabuticabeira, limoeiro, figueira, parreira, goiabeira.

Quando um ou mais pé de fruta estava frutificando dava gosto porque, não apenas víamos as cores e sentíamos os cheiros mas, também, sentíamos a alegria de poder apanhar e saborear as frutas no próprio pé, que é muito mais gostoso. De forma que nesse reino encantado chamado pomar, novas surpresas estavam sempre acontecendo para nosso deleite. E se não tivéssemos que ir à escola e fazer uma ou outra atividade em casa, com certeza passaríamos os dias ali naquele mar verde elevado e alegre (de vez em quando muito colorido pelas diferentes frutas) propício ao sonho, encantamento e brincadeiras infantis. As árvores, beijadas pelo sol, fustigadas pelo vento e molhadas pelo orvalho, tinham frutas a crescer e madurar em quase todas as estações do ano. As mais variadas nuances de cores frutíferas ali aconteciam, tanto que até nosso paladar, motivado, nos levava a ter água na boca.

Quando o pomar estava todo colorido e o sol aparecia "amarelim, amarelim", borboletas, insetozinhos e aves variadas vinham ali pousar e se alimentar expondo toda a maravilhava de suas formas e cores a nossos sonhadores e maravilhados olhos.

Esse espaço, antes de as árvores se encherem dos frutos, tornava-se um imenso parque de diversões a céu aberto porque, brincávamos de tudo nos galhos das arvores: esconde-esconde, de "casinha", de piratas nos seus navios etc, mas também, ora fazíamos arte fabricando boizinhos de chuchu ou outros, ora fazíamos outras "artes" indesejadas, dentre elas apanhar, para comer, frutas que nem estavam "de vez" (quando levávamos cada repreensão de mamãe) e também fazíamos a gostosa e famosa guerra de mamonas que nos deixava vermelhões, na parte do corpo que foi magoada, e muito verde pelas roupas.

E mais bronca tomávamos! Tudo era um verdadeiro e feliz acaso nesse mundo encantado e prazeroso. Pena que acaba!

20 nov. 18 - Marina Irene Beatriz Polonio




Pena Branca e Xavantinho

Os muitos matizes da música caipira raiz, na voz de Pena Branca e Xavantinho, expressam experiências que os autores traduzem numa descrição poética da Natureza e do homem em interação com aquilo que eu, e muitas pessoas, consideramos música caipira brasileira em forma de poética.

Os poetas, compositores, músicos e irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca) e Ranulfo Ramiro da Silva (Xavantinho), humildes, cantaram em polcas e toadas as mais lindas músicas sertanejas com estilo genuíno, pureza d’alma, bom gosto e ênfase, os mais simples e cotidianos acontecimentos rurais. Suas letras, não apenas louvam a singeleza e a dura lida da roça mas, também, nos apresentam espetáculos maravilhosos do que ocorre na natureza, além de interpretarem e exaltarem o trabalho humano que nesse espaço é desenvolvido pelos protagonistas rurais.

E desse modo, cantando a melancolia da vida rural, valorizaram a natureza e a brasilidade deste nosso imenso País, conseguindo, inclusive, chamar a atenção de cantores e amigos importantes tais como: Almir Sater, Renato Teixeira, Rolando Boldrin, Milton Nascimento, Chico Buarque e outros de mesma categoria, inclusive, até de alguns cantores internacionais.

Amo ouvir suas vozes maravilhosas que eram, e são, o produto de uma união perfeita de afinação, timbre e harmonia. Foi com esse grande talento que conseguiram unir a música sertaneja à moderna, reavivando nossa imaginação para os fatos que acontecem no campo, ao descreverem em forma de poemas as maravilhas de fatos da natureza e a rotina da vida rural.

Muito me emociono ao ouvir musicas interpretadas por suas vozes que me lembram querubins. E, ainda hoje, quando ouço a melodia de suas vozes em dueto, acompanhadas pelos ritmos sonoros tirados de suas viola e violão, fico a lamentar que esses artistas não possam mais continuar nos brindando com suas vozes ao vivo posto que já empreenderam viagem para o andar de cima.

Exatamente por esse triste fato é que quem tem algumas de suas obras cuida delas com carinho e esmero para que possa desfrutar de momentos musicais de especial bom gosto produzidos por essa dupla que tantos prêmios conquistou na sua caminhada profissional cantando, escrevendo e interpretando a boa música brasileira.

Algumas dentre as muitas e consagradas canções deles são: "Chuá, chuá", "Cuitelinho", "Vaca Estrela e Boi Fubá", "Calix Bento", Gente que em de Lisboa". Aventure-se e conheça!

20 nov. 18 - Marina Irene Beatriz Polonio




DESFRUTE

O ambiente perfumado aguça meus sentidos e paladar.

Já na boca explode o sabor de carnudo e suculento caju.

Delícia das delícias!

20 de novembro de 2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




SONHOS

Sonho sempre:

acordada,

dormindo,

trabalhando,

relaxando,

cantando,

chorando, rindo,

...



Não importa como,

nem quando ou onde,

importa sonhar.

20 de novembro de 2018 Marina Irene Beatriz Polonio




Gerundismo

A telefonista, do outro lado da linha, após atender o que lhe foi solicitado indica a seguinte ação: "O senhor pode estar anotando o número do protocolo?" quando o mais "correto" seria: "O senhor pode anotar o número do protocolo?".



Ora, quem estudou um pouco, a cada vez que tem os ouvidos feridos pela moda do gerundismo pode pensar: Será que essa pessoa não entende que o que disse traduz um processo? Esperando, pesquisando, fazendo, anotando e outros NDOS da vida dão um sentido de continuação futura aos verbos.

Essa moda que tomou conta das comunicações desde há algum tempo é um vicioso mau uso da língua portuguesa brasileira que, me parece, as pessoas estão usando por achar que estão falando "bonito", isto é, que se trata da linguagem padrão.

Sempre afirmo que tudo aquilo que você comumente fala em casa em forma de brincadeira, com certeza vai falar em outros meios. E com respeito a isso tenho sofrido várias críticas de pessoas que afirmam: Mas eu não vou falar isso em outros lugares!

Acontece que o hábito faz com que reproduzamos palavras ou expressões usadas na privacidade do lar em ambientes nos quais não desejaríamos fazê-lo. Com o gerúndio não é diferente, tudo porque esse vício se consolida na memória e "escorrega" de nossas bocas mesmo que não desejemos, podendo causar prejuízos como na hora de conseguir um bom emprego por exemplo. Pense bem nisso!

06/11/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




O PODER DAS MÃOS

Carlos Drummond de Andrade afirmava que “fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida”.

As mãos expressam muito. Através de seus toques, de suas palmas, de seus gestos podem transmitir: energia, carinhos, promessas, afagos, consolo, amor... ou não.

Delicadas ou grosseiras, dizem muito do que desejamos ou queremos dizer e, às vezes, dizem o que não queremos também prestando-se a milhares de coisas.

Seja em gestos religiosos, seja para exercícios de cura, seja para o trabalho profissional ou mesmo para aqueles cotidianos e rotineiros atos domésticos, elas encontram-se sempre permeando as ações do humano, quer retratando o que dita o cérebro ou o que manda o coração.

Jesus, com amor, as utilizava para curar assim como fazem algumas pessoas hoje em dia com a imposição delas.

Algumas das benesses das mãos são descritas por Moacyr Franco na bem escrita letra de sua música Balada das mãos.

De modo que, as mãos servem para curar e abençoar, apesar de que o reverso disso também seja utilizado por muitos de nós. Nesse caso vale relembrar o poeta Billy Blanco, autor da música Canto chorado autor que apregoava em sua letra “O que dá pra rir, dá pra chorar” acrescentando que tudo é uma “questão só de peso e medida, problema de hora e lugar” o que serve para todas as coisas da vida e, portanto, para as tarefas realizadas pelas mãos. Só depende de quem comanda as ordens, se é a razão ou o coração, a justiça ou a injustiça, o amor ou a falta dele, a humanidade ou a desumanidade...

06/11/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




Incomunicabilidade

Em que pese a época ser denominada Era da Comunicação, a relação entre as pessoas anda cada vez mais dividida e esparsa, provocando a incomunicabilidade.

Senão vejamos: estando num espaço limitado ou num mais amplo, o que vemos são pessoas, a maioria jovem, equipadas com dispositivos denominados MP (3, 4 etc.), portando e operando celulares, jogando ou navegando em outra parafernália tecnológica.

Nas residências, virou moda ter um aparelho de televisão em cada cômodo. Prática que isola os familiares e perde aquela essência de se eu amo, eu bem observo e, portanto, cuido bem. Assim, os integrantes da família tornam-se, cada qual, seres solitários pertencentes ao mesmo grupo. Estranho não?

Esses comportamentos que caracterizam uma época tecnológica, penso eu, estão prejudicando as relações mais estreitas com as pessoas reais. Não que eu acredite serem as tecnologias as culpadas de tudo, trata-se de um momento histórico em que as pessoas estão correndo freneticamente em busca do novo e, nesse meio, encontra-se a instituição familiar modificando-se.

Assim é que as pessoas pouco ou nada se vêem ou se visitam porque estão "ligados" em qualquer aparelho tecnológico quase na totalidade do tempo que têm à disposição. Quanto aos pais e mães, ilhados pelo tempo ocupado pelas profissões e afazeres domésticos, tornam-se quase estranhos para os filhos, o mesmo ocorrendo com a maioria dos filhos em relação aos pais.

Assim, não há tempo para cultivar e conhecerem-se VERDADEIRAMENTE: as amizades, os irmãos, os pais, os filhos, a vida enfim. Desse modo é que os jovens, aturdidos com tantas inovações à disposição e quase sem ninguém que os oriente nas diversas áreas da vida, estão se perdendo ao tomarem decisões erradas ou equivocadas, as quais em muitas das vezes trazem resultados fatais.

De modo que posso afirmar que, quanto mais os aparelhos têm propiciado a comunicação, menos as pessoas têm realmente se comunicado. Tempos em que a falta ou inversão de valores encontra-se amplamente difundida.

06/11/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




MESTRE

Um dia te sentaste nos bancos escolares

e lá aprendeste muito

O amor e o carinho de alguns mestres,

juntamente com todos os conteúdos ensinados,

te impulsionaram.

Agora, em tua carreira, como tal

tu devolves, não apenas os conteúdos, mas também o afeto

a quem deles necessita,

em dobro, triplo ou mais.

Foste influenciado pelo bom ensino e,

hoje, influencias, com dedicação, carinho e amor.

Contudo, para que possas ser a cada dia melhor naquilo que fazes,

segues as orientações do mais humilde dos mestres, Jesus, que pregava:

deixai vir a mim os pequeninos.

Lembra-te de, sempre, deixar que cheguem a ti

os pequeninos que não conseguem aprender,

os pequeninos que não aprendem por um ou por outro motivo,

os pequeninos que aprendem

e até aqueles pequeninos que aprendem mal,

porque desses pequeninos é o direito

à educação, ao amor, ao carinho

que não receberam em casa

mas que merecem receber

de ti, mestre humano e vocacionado.

Lembra-te, também, que um dia fostes pequenino

e que errastes e acertastes, até que aprendestes

a ponto de seres promovido,

na jornada estudantil,

a PROFESSOR!

Que tua missão seja repleta de

reconhecimento, valorização, amor puro,

desprendimento, garra e fé!

15/10/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




LUDISMO



Rabiola desengonçada.
Pandorga esvoaçante
Papagaio de papel
Curica sem plumagem
Cangula flutuante
Casqueta ligeira
Morcego diurno
Lebreque dançante
Coruja lúdica
Quadrado voador
Bacalhau pendente
Arraia tremedeira
Gaivota tremelicante
Maranhão brincalhão
Cafifa sem asas
Raia dos céus
Peixinho acrobata
Gereco veloz

Todo esse regionalismo em forma ludica evoca uma doida vontade de brincarrrrrrrrrr.

08/10/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




WORDS

Palavras são libertadoras,

pois dão vazão a sentimentos recolhidos

e nos fazem viajar por horas

a lugares os mais escondidos.


Palavras, elementos poderosos

que atravessam o tempo

a contar minúcias e segredos.


Palavras carinhosas

são alentos especiais,

pois nos tornam pessoas mais amistosas.


Palavras têm sentido e nexo,

quando falamos ou escrevemos,

seja de modo simples ou complexo.


Palavra, ora, a palavra é tão valorosa

quanto o ouro que reluz,

porque, de forma fabulosa,

as nossas trevas reduz.


Portanto, se você amigos quer fazer,

cuide daquilo que diz

Para não tornar alguém infeliz!


08/10/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




DOADORA “VERDE”

Sinto-me imensamente feliz por ser doadora de arvores. Isso está em meu gene ambientalista.

Para esses fatos contribuem meus amiguinhos, os passarinhos que, sobrevoando o espaço de minha residência bombardeiam-no com dejetos repletos de sementes dos frutos que comeram.

Eu os abençôo sempre por isso, porque os presentes que me trazem em seus pequenos cocozinhos, são preciosos e de todos os tipos: brassaias, cerejeiras, laranjeira, astrapéias/dombeias, pitangueiras, uvaias, ameixeiras, pé-de-galinha, espinheira santa, fruta do conde até limoeiro imaginem!

Insetozinhos também contribuem com essa minha mania ambiental porque polinizam as flores que me fornecem sementes. As sementes eu planto e... dôo. É um circulo prazeroso para mim.

Adoro observar o espaço em torno de minha casa e encontrar novas plantinhas para doar.

Porque as dôo? Porque se não fizesse isso eu teria que cortar e eliminar as novas arvores que encontro nascidas em meu quintal. Como isso não faço porque dói-me o coração, então eu espero que elas cresçam um pouco, transplanto-as em um vaso e fico procurando, entre todos aqueles que conheço, alguém que as deseje. Assim é que não dispenso nenhuma das mudinhas que me foram doadas pelas avezinhas benditas.

Sou privilegiada por essas ações. Explico: vez ou outra sou surpreendida por um amigo ou amiga que vem me dar conta de que a arvore que eu doei está dando frutos e que, por isso, se lembram sempre de mim. Não é uma maravilha? Alguns deles até me trazem frutos das arvores que um dia foram doadas.

Mesmo que assim não fosse, eu ainda teria a certeza plena de que estou contribuindo para o futuro do planeta e, também, para que as futuras crianças possam ter alguma fruta para comer ou chupar. Trata-se de uma herança verde que deixo aos descendentes daqueles que aceitam minhas doações. O que me deixa muito feliz, é o fato de saber que alguém, que não conhecerei, futuramente estará aproveitando-se, de alguma forma, daquilo que lhe deixei como herança neste mundo.

E se assim me sinto, como não se sentirão as aves e insetozinhos que no espaço de minha casa encontram terreno fértil para descansar e fazerem suas necessidadezinhas fisiológicas? Pense nisso!

01/10/2018 – Marina Irene Beatriz Polonio




DESAPARECIMENTO DAS ABELHAS

“Se as abelhas desaparecem da face da Terra, a Humanidade seguirá o mesmo destino em um período de quatro anos” afirmava Albert Einstein em sua época.

Já é notório, hoje em dia, o fato de que as abelhas, um de nossos principais agentes polinizadores e reprodutores das espécies estão desaparecendo. Essa verdade parece não dizer quase nada a quem pouco sabe sobre o trabalho desses insetos e como eles são essenciais à vida no planeta.

Ocorre que, mesmo apesar da descoberta de Einstein (que poderia ser chamada de aviso), as abelhas, responsáveis por grande parte da polinização e diversidade das espécies de plantas em nosso planeta, estão sofrendo com a redução de sua vida, com a perda de sua fecundidade e, devido a isso, não se reproduzem mais como antes, o que acaba em prejuízo a toda a cadeia alimentar. E isso afeta o Homem, posto que é problema global.

Abelhas coletam o pólen e néctar das plantas, a maioria das pessoas sabe. Mas ao fazê-lo para obter sua principal fonte de energia, estão sendo intoxicadas por agentes químicos que são pulverizados nas plantas desde a fase de semente. Fazendo isso intoxicam-se, morrem ou têm seu período de vida reduzido.

E nesse processo de intoxicação o Homem e todas as demais vidas terrestres fica à mercê da ingestão direta e indireta de inseticidas e pesticidas, seja através do consumo do mel e até de seus derivados, os mais comuns dentre eles são: própolis, geléia real e a cera.

De forma que as abelhas estão desaparecendo devido às imposições do capitalismo selvagem e aqueles benefícios que trazem à vida em nossa planeta estão minguando ou desaparecendo com elas.

Mas o uso abusivo de inseticidas e pesticidas não é o único fator responsável pelo desaparecimento das abelhas, as queimadas e os desmatamentos também são causadores da perda dos locais onde elas escolhem habitar.

O que fica de todo esse status quo é que, a ausência desses valorosos insetos, tão importantes para a economia agrícola mundial pode gerar sérios prejuízos econômicos à vida, além de causar sérios danos ao Homem e à Natureza pela extinção de muitas espécies vegetais.

Parece que o mesmo que está ocorrendo com as abelhas está também acontecendo com outros insetos benignos à vida, os quais têm também, como seu trabalho a função vital de reprodução ambiental.

Perde o meio ambiente e perdemos todos nós!

Marina Irene Beatriz Polonio




CÉUS

Existem muitos motivos para as pessoas observarem o céu. Os meus, que descrevo aqui hoje, abrangem as naturezas lúdica, artística e o deleite.

Gosto de entreter-me com as observações celestes. Seja orando, seja refletindo sobre as cores e nuances utilizados na “pintura” dos diferentes céus que visualizo na abóbada celeste em diferenciados dias, ponho-me a divagar ou imaginar a partir deles.

As cores e seus nuances, dispostas nesse cenário celeste, sejam as utilizadas nas nuvens, na dispersão dos raios de luz solar me fascinam tanto quanto os sombreamentos e iluminações do cenário noturno.

Me encantam a aurora e o crepúsculo, assim como o cálido ou quentíssimo sol disposto num céu azul sem muitas nuvens ou com muitas delas. Neste ultimo caso, fico a buscar formas nelas. E aí, acontecem deliciamentos lúdicos diversos.

Quando o sol projeta na abobada celeste suas cores que vão do vermelho intenso até a rosas cândidos, passando por alaranjados lindíssimos que chegam aos amarelos que, de tão esmaecidos que vão ficando chegam a parecer brancos, o panorama celeste se afigura, para mim, a um espetáculo de encantamento, cujo degrade maravilhoso se torna, às vezes, indescritível.

Um nascer ou um pôr do sol são espetáculos muito buscados pelas pessoas que desejam apreciar e se embevecer com tais visões privilegiadas. No primeiro caso, o astro rei desponta iluminando a tudo e a todos com sua luz resplandecente, a qual se faz tão forte e ofuscante que, de dia, os demais astros não se fazem visíveis, embora se encontrem lá.

Já quando a noite se apresenta, o céu noturno dá visibilidade aos demais astros e estrelas do cosmos, ao satélite da Terra - a lua, todos tão lindamente brilhantes que reduzem a escuridade. Dependendo da fase da lua, até as trevas são transformadas numa claridade que chega a parecer como que um dia apenas cinza azulado ou negro-vermelhado.

Seja com o prateado da lua triunfante sobre a noite, ou mesmo com a cascata de luminosidade que o dourado sol derrama sobre a Terra, tudo é mágico porque predispõe à inspiração poetas, músicos e pessoas em geral.

Contudo, há outro céu digno de nota. Aquele tomado por nuvens, nos mais variados tons de cinza, anunciando que chuvas se avizinham. E então os espetáculos são verdadeiramente diferenciados porque existe chuva em forma de queda com grossas torrentes que chegam a parecer cortinas pregadas lá no infinito, as quais, às vezes, são acompanhadas de barulhentos trovões e raios iluminadores do breu diurno ou noturno. Mas também há a chuva calma com seus simpáticos e gotejantes ping-pings meio sussurrados.

Quanto aos dias chuvosos existe, ainda, outro fenômeno a encantar as pessoas: a aparição do espectro do arco-da-velha ou arco-íris, como queiram, dispondo-se multicoloridamente quando o sol brilha sobre gotículas de chuva, formando um espetáculo esplendido.

20/09/18 - Marina Irene Beatriz Polonio




OS CANARINHOS DE PAPAI

Meu pai criava canários por hobby, ou seja, buscava se ocupar nas horas em que não havia nada para ele fazer. Além do valor sentimental e do prazer de ter a beleza e qualidades sonoras de tais pássaros, papai tinha brancos, amarelos, alaranjados, azuis, vermelhos etc. Um arco-íris expandido. Colírio para os olhos minha gente!

Mansos, os canarinhos se adaptam bem, se aninham de modo tranqüilo e se reproduzem sadiamente em gaiolas e viveiros.

Os canarinhos, quer em gaiolas individuais ou não, tomavam banhos, iam pulando de um a outro poleiro, como se estivessem brincando de pega-pega. Nos balanços, as avezinhas ficavam se balançando durante algum tempo, tal como fazem as crianças. É um deleite e uma graça assistir às necessárias movimentações que eles realizam naqueles espaços. Necessárias porque os canários, também precisam de exercícios para não engordarem demais e para não ficarem doentes.

Quanto à alimentação, papai reservava um bom período da manhã para tratar de seus bichinhos queridos. E limpava as gaiolas, e lavava e enchia os recipientes com água boa, limpa e fresca, sempre. Fornecia as alimentações certas para cada qual das frágeis avezinhas. E não eram poucos os canários que ele criava.

Havia uma grande gaiola viveiro que as pessoas chamam, também, de voadeira, onde cabiam muitos de seus canários.

Mas também havia gaiolas individuais e outras para acasalamento. O que chamava muito minha atenção, era a gaiola do acasalamento. A gaiola era dividida, internamente, em três partes. Na do meio ele colocava o machinho e, em cada uma das laterais, uma canária. E ficava atento ao que ali acontecia porque, quando “chegada a hora” (só ele sabia o momento certo), ele abria um dos compartimentos laterais e o canário macho passava para lá para “namorar” a canária. Seguiam-se, a partir desses momentos, outros cuidados de parte do criador.

Reservava, para alimentar suas delicadas e lindas avezinhas um arsenal de alpiste e sementes de girassol. Mesmo apesar de saber que se desse muito alimento aos canarinhos eles poderiam vir a adoecer e, quem sabe, até morrer.

Verduras, ele as escolhia e limpava muito bem. E dava almeirão e couve, as quais colocava penduradas entre as varetas da gaiola. Às vezes servia frutas cortadas em pedaços. E quando se aproximava a procriação (momentos dos quais só ele sabia ao certo), dava ovo cozido bem durinho para as aves que iam procriar. Depois de nascidos os filhotinhos, ele dava só as gemas de ovos aos recém nascidos e dizia que era para eles se prepararem para, futuramente, poderem comer o alpiste.

As plumagens dos canarinhos sofrem mudanças logo que o ano começa, podendo, a troca ou muda, durar por dois meses ou pouco mais. A muda começa pelas asas e cauda e, algum tempo depois, renovam-se as peninhas do corpo. Ah, a muda de penas não acontece na cabeça dessas aves. Nesse período, papai sempre colocava um pouco de linhaça junto com o alpiste porque, dizia, assim as penas ficavam mais viçosas e brilhantes.

Os ninhos, ele colocava um pouco acima dos poleiros das gaiolas e tratava com muito carinho da higienização deles porque, era ali que as fêmeas punham seus ovos para procriar.

Sabe-se que existem concursos para julgar os mais belos e melodiosos cantos dos canários, mas meu pai nunca levou os seus para participar de qualquer concurso, muito embora, seus cantos fossem algo digno de parar para ouvir. (Sabia que só machos cantam? São raríssimas as fêmeas que o fazem).

Os cantos, gorjeios e trinados dos canarinhos de papai, logo cedo, nos acordavam maravilhados com tamanha e variada sinfonia a nos animar e motivar para um bom e feliz dia.

12/09/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




POMAR URBANO

O terreno de nossa casa é grande e foi muito bem aproveitado e dividido por minha mãe. Nele ela fez jardim para suas queridas flores e ainda cultivou legumes, verduras e plantas medicinais. Nesse terreno ela plantou, também, muitas arvores frutíferas e é por isso que denominei esta crônica de Pomar Urbano porque, em geral, pomares são feitos nos sítios, chácaras e fazendas e ela cultivou um pomar aqui, em plena cidade.

Mamãe plantou no nosso pomar: duas espécies de mangueiras, uma macieira, ameixeiras (duas espécies: roxa e amarela), laranjeiras (também duas espécies: caipira e champanhe), mexeriqueira, pessegueiro, mamoeiros, duas espécies de bananeiras (nanica e ouro), jabuticabeira, limoeiro, figueira, parreira, goiabeira.

Quando um ou mais pé de fruta estava frutificando dava gosto porque, não apenas víamos as cores e sentíamos os odores mas, também, sentíamos a alegria de poder apanhar e saborear as frutas no próprio pé, o que é muito mais gostoso.

Nesse reino encantado chamado pomar, novas surpresas estavam sempre acontecendo para o deleite de nós, crianças e adolescentes. E se não tivéssemos que ir à escola e fazer uma ou outra atividade em casa, com certeza passaríamos os dias ali naquele mar verde elevado e alegre (de vez em quando muito colorido pelas diferentes frutas) propicio ao sonho, encantamento e brincadeiras infantis.

As arvores, beijadas pelo sol, fustigadas pelo vento e molhadas pelo orvalho, tinham frutas a crescer e madurar em quase todas as estações do ano. As mais variadas nuances de cores frutíferas ali aconteciam, tanto que até nosso paladar, motivado por essa exposição, nos levava a ter água na boca.

Quando o pomar estava todo colorido e o sol aparecia amarelin amarelin, borboletas, insetozinhos e aves variadas vinham ali pousar e se alimentar expondo toda a maravilhava de suas formas e cores a nossos sonhadores e maravilhados olhos mas, também, privilegiavam nossos ouvidos com seus maravilhosos cantos.

O espaço do pomar, antes de as árvores se encherem dos frutos, se tornava um imenso parque de diversões a céu aberto porque, brincávamos de tudo nos galhos das arvores: esconde-esconde, de “casinha”, de piratas nos seus navios etc., mas também, ora fazíamos arte fabricando boizinhos de chuchu ou outros, ora fazíamos outras “artes” indesejadas, dentre elas apanhar, para comer, frutas que nem estavam “de vez” (quando levávamos cada repreensão de mamãe) e também fazíamos a gostosa e famosa guerra de mamonas que nos deixava vermelhões, na parte do corpo que foi magoada, e muito verde pelas roupas. E mais bronca tomávamos! Tudo era um verdadeiro e feliz acaso nesse mundo encantado e prazeroso. Pena que acaba!

08/09/18 - Marina Irene Beatriz Polonio




CORUJAS BURAQUEIRAS

Existem muitas espécies de corujas no mundo.

De modo geral, elas contam com ampliada visão para longe, o que permite que visualizem presas a serem caçadas a grandes distancias. A audição delas também é muito apurada e, mesmo sem ver a presa, conseguem saber onde a presa se encontra. Suas refeições constituem-se de roedores, de aves e outros bichos de pequeno porte, os quais conseguem comer até inteiros! Digerem a caça e depois vomitam pelotas contendo ossos, pelos e dentes das presas.

São aves de rapina que, geralmente vivem em florestas, mas também podem viver em diferentes lugares áreas urbanas, desde que tais lugares apresentem boa quantidade de presas a serem caçadas.

Você deve estar se perguntando porque resolvi falar de corujas hoje?

Porque no caminho por onde passo sempre há uma família de corujas buraqueiras.Pesquisei para saber o nome dessa espécie e fiquei sabendo que elas têm esse nome porque fazem seus ninhos em buracos no chão.

Têm hábitos noturnos e também diurnos. São silenciosas, mas quando sentem-se ameaçadas fazem vocalizações agudas (barulhentas) enquanto voam baixinho, baixinho para afugentar a ameaça. Sei disso porque quando eu quis fotografar os filhotinhos que haviam acabado de nascer, uma delas (seria a coruja- macho?) agiu assim e eu fiquei sem a foto.

Acompanhei o aumento da família desde a união conjugal até o nascimento dos três filhotes. Aconteceu assim, desde que vi a primeira, ela ficava à “porta” do buraco e nem se mexia. Era verão! Algum tempo depois surgiu uma outra e as duas sempre se exibindo nas imediações do lado de fora do buraco.

Mas o tempo passou e não as vi durante muito tempo até que certa feita, ao passar pelo local, vi uma família de cinco corujas (três ainda novinhas) tomando o sol da primavera. As duas sempre cercando os filhotes com a cabeça girando para cá e para lá, sempre atentas a tudo e todos.

Tão lindo testemunhar a união dos cinco exemplares. E não apenas eu paro para apreciá-las, mas muita gente mais. De maneira que, além de atração bonita e interessante, elas são uteis porque limpam a redondezas de bichos indesejáveis.

29/08/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




POLÍTICA DE BOA VIZINHANÇA

Se você deseja ter uma boa relação com seus vizinhos deve ter em mente que existem regras e atitudes corretas que vão a favor de uma boa convivência e que, muitas delas estão descritas no nosso Código Civil.

Não sabia disso? Então saiba que alguns assuntos como barulho, muros, árvores, animais, crianças, animais de estimação etc. são contemplados no Código Civil, por se tratarem de principais focos de tensão entre vizinhos e por terem gerado conflitos.

Vizinhança é assunto sério!

E as regras e leis não valem apenas para condomínios. Mesmo morando numa casa, porque as pessoas são diferentes, existem normas para o relacionamento de vizinhança residencial também. Vizinhos são necessários e podem ser bons. Basta que você tenha com eles atitudes de boa vontade e tolerância, tão necessárias ao convívio comunitário.

Outras atitudes que podem aproximar vizinhos (ou até afastá-los caso não sejam praticadas) são, dentre outras: o respeito ao próximo, a cordialidade (desejar um bom dia/boa noite), a cooperação entre vizinhos no que for possível etc., enfim, buscar conquistar os vizinhos angariando simpatia.

Mas um convívio que se pretenda salutar implica muito mais do que apenas isso, devemos ter o telefone dos vizinhos – e até mesmo de familiares próximos – para ajudarmos em qualquer tipo de problema que precise ser comunicado imediatamente, tais como doenças, roubos, morte, incêndio etc.

A questão do barulho é fato que exige bom senso entre vizinhos. Não é porque a Lei estabelece as vinte e duas horas como limite para o som alto que não devemos nos preocupar se nosso vizinho tem alguém doente em casa ou se algum familiar seu acabou de falecer. Devemos proceder com empatia para não perturbarmos o sossego do lar vizinho com barulheiras em respeito às dores e repouso do doente e, também no que diz respeito aos sentimentos ao vizinho que perdeu um ente querido.

Você tem cachorro(s)? Ah, então cuide para que ele não atravesse a grade e invada os domínios dos vizinhos ou a rua. Se ele é seu, a responsabilidade legal também é!

A construção, conservação e manutenção dos muros também está normatizada e responsabiliza ambos os vizinhos por isso.

Outra questão que ocorre é que haverá momentos em que você se verá sujeito a cortar arvores de seu quintal porque sujam a calçada ou piscina do vizinho. Isso é o certo a ser feito.

E as frutas provenientes de arvores frutíferas que passam por cima de seu muro são do seu vizinho a não ser que ele as dê para você ou permita que você as apanhe. Ah! se elas caírem do seu lado passam a ser suas.

Caso haja alguma planta trepadeira que “teima” em adentrar o espaço do seu vizinho, o melhor a fazer é cortá-la para evitar conflitos.

Não deixar quaisquer tipos de sujeiras caírem no quintal do vizinho é norma de vizinhança também, mas caso caiam, procure limpar. Outro exemplo: se você construiu um cômodo ou mesmo muro, e seu pedreiro exagerou no chapisco a ponto de ele atingir a parede ou outra parte da casa do vizinho, peça desculpas ao vizinho e permissão para seu pedreiro limpar a sujeirada.

Quando for molhar suas plantas, procure não direcionar o jato d’água para o alto para não molhar partes da casa do vizinho ou alguém que esteja passando.

Procure orientar seus filhos/netos/visitas a não jogarem objetos – por menores que sejam – na casa dos vizinhos. Se acontecer, peça desculpas e procure evitar novas ocorrências e impasses judiciais.

Com essas poucas orientações se torna, basicamente possível, você se dar bem em qualquer lugar do mundo porque estará cultivando a política da boa vizinhança. Assim, os tribunais ficarão sujeitos a menor numero de processos sobre conflitos entre vizinhos e você terá paz e sossego.

23/08/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio




Aqui da minha Varanda

Desse espaço de minha casa tenho uma visão privilegiada. De dia a perspectiva é de um horizonte longíquo, quase infinito, em que o cenário se apresenta azulado e meio esfumaçado, quase que uma miragem em que a cerração ditorce formas.
Desse modo, a movimentação que vejo é pouca, ficando visíveis apenas o ondulado dos campos e as plantações coesas que se apresentam nos mais diversos tons da cor verde em formas diferenciadas.
Porém, à noite, a amplidão dessa mesma área se transforma sendo possível visualizar muitos mais sinais de vida.
Dentro do negrume noturno observo, à minha direita, a presença do Distrito de Warta (nome adotado por ser de um rio da Polônia). Na mesma direção geográfica, mas à minha esquerda, percebo a presença do municício de Bela Vista do Paraíso (união do povoado Bela Vista com a localidade Paraíso).
O manto noturno ressalta, por contraste, a vida que acontece nesses espaços e em seu entorno. Assim é que, apesar do negrume, é possível eu distinguir carros que delineiam as serpenteantes estradas. O movimento se forma por conta das luzinhas amarelas que "correm" tal qual fosse imenso colar de contas amarelas em movimento.
E mostram mais.
Vislumbro ali a existência das duas mãos da rodovia porque à direita desse colar algumas luzes vermelhas seguem indo, enquanto que à minha esquerda, às vezes, uma ou outra luzinha amarela sai do percurso do "rosário" e foge para a direita ou esquerda, o que significa que pegaram estrada para sítio, fazenda, etc.
O contrário, de alguma outras luzinhas se incorporarem ao colar, também ocorre.
Dentro do véu de escuridão, avisto, nos núcleos que deduzo serem as duas localidades, muitas luzes amarelas, estáticas, em linhas retas e paralelas e outras, ainda, dispersas, parecendo indicar o aglomerado do grosso central da povoação do distrito e da cidade.
Em aluguns lugares, um pouco afastados desse panorama, em tempo de plantio ou de colheita de safra, vejo luzinhas amarelas que traçam um ziguezaqueado incessante de lavra, o que indica serem máquinas agrícolas a trabalharem o solo ou a coletarem os frutos do trabalho dos agricultores, bem ao contrário daquilo que o dia me possibilita ver.
Tudo aquilo que vislumbro de dia ou de noite me leva a ficar muito tempo observando da varanda, coisa que me deleita e faço muitas e muitas vezes, porque sempre há coisas novas dignas de serem notadas nesse incessante processo vital.

22/07/2018 - Marina Irene Beatriz Polonio























topo da página  

JVC - João Vianei Carozzi
Copyright - Todos os direitos reservados
© 2006 - 2019